Soldados israelenses admitem matar palestinos em Gaza "independentemente da idade, mesmo que desarmados"
- www.jornalclandestino.org

- há 1 hora
- 3 min de leitura
O Canal 13 de Israel exibiu em 7 de maio depoimentos de soldados israelenses que afirmaram ter recebido ordens para matar palestinos em Gaza “independentemente da idade”, inclusive civis desarmados. Os relatos reforçam denúncias acumuladas desde outubro de 2023 sobre execuções de civis palestinos durante o genocídio conduzido por Israel contra a Faixa de Gaza com apoio militar, diplomático e financeiro estadunidense. Entre os casos citados está a morte de três prisioneiros israelenses abatidos por tropas israelenses mesmo carregando bandeiras brancas e sem portar armas.

A investigação televisionada apresentou depoimentos anônimos de soldados israelenses envolvidos nas operações militares em Gaza desde o início do genocídio palestino em outubro de 2023. Um dos militares afirmou que recebeu instruções diretas para executar qualquer homem palestino encontrado durante incursões terrestres. “Um homem, não importa a idade, não brinca com isso; mate imediatamente”, declarou o soldado ao relatar ordens transmitidas por comandantes israelenses.
Segundo o mesmo depoimento, os militares também recebiam instruções para decidir por conta própria sobre mulheres e crianças palestinas encontradas durante as operações. “Eles até nos disseram que, se for uma mulher ou uma criança, devemos usar o bom senso, porque essas coisas acontecem”, afirmou.
Os relatos foram feitos à israelense Iris Haim, mãe de Yotam Haim, prisioneiro israelense morto por tropas israelenses em dezembro de 2023 durante uma tentativa de fuga em Gaza. Yotam Haim e outros dois prisioneiros israelenses aproximaram-se das posições militares sem camisa e carregando bandeiras brancas. Mesmo assim, foram mortos a tiros por soldados israelenses.
O episódio provocou questionamentos dentro de Israel sobre regras de engajamento aplicadas pelas tropas em Gaza. Os próprios militares envolvidos reconheceram posteriormente que confundiram os prisioneiros israelenses com palestinos desarmados. O caso expôs uma política operacional baseada em fogo letal contra qualquer pessoa identificada como homem palestino em áreas sob ocupação militar israelense.
Um dos soldados entrevistados admitiu participação direta na morte dos três prisioneiros israelenses. “Disparo 500 balas por minuto. Explodo coisas. Não me importo. Estou aqui para matar terroristas”, afirmou. O militar declarou ainda que abriu fogo acreditando estar diante de “três terroristas”.
Iris Haim relatou que ouviu de comandantes israelenses que as tropas receberam ordens para “matar todas as pessoas que andam sobre duas pernas”. Segundo ela, um comandante declarou: “Se um terrorista se aproxima de mim, tento matá-lo. Não tento prendê-lo”. O mesmo oficial acrescentou: “É claro que precisamos matá-lo – sim, mesmo que ele esteja completamente desarmado”.
Outro soldado ouvido pelo Canal 13 afirmou que qualquer palestino era tratado automaticamente como ameaça militar. “Até um idoso pode se explodir com um dispositivo explosivo. O protocolo era atirar neles”, declarou. O militar também relatou um episódio em que “uma pessoa apareceu com uma bandeira branca e foi morta a tiros na hora”.
As declarações televisionadas somam-se a registros acumulados desde o início do genocídio palestino em Gaza. Em 16 de dezembro de 2023, duas mulheres cristãs palestinas foram mortas por um atirador israelense dentro do complexo da Igreja da Sagrada Família, na Cidade de Gaza. O caso provocou reação pública do papa Francisco após denúncias da Igreja Católica local.
Em janeiro de 2024, a emissora britânica ITV registrou o momento em que o palestino Ramzi Abu Sahloul, de 51 anos, foi atingido no peito por disparos israelenses. Ele integrava um grupo de civis palestinos que se deslocava em direção a Rafah carregando bandeiras brancas após ordens de evacuação emitidas pelo próprio exército israelense.
Relatórios médicos também documentaram padrões de disparos contra crianças palestinas. O cirurgião britânico Nizam Mamode, que trabalhou em Gaza durante 2024 e 2025, afirmou ao jornal The Guardian que equipes médicas recebiam crianças atingidas por tiros de precisão. “Particularmente perturbadores eram os casos em que as crianças eram mortas com um tiro na cabeça, claramente resultado de disparos deliberados de atiradores”, declarou após retornar a Londres em fevereiro de 2025.
Mamode descreveu o caso de Amer, menino palestino de sete anos atingido após um bombardeio israelense. “Ele sofreu ferimentos no fígado, baço e intestino, e parte do estômago saiu pelo peito”, relatou o médico. Segundo ele, drones israelenses atacavam civis que tentavam fugir após bombardeios.
Dados citados pela reportagem apontam que mais de 72.700 palestinos foram mortos em Gaza desde outubro de 2023. Mulheres e crianças compõem a maior parte das vítimas registradas. Milhares de desaparecidos permanecem sob os escombros produzidos pelos bombardeios israelenses contra áreas residenciais, hospitais, escolas, campos de deslocados e infraestrutura civil da Faixa de Gaza.
A destruição da infraestrutura médica, elétrica e hídrica da Faixa de Gaza também ampliou o número de mortes indiretas relacionadas ao cerco israelense. Israel mantém bloqueios sobre alimentos, medicamentos, combustível e materiais de reconstrução enquanto recebe apoio militar e cobertura diplomática dos Estados Unidos em organismos internacionais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU.



































