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A China dispara no ranking de percepção democrática enquanto EUA e Israel despencam

Uma pesquisa internacional divulgada em 10 de maio colocou a China entre os países com maior percepção positiva sobre democracia entre sua própria população. O levantamento mostrou queda contínua da imagem dos Estados Unidos e de Israel após o genocídio palestino iniciado em outubro de 2023 e a escalada militar estadunidense contra o Irã. Dados do Índice de Percepção da Democracia também indicaram rejeição internacional à presença militar estadunidense em dezenas de países que abrigam bases de Washington.

Crianças alegres aproveitam um momento lúdico ao ar livre em Gannan, Gansu, China
Crianças alegres aproveitam um momento lúdico ao ar livre em Gannan, Gansu, China

O estudo foi elaborado pela Fundação Aliança das Democracias, organização sediada na Dinamarca, e ouviu mais de 94 mil pessoas em 98 países sobre suas percepções a respeito do funcionamento democrático de seus próprios governos. A classificação utilizou uma escala entre +100 e -100 e avaliou respostas relacionadas a eleições, transições de poder, liberdade de expressão e aplicação das leis.


A China apareceu com índice positivo de +14, ao lado de países escandinavos, todos acima de +20, além da Suíça (+19) e da Índia (+15). Segundo o levantamento, cidadãos chineses consideram que seu sistema político atende critérios associados à participação institucional e estabilidade governamental em proporção superior à registrada em países centrais do bloco atlântico.


Os Estados Unidos registraram índice de -1. O Reino Unido apareceu com -3 e Israel com -2. Os três países foram posicionados na categoria descrita pela pesquisa como “neutra”, indicando divisão entre cidadãos que consideram viver em uma democracia e aqueles que rejeitam essa definição. A França obteve -20, a Rússia -21, Belarus -9, Cazaquistão -31 e Ucrânia -23.


O comentarista político francês Arnoud Bertrand reagiu aos resultados em publicação na plataforma X. “Portanto, para o bem ou para o mal, no que diz respeito à percepção das pessoas, vivemos agora em um mundo onde a China é um dos países mais democráticos do mundo e a França um dos menos democráticos”, escreveu.


O relatório também realizou uma segunda rodada de entrevistas com 46,6 mil pessoas em 85 países para medir percepções internacionais sobre potências estrangeiras. Nesse ranking, os Estados Unidos passaram a integrar o grupo dos cinco países com pior imagem global, ao lado de Israel, Coreia do Norte, Afeganistão e Irã.


Segundo os dados publicados, a percepção líquida dos Estados Unidos caiu para -16%, após registrar +22% dois anos antes. A Rússia apareceu com -11%, enquanto a China registrou saldo positivo de +7%. Israel ocupou a posição de país com pior percepção internacional no levantamento.


A pesquisa indicou que apenas quatro países mantêm percepção positiva sobre os Estados Unidos: Japão, Coreia do Sul, Israel e Ucrânia. O dado foi acompanhado por outro indicador relacionado à presença militar estadunidense no exterior.

Entre os 97 países que hospedam bases militares dos Estados Unidos, somente quatro apresentaram aprovação positiva da presença militar de Washington. O relatório não identificou apoio majoritário à expansão da estrutura militar estadunidense em regiões da Ásia, Oriente Médio, África ou Europa Oriental.


A deterioração da imagem internacional dos Estados Unidos e de Israel foi associada, no próprio levantamento, ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina em Gaza desde outubro de 2023. O envolvimento militar direto dos Estados Unidos na ofensiva contra o Irã ampliou esse desgaste político em escala internacional.


A pesquisa também apontou mudança de percepção dentro dos próprios Estados Unidos sobre Israel. Segundo levantamento do instituto Pew realizado em abril, 60% dos adultos estadunidenses afirmaram possuir visão desfavorável de Israel, contra 53% registrados no ano anterior.


Os números publicados pela Fundação Aliança das Democracias expõem um deslocamento político que contraria décadas de narrativa produzida por Washington e seus aliados europeus sobre monopólio ocidental da ideia de democracia. Enquanto os Estados Unidos mantêm operações militares em dezenas de territórios estrangeiros e ampliam sanções econômicas, intervenções armadas e alianças militares, parte crescente da população mundial associa esses mecanismos ao desgaste institucional, à violência internacional e à erosão da legitimidade política do bloco atlântico.

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