Presidente do Sindicato de Jornalistas Palestino eleito como o primeiro vice-presidente da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ)
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O presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos foi eleito primeiro vice-presidente da Federação Internacional de Jornalistas durante o Congresso Mundial do Centenário da entidade, realizado em Paris em 6 de maio de 2026. A eleição ocorreu enquanto jornalistas palestinos seguem entre os profissionais de imprensa mortos por ataques israelenses no genocídio conduzido contra Gaza e outros territórios palestinos ocupados. A Federação Internacional de Jornalistas afirmou que os assassinatos de jornalistas na Palestina atingiram níveis registrados como “sem precedentes”.

O anúncio foi divulgado pela agência palestina WAFA após a votação realizada no congresso da Federação Internacional de Jornalistas, que reuniu delegações sindicais e representantes da imprensa em Paris. O encontro discutiu condições de trabalho para jornalistas em zonas sob ocupação militar, proteção internacional da imprensa, liberdade de imprensa e mecanismos de solidariedade sindical internacional.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos, Naser Abu Baker, afirmou que a eleição representa resultado da atuação da delegação palestina no congresso da entidade internacional. Segundo Abu Baker, a recondução palestina ao posto “reflete a renovada confiança internacional no papel do PJS e fortalece sua presença nas estruturas da união global”.
O dirigente palestino declarou ainda que a presença do sindicato na direção da Federação Internacional de Jornalistas servirá para ampliar denúncias internacionais sobre ataques contra profissionais palestinos da imprensa. Abu Baker afirmou que o cargo permitirá “amplificar a voz dos jornalistas palestinos em fóruns internacionais e pressionar por maior proteção para garantir a sua segurança e responsabilizar os autores de violações”.
A eleição ocorreu enquanto forças israelenses mantêm operações militares na Faixa de Gaza, Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental. Desde outubro de 2023, jornalistas palestinos foram mortos em ataques aéreos, bombardeios de redações, destruição de residências e ataques contra veículos identificados como imprensa. Organizações internacionais de imprensa e direitos humanos acusam Israel de impedir cobertura jornalística independente no genocídio contra a população palestina.
A WAFA informou que o congresso da Federação Internacional de Jornalistas concentrou debates sobre violência contra jornalistas em áreas de guerra, ocupação militar e repressão estatal. O encontro também discutiu mecanismos jurídicos internacionais para responsabilização de autores de assassinatos de profissionais da imprensa.
Durante o congresso, a jornalista peruana Zuliana Lainez Otero foi eleita presidente da Federação Internacional de Jornalistas. Otero preside a Asociación Nacional de Periodistas del Perú e ocupa cargo de vice-presidente da Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe. Ela também exerceu função de vice-presidente sênior da entidade internacional.
Segundo comunicado divulgado pela Federação Internacional de Jornalistas, Otero afirmou que o jornalismo atravessa um período marcado pelo assassinato de profissionais de imprensa em diferentes regiões. “Estamos em um período desafiador para o jornalismo em todo o mundo”, declarou.
A dirigente afirmou ainda: “Nos últimos anos, testemunhamos um número alarmante de jornalistas assassinados na Palestina, Ucrânia, Líbano, Sudão e América Latina, algo sem precedentes na história”. Em seguida, acrescentou: “Os níveis de impunidade para esses crimes também são sem precedentes. Como organização global, é nosso dever garantir que esses crimes sejam julgados em tribunais internacionais.”
A eleição palestina na Federação Internacional de Jornalistas ocorreu em meio ao aumento das denúncias internacionais sobre operações israelenses contra jornalistas palestinos. Nas últimas horas, a própria agência WAFA registrou novos ataques israelenses em Gaza, Ramallah, Belém, Jerusalém Oriental e Vale do Jordão, incluindo mortes de palestinos, ataques contra estudantes, demolições de estruturas agrícolas e ações de colonizadores israelenses armados em Masafer Yatta e Nablus.
A cobertura palestina sobre o genocídio conduzido por Israel ocorre sob bloqueios militares, destruição de infraestrutura civil, cortes de energia, restrições de deslocamento e ataques contra edifícios de mídia. Organizações palestinas acusam Israel de utilizar a destruição de centros jornalísticos como mecanismo para controlar narrativas internacionais sobre os ataques à população palestina.
O congresso da Federação Internacional de Jornalistas marcou o centenário da entidade sindical internacional, fundada em 1926. O encontro reuniu representantes de sindicatos de jornalistas de dezenas de países em meio ao aumento da violência contra profissionais da imprensa em áreas sob ocupação militar, guerras e repressão estatal.



































