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promotores afirmam estar sendo pressionados a acusar criminalmente manifestantes contrários ao ICE


Promotores federais em Minnesota relatam pressão do governo do presidente Donald Trump para apresentar acusações criminais contra manifestantes contrários ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), mesmo diante de provas consideradas insuficientes. O impasse interno resultou em demissões, denúncias de politização do sistema de Justiça e questionamentos sobre a condução de investigações envolvendo mortes de civis em operações federais.


©Etienne Laurent
©Etienne Laurent

O governo dos Estados Unidos enfrenta uma crise institucional no Ministério Público Federal em Minnesota, onde promotores afirmam estar sendo pressionados a acusar criminalmente manifestantes contrários ao ICE com base em evidências limitadas ou incompletas. Segundo fontes com conhecimento direto da situação, a orientação partiu de instâncias superiores do Departamento de Justiça e gerou forte desgaste interno, levando a pedidos de demissão e à paralisação de outras investigações relevantes.


De acordo com relatos de integrantes do gabinete, os promotores passaram a receber denúncias frequentes de supostas agressões a agentes do Departamento de Segurança Interna durante protestos. Ainda assim, em diversos casos, imagens de câmeras corporais não foram apresentadas para sustentar as acusações, e há registros que indicam que muitos confrontos podem ter sido iniciados pelos próprios agentes federais.


A tensão se intensificou após o Departamento de Justiça anunciar a prisão do ex-apresentador da CNN Don Lemon e de outras três pessoas, acusadas de violar leis federais durante um protesto realizado em uma igreja na cidade de St. Paul. Um dia antes, o procurador federal Daniel Rosen informou que 16 manifestantes haviam sido indiciados por agressão a agentes federais e danos a propriedades públicas.


Fontes internas afirmam que os promotores também foram orientados a priorizar investigações que apontem supostas conspirações de grupos ativistas para obstruir ações de fiscalização migratória. Ao mesmo tempo, nenhum agente de imigração teria sido denunciado criminalmente desde o aumento da presença federal nas Cidades Gêmeas, apesar da circulação de vídeos que mostram o uso de força excessiva, agressões a manifestantes e mortes durante operações.


Um dos casos que gerou maior comoção interna foi a morte de Alex Pretti, enfermeiro de unidade de terapia intensiva, baleado por agentes da Patrulha da Fronteira em 24 de janeiro. Imagens divulgadas mostram Pretti filmando a atuação dos agentes e auxiliando no controle do trânsito antes de ser atingido por spray de pimenta, imobilizado no chão e baleado.


Manifestações anti-ICE em Minneapolis. Jan de 2026 @nigrotime
Manifestações anti-ICE em Minneapolis. Jan de 2026 @nigrotime

Promotores relataram frustração após uma reunião com o procurador Daniel Rosen, na qual questionaram a ausência de uma investigação independente do Departamento de Justiça sobre a morte de Pretti. Inicialmente, a apuração havia sido deixada a cargo do próprio Departamento de Segurança Interna, o que foi considerado incomum e inadequado por membros do gabinete.


Diante das críticas, o vice-procurador-geral Todd Blanche anunciou que o FBI passaria a conduzir uma investigação sobre o caso, classificando-a como um procedimento padrão. Para promotores ouvidos, a medida foi vista como tardia e insuficiente para restaurar a confiança na imparcialidade das apurações.


O ambiente interno levou a uma nova onda de demissões. Pelo menos cinco procuradores, incluindo o segundo em comando do escritório, Joseph Thompson, deixaram seus cargos em janeiro. Outros sete funcionários, entre eles procuradores seniores e um coordenador de vítimas e testemunhas, também pediram desligamento ou anunciaram a intenção de fazê-lo. Desde a reeleição de Trump, mais de 50 dos cerca de 135 servidores do gabinete teriam deixado suas funções.


A saída de profissionais experientes reduziu drasticamente a capacidade operacional do Ministério Público Federal em Minnesota. Promotores relatam que investigações de longo prazo sobre tráfico de drogas, violência de gangues, crimes em territórios indígenas e abuso infantil foram desaceleradas ou suspensas, enquanto acordos judiciais mais brandos passaram a ser oferecidos para aliviar a sobrecarga de trabalho.


Embora alguns promotores ainda resistam à pressão para apresentar acusações sem provas robustas, há preocupação de que a substituição por profissionais temporários ou menos experientes aumente o risco de denúncias motivadas por orientações políticas. Segundo fontes internas, o cenário atual representa uma ruptura sem precedentes na confiança entre promotores de carreira e a liderança do Departamento de Justiça, com impactos diretos sobre a aplicação do devido processo legal nos Estados Unidos.

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