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Promotores arquivam processo pendente por estupro contra Harvey Weinstein

Pela quarta vez desde o início do processo judicial envolvendo Harvey Weinstein em Nova York, promotores do distrito de Manhattan decidiram não prosseguir com uma acusação de estupro relacionada à denúncia apresentada pela atriz e cabeleireira Jessica Mann. O anúncio foi feito na quinta-feira, após conversas entre o Ministério Público e a denunciante, que informou não estar disposta a enfrentar as exigências de mais um julgamento.


Crédito: Bloomberg via Getty Images
Crédito: Bloomberg via Getty Images

O promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg Jr., declarou que a decisão não representa uma mudança na avaliação feita pelos investigadores sobre o relato da acusadora. “Para sermos claros, acreditamos no relato da Sra. Mann e em sua credibilidade como testemunha”, afirmou Bragg em comunicado oficial.


O promotor acrescentou que a denunciante participou de um processo que se estendeu por oito anos e incluiu depoimentos repetidos diante de diferentes júris. “Este foi um período extremamente difícil para ela, e ela nunca hesitou ao depor perante dois júris populares e três júris de julgamento ao longo de oito anos”, declarou. “Agradecemos a ela por sua honestidade e sua enorme coragem.”


O caso envolvendo Jessica Mann tornou-se um dos processos centrais na série de denúncias apresentadas contra Weinstein após a exposição pública de acusações de abuso sexual no setor de entretenimento. O primeiro julgamento ocorreu em 2020 e reuniu os depoimentos de Jessica Mann, da ex-assistente de produção Miriam Haley e da modelo Kaja Sokola. As três acusaram Weinstein de utilizar sua posição na indústria cinematográfica para submetê-las a abusos sexuais.


Naquele julgamento, Weinstein foi condenado. Contudo, em 2024, um tribunal de apelações anulou a condenação ao concluir que o juiz responsável pelo caso permitiu depoimentos de mulheres cujas acusações não integravam formalmente o processo analisado pelo júri.


Após a anulação, um novo julgamento foi realizado em 2025. Nessa etapa, o caso concentrou-se nas acusações apresentadas por Jessica Mann e Miriam Haley. O júri considerou Weinstein culpado da agressão sexual denunciada por Haley, mas não alcançou unanimidade sobre a acusação de estupro apresentada por Mann. Diante do impasse, o juiz determinou a realização de outro julgamento exclusivamente sobre essa acusação.


O terceiro julgamento referente à denúncia de Mann terminou em maio de 2026 sem consenso entre os jurados. A ausência de um veredicto unânime impediu novamente a conclusão do processo e abriu caminho para a possibilidade de uma nova tentativa por parte da promotoria.


Durante esse julgamento, Jessica Mann afirmou que manteve alguns encontros sexuais consensuais com Weinstein ao longo do relacionamento entre ambos, mas relatou que, em março de 2013, foi forçada a manter relações sexuais sem consentimento em um quarto de hotel. Segundo seu depoimento, ela recusou repetidamente o ato antes do episódio denunciado.


A defesa de Weinstein sustentou que o encontro mencionado por Mann ocorreu de forma consensual. Os advogados do ex-produtor argumentaram que mensagens, e-mails e outras comunicações privadas demonstrariam uma relação mantida de maneira voluntária entre os dois.


Após o anúncio do arquivamento, Juda S. Engelmayer, representante de Weinstein, divulgou uma declaração em nome do ex-produtor. “Harvey está aliviado com o resultado de hoje”, afirmou. “Acreditamos que este é o resultado que deveria ter sido alcançado desde o início, caso o grande júri tivesse tido acesso à totalidade dos e-mails, mensagens de texto e outras comunicações privadas.”


Embora a acusação de estupro envolvendo Jessica Mann tenha sido encerrada, Weinstein continua condenado por agressão sexual contra Miriam Haley em Nova York. A sentença referente a essa condenação ainda não foi definida. Alvin Bragg informou que os promotores recomendaram ao tribunal a aplicação de uma pena de 20 anos de prisão.


Além dos processos em Nova York, Weinstein também permanece condenado na Califórnia. A pena imposta naquele estado soma 16 anos de prisão, resultado de outro caso envolvendo crimes sexuais.


Ao longo dos últimos anos, mais de 100 mulheres acusaram Weinstein de conduta sexual imprópria, agressão sexual ou estupro. Nem todas as denúncias resultaram em acusações criminais ou condenações judiciais, mas os processos movidos contra o ex-produtor transformaram-se em um dos casos mais conhecidos envolvendo abuso sexual na indústria do entretenimento.


As denúncias públicas apresentadas contra Weinstein e os processos judiciais subsequentes tornaram-se um dos elementos que impulsionaram a expansão internacional do movimento #MeToo, que passou a denunciar abusos sexuais praticados por figuras com posições de poder em diferentes setores da sociedade.

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