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"Sou médico na Cisjordânia ocupada. Nossos hospitais estão à beira da falência." Hazim Faisal

Médico do Hospital Dura, na Cisjordânia ocupada, relata interrupções contínuas no sistema de saúde devido à falta de medicamentos, salários atrasados e suspensão de cirurgias. A retenção por Israel de receitas alfandegárias palestinas, que representam mais de 60% do orçamento da Autoridade Palestina, bloqueia pagamentos ao Ministério da Saúde e fornecedores. Pacientes com câncer, casos de urgência cirúrgica e crianças em estado crítico enfrentam atrasos e recusa de atendimento em hospitais e clínicas.


Um homem transporta caixas de medicamentos passando por uma ambulância bloqueada na entrada de Turmus Ayya, ao norte de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, em 6 de maio de 2026 (AFP)
Um homem transporta caixas de medicamentos passando por uma ambulância bloqueada na entrada de Turmus Ayya, ao norte de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, em 6 de maio de 2026 (AFP)

O médico que atua no pronto-socorro e na oncologia do Hospital Dura, identificado como Hazim Faisal Abusondos em artigo publicado pelo Middle East Eye em 21 de junho de 2026, descreve deterioração progressiva do sistema de saúde nos últimos quatro anos, com agravamento nos dois anos mais recentes. Segundo o relato, prateleiras de farmácias hospitalares permanecem sem medicamentos e insumos, enquanto o Ministério da Saúde palestino depende de receitas alfandegárias recolhidas por Israel e não repassadas há meses. O texto atribui a esse bloqueio a interrupção de pagamentos a fornecedores e a redução de capacidade operacional de hospitais na Cisjordânia.


O artigo afirma que pacientes com câncer têm consultas canceladas e tratamentos de quimioterapia interrompidos por falta de medicamentos, embora os fármacos existam no mercado internacional. Um caso descrito envolve paciente com doença hematológica controlada que evoluiu para leucemia aguda após interrupções repetidas de tratamento. Outro caso relata paciente jovem com malignidade rara sem acesso a terapia-alvo recomendada por custo e disponibilidade limitada no sistema hospitalar.

O sistema também registra suspensão de cirurgias por falta de materiais e redução de dias operacionais. Um paciente com hérnia teve cirurgia adiada por meses e evoluiu para estrangulamento intestinal, exigindo cirurgia de emergência com remoção de parte do intestino. Pacientes com infecções biliares e cálculos aguardam intervenções enquanto unidades cirúrgicas operam com capacidade reduzida e equipes médicas relatam ausência de pagamento regular.


Clínicas ambulatoriais em cidades e vilas da Cisjordânia permanecem fechadas em períodos prolongados, segundo o relato, devido à ausência de recursos para funcionamento. Pacientes relatam deslocamentos repetidos sem atendimento. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas concentram parte dos impactos do sistema sem financiamento regular.


Hospitais privados acumulam dívidas não pagas pela Autoridade Palestina, que não realiza transferências devido à retenção das receitas alfandegárias. A cooperação entre hospitais públicos e privados sofre redução de capacidade de transferência de pacientes e leitos disponíveis. Em emergência pediátrica descrita no texto, uma criança de dois anos com hemorragia cerebral e múltiplos traumas não encontrou vaga em quatro hospitais consultados e foi transferida para unidade sem equipamento adequado.


Profissionais de saúde seguem em atividade apesar de salários atrasados ou parciais. O médico relata presença diária no hospital e sobrecarga de atendimento em pronto-socorro, com impacto direto nas condições de trabalho e sustento familiar. O artigo descreve também pressão sobre equipes médicas diante da ausência de medicamentos, leitos e equipamentos.

O texto atribui a retenção das receitas a um mecanismo de controle econômico ligado ao sistema de arrecadação de impostos palestinos administrados por Israel, estabelecido sob acordos econômicos anteriores, e afirma que esses recursos sustentam serviços de saúde, pagamento de salários e aquisição de insumos. Middle East Eye publicou o relato no contexto de cobertura contínua sobre Palestina e Israel.

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