Starmer admite que nunca deveria ter nomeado Mandelson como enviado dos EUA
- www.jornalclandestino.org

- 21 de abr.
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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reconheceu ter cometido um erro ao nomear Peter Mandelson como enviado britânico em Washington. A admissão ocorreu nesta segunda-feira, 21 de abril de 2026, em meio a uma crise política alimentada por vínculos de Mandelson com o caso do financista estadunidense Jeffrey Epstein. A controvérsia intensificou a pressão sobre o governo britânico e gerou pedidos públicos de renúncia. Revelações indicam que Mandelson não teria passado por verificações de segurança antes de assumir o cargo. O episódio expõe fragilidades institucionais em um governo já desgastado politicamente.

Durante pronunciamento no Parlamento britânico, Starmer afirmou: “No cerne disso, há também um julgamento que fiz que estava errado. Eu não deveria ter nomeado Peter Mandelson”. A declaração ocorre após a divulgação de que Mandelson, cuja relação com Epstein era conhecida há anos, teria falhado no processo independente de triagem de segurança antes de assumir a função diplomática em Washington. Ainda assim, ele foi nomeado para um dos cargos mais sensíveis da política externa britânica, diretamente ligado às relações com o governo estadunidense.
Starmer afirmou que ele e outros ministros só foram informados da falha na verificação na semana anterior à crise vir a público. Segundo o primeiro-ministro, houve omissão por parte de funcionários do Ministério das Relações Exteriores britânico. “É inacreditável que, ao longo de toda a linha do tempo dos eventos, funcionários do Ministério das Relações Exteriores tenham considerado adequado ocultar essa informação dos ministros mais seniores do nosso sistema, do governo”, declarou. Ele acrescentou que, caso tivesse conhecimento prévio da recomendação negativa, não teria levado adiante a nomeação.
A crise levou à demissão do principal funcionário público do Ministério das Relações Exteriores, Olly Robins, na última quinta-feira (17), além do anúncio de uma revisão nos procedimentos de verificação de segurança. No entanto, ex-integrantes do serviço público britânico acusaram o governo de utilizar Robins como bode expiatório para uma falha mais ampla no sistema decisório.
O gabinete de Downing Street sustentou que o processo formal foi seguido, argumentando que as regras permitem ao Ministério das Relações Exteriores sobrepor recomendações de segurança sem necessidade de informar diretamente o primeiro-ministro. Na sexta-feira (18), o governo divulgou um memorando afirmando que Starmer só tomou conhecimento da falha na triagem na terça-feira anterior, tentando conter o impacto político da revelação.
A nomeação de Mandelson, figura histórica do Partido Trabalhista, ocorreu em 2025, em um contexto de tentativa de reposicionar o Reino Unido nas relações com o governo estadunidense sob a presidência de Donald Trump. O secretário para a Escócia, Douglas Alexander, afirmou que a escolha se baseou na avaliação de que a administração estadunidense era “não convencional” e exigiria um representante igualmente fora dos padrões tradicionais. “Esse julgamento estava errado e o primeiro-ministro aceita isso”, declarou.
A crise se aprofunda em meio à crescente impopularidade de Starmer, tanto entre a população quanto dentro de seu próprio partido. Líderes da oposição intensificaram pedidos de renúncia, acusando o primeiro-ministro de incompetência e de ter fornecido informações enganosas ao Parlamento ao afirmar, em fevereiro, que o processo de verificação havia seguido todos os trâmites regulares.
O caso também reacendeu o debate público sobre os vínculos de figuras políticas com Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 em uma prisão nos Estados Unidos enquanto enfrentava acusações de tráfico sexual. Mandelson, de 72 anos, foi preso e posteriormente liberado em fevereiro de 2026 no âmbito de uma investigação conduzida pela polícia britânica sobre possíveis irregularidades em sua atuação como ministro há mais de 15 anos. Ele nega qualquer conduta ilegal e não foi formalmente acusado.
A crise ocorre às vésperas de eleições locais no Reino Unido, previstas para o próximo mês, incluindo disputas nos parlamentos descentralizados da Escócia e do País de Gales, aumentando a pressão política sobre a liderança de Starmer e ampliando o impacto institucional do escândalo.



































