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Trump desmonta regra climática e freia transição elétrica nos EUA enquanto China avança

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou a base científica que sustentava há 17 anos a regulação de gases de efeito estufa e eliminou os padrões de emissão veicular adotados no governo anterior. A medida, anunciada na Casa Branca, desmonta a principal política climática federal voltada à eletrificação da frota automotiva. Segundo cálculos do próprio governo anterior, as regras revogadas evitariam 7,2 bilhões de toneladas métricas de emissões de gases de efeito estufa até 2055. A decisão ocorre em meio à queda de 4% nas vendas de veículos elétricos em 2025 nos Estados Unidos, enquanto a Europa registrou alta de 33% e o mercado global cresceu 20%, de acordo com a consultoria britânica Rho Motion. O movimento reposiciona a indústria estadunidense na contramão da transição energética global, ampliando a dependência de combustíveis fósseis.


Donald Trump ©Saul Loeb I AFP
Donald Trump ©Saul Loeb I AFP

A revogação foi conduzida pela Environmental Protection Agency (EPA), sob comando de Lee Zeldin, que afirmou que as montadoras “não serão mais pressionadas a mudar suas frotas para veículos elétricos”. Ao lado de Trump, Zeldin declarou que os carros elétricos estavam “parados, sem serem vendidos, nas concessionárias por toda a América”. Trump, por sua vez, classificou o ato como “a maior ação de desregulamentação da história” e prometeu: “Vocês vão ter um carro melhor, um carro que liga mais fácil, um carro que funciona melhor, por muito menos dinheiro”.


Os padrões revogados previam cortar em 50% as emissões de gases de efeito estufa dos veículos leves até 2032, tomando como base os níveis projetados para 2026. O governo anterior estimava que a política traria US$ 13 bilhões anuais em benefícios à saúde pública pela redução da poluição atmosférica. A própria análise econômica inicial reconhecia que a flexibilização resultaria no consumo adicional de cerca de 100 bilhões de galões de gasolina até 2050, com custo extra estimado em até US$ 185 bilhões para consumidores nos postos.


A indústria automobilística já vinha reagindo ao novo ambiente regulatório. A Ford Motor Company anunciou em dezembro que deixaria de fabricar a picape elétrica F-150 Lightning e reduziria seus planos para veículos elétricos. A General Motors encerrou a produção planejada de elétricos na fábrica de Orion, em Michigan, transferindo a unidade para modelos a gasolina como o Cadillac Escalade e a Chevrolet Silverado. A Stellantis cancelou a picape elétrica Ram 1500 e abandonou híbridos plug-in como o Chrysler Pacifica e o Jeep Grand Cherokee 4xe. Somadas, Ford, GM e Stellantis reduziram US$ 52 bilhões em investimentos em eletrificação nas últimas semanas, valor superior aos US$ 34 bilhões de lucro total das três empresas em 2024.


John Bozzella, presidente da Alliance for Automotive Innovation, apoiou a decisão e afirmou que a medida “corrigirá algumas das regulamentações de emissões inatingíveis promulgadas pelo governo anterior”. No entanto, a própria entidade havia alertado em comentários formais à EPA que uma revogação total poderia “amplificar ainda mais a severidade das mudanças de política em administrações futuras”, sinalizando preocupação com instabilidade regulatória.


Enquanto isso, a concorrência internacional avança. A chinesa BYD vendeu 4,6 milhões de veículos em 2025 e ultrapassou a Ford como sexta maior montadora do mundo. Tarifas elevadas mantêm veículos elétricos chineses fora do mercado estadunidense, mas a retração doméstica reduz ainda mais a competitividade da indústria local em mercados com metas rígidas de emissões.


O Departamento de Transportes também conduz processo para flexibilizar padrões de eficiência energética. A média prevista de consumo, que deveria subir de 30,4 milhas por galão para 50,4 milhas até o ano-modelo 2031, poderá ser reduzida para 34,5 milhas por galão. A equipe de Trump estima que os veículos novos ficarão US$ 2.330 mais baratos sob as novas regras — valor superior aos US$ 1.000 inicialmente projetados.


Para Margo Oge, que atuou por 32 anos na EPA e dirigiu o escritório de transporte e qualidade do ar entre 1994 e 2012, o retrocesso é estrutural.


“As coisas só vão piorar em relação à poluição do ar, aos impactos climáticos e aos impactos econômicos… porque todos os outros países estão avançando, menos nós. Estamos retrocedendo”, afirmou. Ela acrescentou: “O país vai se tornar uma ilha de tecnologias obsoletas, enquanto todos os outros estão caminhando rumo à eletrificação.”

Ao desmontar padrões que colocavam pressão tecnológica sobre as montadoras, o governo estadunidense reafirma a prioridade dada aos combustíveis fósseis sob o discurso de “liberdade de escolha”. Na prática, amplia-se a dependência da gasolina, reduzem-se incentivos à inovação limpa e transfere-se ao consumidor o custo futuro em forma de poluição, gastos com combustível e perda de competitividade industrial. Em um cenário de disputa geopolítica por liderança tecnológica, a decisão não apenas altera o mercado interno, mas reposiciona os Estados Unidos como retardatário na transição energética global.

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