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Trump posta vídeo racista com Obama e Michelle retratados como macacos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na madrugada de 6 de fevereiro de 2026 um vídeo de conteúdo racista contra o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama em sua rede Truth Social. A peça associa imagens do casal a macacos por cerca de um segundo, em uma montagem conspiratória sobre as eleições presidenciais de 2020. O vídeo, com pouco mais de um minuto, volta a propagar alegações falsas de fraude eleitoral envolvendo a empresa Dominion Voting Systems. Até a manhã do próprio dia 6, a publicação já havia ultrapassado mil curtidas na plataforma controlada pelo próprio presidente.




A montagem utiliza como trilha sonora “The Lion Sleeps Tonight”, canção popularizada mundialmente pelo filme O Rei Leão, tocada exatamente no momento em que aparecem as imagens manipuladas de Barack e Michelle Obama. A escolha da música e o enquadramento visual reforçam a associação racial ofensiva, prática historicamente ligada à desumanização de pessoas negras na cultura política estadunidense. O vídeo também repete a narrativa falsa de que a Dominion teria fraudado a eleição presidencial de novembro de 2020, vencida por Joe Biden, tese já rejeitada por tribunais estaduais e federais dos Estados Unidos em dezenas de decisões judiciais.


O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, reagiu oficialmente à publicação ainda na manhã de sexta-feira. Em postagem nas redes sociais, o perfil institucional afirmou: “Comportamento nojento por parte do presidente. Cada republicano precisa denunciar isso. Agora”. Newsom é apontado como um dos nomes mais fortes do Partido Democrata para a disputa presidencial de 2028.


A crítica também veio de Ben Rhodes, ex-conselheiro de segurança nacional do governo Obama, que enquadrou o episódio como parte de um padrão político deliberado. “Que isso assombre Trump e seus seguidores racistas, enquanto os futuros estadunidenses abraçarão os Obamas como figuras queridas e estudarão Trump como uma mancha na nossa história”, escreveu. Barack Obama permanece como o único presidente negro da história dos Estados Unidos e foi alvo recorrente de campanhas de desinformação e ataques raciais desde sua primeira eleição, em 2008.


Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump intensificou o uso de imagens hiper-realistas e conteúdos manipulados por inteligência artificial como instrumento de ataque político. Em 2025, ele publicou um vídeo falso que mostrava Obama sendo preso no Salão Oval e aparecendo atrás das grades com uniforme laranja, numa simulação de encarceramento. Em outro episódio, compartilhou uma montagem do líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, com bigode falso e sombrero, imagem que o próprio Jeffries classificou publicamente como racista.


A escalada desse tipo de propaganda não ocorre no vazio, mas se insere em uma tradição estrutural da extrema direita estadunidense, que combina supremacismo racial, desinformação sistemática e ataque às instituições democráticas. Ao recorrer ao racismo explícito e a teorias conspiratórias já desmontadas pelos próprios tribunais do país, Trump reforça uma estratégia política baseada na mobilização do ódio, na erosão da verdade factual e na normalização da violência simbólica como ferramenta de poder.

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