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Trump rouba verba de famílias de baixa renda para alimentar sua máquina de guerra em US$ 1,5 trilhão

O governo do presidente Donald Trump apresentou sua proposta orçamentária para 2027 prevendo um aumento de 44% nos gastos militares, elevando o total para cerca de US$ 1,5 trilhão. O plano foi elaborado pelo diretor do Escritório de Administração e Orçamento, Russell Vought, conhecido por sua posição antigoverno. Ao mesmo tempo, a proposta estabelece cortes profundos em programas sociais, incluindo assistência energética, habitação e transporte público.


A proposta orçamentária surge após um período de desgaste político do governo Trump, marcado pela queda de aprovação e divisão interna de sua base, conforme apontado no texto original publicado por Branko Marcetic na revista Jacobin. O documento prevê que o orçamento militar estadunidense ultrapasse não apenas o de qualquer outro país, mas supere, isoladamente, a soma dos gastos militares de várias das principais potências globais. No ano anterior, os Estados Unidos já haviam destinado quase US$ 1 trilhão às forças armadas, valor superior ao gasto combinado dos nove países seguintes.



Para atingir o novo patamar de US$ 1,5 trilhão, o governo propõe cortes de aproximadamente 10% em agências não relacionadas à guerra. Entre as medidas detalhadas está a eliminação de um programa de US$ 4 bilhões destinado a auxiliar famílias de baixa renda no pagamento de contas de energia, em um contexto de aumento no custo de vida. O plano também inclui o corte de dezenas de milhões de dólares em iniciativas de energia renovável, em contraste com políticas adotadas por outros países diante da alta dos combustíveis fósseis.


A proposta prevê ainda a retirada de quase US$ 400 milhões de programas voltados à população em situação de rua e a redução de US$ 529 milhões em assistência específica para pessoas com HIV. Também está incluído o corte de US$ 234 milhões em agências de proteção ao trabalhador, com orientação para evitar o que o documento classifica como “penalidades severas” a empregadores envolvidos em fraudes contra funcionários.


No setor de infraestrutura, o plano elimina US$ 4,2 bilhões destinados à expansão de carregadores para veículos elétricos e reduz quase meio bilhão de dólares em financiamento ao transporte público. O Departamento de Agricultura também seria afetado com o cancelamento de um programa de US$ 659 milhões voltado a projetos locais em áreas rurais de baixa renda. Além disso, a Administração de Desenvolvimento Econômico perderia US$ 449 milhões destinados a regiões economicamente vulneráveis.


Outras reduções incluem US$ 386 milhões para programas de limpeza de contaminação ambiental associada a projetos militares da Guerra Fria. O orçamento também prevê um corte de US$ 1,4 bilhão no financiamento do Serviço de Receita Federal (IRS), medida que, segundo o próprio texto-base, pode facilitar a evasão fiscal entre contribuintes de alta renda.


Enquanto isso, o financiamento militar adicional tende a ser direcionado a empreiteiras do setor de defesa para reposição de equipamentos utilizados em operações recentes. Em março, o Pentágono solicitou ao Congresso estadunidense US$ 200 bilhões adicionais para sustentar operações militares em curso, valor superior ao custo total de quatro anos de envolvimento dos Estados Unidos na Ucrânia e equivalente a cerca de um quarto das despesas de uma década de guerra no Vietnã.


O debate interno no governo também expôs contradições. Em 31 de março, o secretário de Estado Marco Rubio declarou à ABC News:


“Imagine um Irã que, em vez de gastar sua riqueza, bilhões de dólares, apoiando terroristas ou armas, tivesse gasto esse dinheiro ajudando o povo iraniano.”
Dois dias depois, o presidente Donald Trump afirmou: “Estamos em guerras. Não podemos cuidar de creches... Não é possível cuidarmos de creches, Medicaid, Medicare, todas essas coisas individualmente. [...] Temos que cuidar de uma coisa: proteção militar.”

O plano orçamentário reforça uma reorientação estrutural do gasto público estadunidense, priorizando o financiamento de operações militares externas em detrimento de programas sociais internos, em um momento de aumento do custo de vida e tensões políticas domésticas.

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