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Vaticano recusa convite de Trump e critica "Conselho da Paz" para Gaza

O Vaticano anunciou em 17 de fevereiro de 2026 que não participará do Conselho de Paz proposto pelo presidente Donald Trump, alegando “perplexidade” com o formato do organismo. A Santa Sé afirmou que a iniciativa ameaça substituir a Organização das Nações Unidas na gestão de crises internacionais. A posição foi confirmada pelo papa Leão XVI e pelo secretário de Estado Pietro Parolin. O encontro inaugural do Conselho está marcado para 19 de fevereiro em Washington. A decisão do Vaticano expõe fissuras no bloco ocidental diante da proposta estadunidense de reorganizar a governança global fora dos marcos multilaterais tradicionais.


Papa Leão XIV _VATICANNEWS
Papa Leão XIV _VATICANNEWS
Segundo Parolin, “o Vaticano não participará do Conselho de Paz para Gaza”, acrescentando que há “questões críticas que precisam ser esclarecidas”. O cardeal destacou que a Santa Sé insiste que a coordenação das crises internacionais deve permanecer com a ONU, enfatizando que “uma preocupação é que, no âmbito internacional, seja sobretudo a ONU que administre essas situações de crise”. A declaração ocorre em meio ao genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza, tema que Trump pretende incorporar à agenda do novo colegiado, originalmente apresentado como mecanismo de reconstrução do território.

A recusa também sinaliza desconfiança diante do desenho institucional do Conselho, que prevê poderes concentrados no Executivo estadunidense, incluindo a possibilidade de veto permanente por parte de Trump. Para a diplomacia vaticana, a estrutura indica um movimento de centralização de decisões globais em Washington, em detrimento de mecanismos multilaterais construídos ao longo de décadas após a Segunda Guerra Mundial.

A posição da Santa Sé contrasta com a decisão do governo da Itália, que participará como observador. O vice-premiê e chanceler Antonio Tajani declarou que a ausência italiana seria “politicamente incompreensível” e contrária ao artigo 11 da Constituição italiana, que rejeita a guerra como instrumento político. Tajani afirmou ainda que Roma busca preservar seu papel nas negociações por um cessar-fogo e na defesa da solução de dois Estados, envolvendo Israel e a Autoridade Palestina.


A primeira-ministra Giorgia Meloni, contudo, já havia indicado “problemas de caráter constitucional” na proposta estadunidense, especialmente quanto à figura de um presidente vitalício com poder de veto. A participação italiana limitada à condição de observadora reflete esse desconforto, embora mantenha Roma alinhada ao eixo político ocidental.


O governo italiano também reiterou críticas à expansão de assentamentos e à violência de colonos na Cisjordânia, enquanto afirma manter diálogo com atores regionais. Ainda assim, a divergência entre o Vaticano e governos europeus evidencia uma disputa mais ampla sobre quem define os rumos da política internacional: se instituições multilaterais com legitimidade global ou iniciativas unilaterais conduzidas por potências militares.

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