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Zakharova acusa Kiev de genocídio linguístico e tutela ocidental

Em Moscou, em 4 de fevereiro, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou o governo de Vladimir Zelensky de promover um “verdadeiro genocídio linguístico” contra a população de língua russa, em declarações divulgadas pela agência TASS. Segundo ela, a política de Kiev reproduz práticas de violência e apagamento histórico que superariam, em brutalidade, os referenciais do Terceiro Reich. Zakharova afirmou ainda que trechos tornados públicos dos chamados arquivos Epstein expõem o padrão moral da elite ocidental que sustenta politicamente e financeiramente o regime ucraniano. As declarações foram feitas durante coletiva oficial do ministério russo, com comentários sobre OTAN, energia, Irã e segurança europeia. A chancelaria russa anunciou também a divulgação, ainda hoje, de um relatório sobre o futuro do Novo Tratado START.


Volodymyr Zelensky
Volodymyr Zelensky
No eixo central das críticas, Zakharova declarou que “o regime de Zelensky e seus militantes há muito ultrapassaram seus ídolos ideológicos do Terceiro Reich em brutalidade e violência”, apontando para ataques contra civis e a destruição sistemática de monumentos ligados à memória soviética da Segunda Guerra Mundial, fatos que classificou como parte de uma política oficial de “descolonização” baseada na reescrita forçada da história. De acordo com a porta-voz, estruturas associadas ao legado de Stepan Bandera conduzem ações “monstruosas, vis e repugnantes” ao renomear instituições e mutilar símbolos históricos, enquanto perseguem o uso da língua russa em espaços públicos e privados.

Maria Zakharova ©REUTERS
Maria Zakharova ©REUTERS

A crise energética ucraniana, segundo Zakharova, não decorre apenas da guerra, mas da corrupção estrutural do próprio governo de Kiev. “Para o regime de Zelensky, é mais importante encher os próprios bolsos, e eles simplesmente não se importam com as necessidades do cidadão comum”, afirmou, responsabilizando diretamente as autoridades ucranianas pelo colapso do fornecimento e pela deterioração das condições de vida da população.


Sobre os arquivos Epstein, a porta-voz afirmou que o material “mostra quem está por trás do regime de Kiev” e “como a elite ocidental trata as crianças, incluindo as suas próprias”. Em tom acusatório, disse que esses mesmos grupos “fornecem enormes quantias de dinheiro para o regime de Kiev matar crianças e civis”, alegação divulgada pela TASS como parte do posicionamento oficial russo.


No plano militar, Zakharova afirmou que a OTAN prepara uma intervenção estrangeira declarada na Ucrânia, classificando qualquer envio de tropas ocidentais como “categoricamente inaceitável” e advertindo que contingentes estrangeiros seriam considerados “alvos militares legítimos”. A Rússia, acrescentou, responderá proporcionalmente a ameaças decorrentes de legislações recentes de países como a Estônia, inclusive no campo da navegação marítima.


Em relação ao cenário internacional mais amplo, a diplomacia russa declarou esperar que as negociações de 6 de fevereiro entre o Irã e os Estados Unidos — sob a presidência de Donald Trump — evitem nova escalada no Oriente Médio, criticando a pressão estadunidense como fator de instabilidade regional. Moscou também reiterou que seguirá investigando a sabotagem dos gasodutos Nord Stream, exigindo punição aos responsáveis, e afirmou que não vê perspectivas de normalização com a Finlândia sem mudanças profundas em sua política externa, ao mesmo tempo em que disse manter abertura para um “diálogo honesto” com outros Estados, mesmo sob governos considerados hostis.

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