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  • Cacique Raoni é internado novamente; liderança indígena está em UTI

    O cacique Raoni Metuktire, liderança histórica do povo Kayapó, foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, no Mato Grosso, após apresentar novo quadro de mal-estar clínico. A equipe médica informou que a internação ocorreu como medida preventiva depois de complicações relacionadas ao estado de saúde do líder indígena, de 94 anos. Raoni havia passado cinco dias internado no início de maio para tratamento de uma hérnia após sentir dores abdominais. Cacique Raoni Metuktire | ARQUIVO Segundo comunicado divulgado pelos médicos responsáveis, Raoni permanece em estado estável na UTI do Hospital Dois Pinheiros. A equipe informou que o líder indígena enfrenta “problemas adversos” relacionados ao seu quadro clínico e seguirá sob monitoramento hospitalar. O cacique retornou ao hospital na quinta-feira, 14 de maio, após apresentar novo episódio de mal-estar. No início do mês, ele já havia sido hospitalizado na mesma unidade para tratar uma hérnia abdominal. Os médicos informaram que Raoni possui histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica e utiliza marcapasso como parte do tratamento cardíaco. A decisão pela internação em Unidade de Terapia Intensiva foi apresentada como procedimento preventivo diante de sua condição clínica e idade avançada. Raoni Metuktire nasceu na aldeia de Kapot, no Mato Grosso, território localizado na região do Xingu. Integrante do povo Kayapó, cresceu em um contexto de pouco contato com não indígenas e relatou em diversas entrevistas que só teve contato com homens brancos por volta dos 20 anos de idade. A trajetória política de Raoni ganhou projeção internacional durante a década de 1970, quando passou a denunciar os impactos da ditadura militar brasileira sobre os povos indígenas e a floresta amazônica. O cacique tornou-se uma das principais vozes indígenas contra a construção da rodovia Transamazônica, obra executada pelo regime militar dentro da política de ocupação territorial da Amazônia baseada em abertura de estradas, expansão da mineração e avanço de grandes projetos agropecuários sobre territórios indígenas. Nas décadas seguintes, Raoni realizou viagens internacionais para denunciar o desmatamento, a expansão do agronegócio, os projetos de mineração e os ataques contra povos originários. O líder Kayapó participou de encontros com chefes de Estado, representantes religiosos e organismos internacionais para pressionar governos e denunciar a destruição de territórios indígenas na Amazônia. O cacique também participou da cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023. Raoni integrou o grupo de representantes da sociedade brasileira que subiu a rampa do Palácio do Planalto durante a entrega da faixa presidencial em Brasília. Nos últimos anos, Raoni voltou a denunciar a ampliação do garimpo ilegal, a violência contra povos indígenas e os impactos ambientais provocados pelo avanço de grandes empreendimentos econômicos sobre áreas da Amazônia. Durante a COP30, o líder indígena participou de debates sobre exploração de petróleo e gás na foz do Amazonas e voltou a defender proteção integral das terras indígenas e da floresta amazônica.

  • Democracia Cristã confirma Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência

    O partido Democracia Cristã lançou Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República para as eleições de 2026 após filiação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal à legenda. A decisão provocou disputa interna com Aldo Rebelo, anunciado no início do ano como nome do partido para o Palácio do Planalto e que agora ameaça recorrer à Justiça para manter sua pré-candidatura até a convenção partidária. O movimento ocorre em meio à reorganização das candidaturas de centro e direita para a eleição de 2026, marcada pela presença do presidente Lula na disputa pela reeleição e pela fragmentação de setores conservadores ligados ao bolsonarismo e ao empresariado. Joaquim Barbosa | ARQUIVO O anúncio da filiação de Joaquim Barbosa ao Democracia Cristã foi confirmado pela direção nacional do partido após divulgação inicial feita pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Em nota oficial, o presidente nacional da legenda, João Caldas, declarou que o ex-ministro do STF representa uma tentativa de “união nacional” diante da crise política e institucional no país. “Sua trajetória honra os valores republicanos e responde ao desejo de mudança da sociedade brasileira”, afirmou Caldas. “O momento exige união, propósito e desprendimento. O Brasil está acima de projetos pessoais.” A entrada de Barbosa provocou reação de Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa nos governos Dilma Rousseff e filiado ao Democracia Cristã desde 2025. Rebelo declarou à TV Globo que manterá sua pré-candidatura até a convenção partidária e admitiu a possibilidade de judicialização interna caso a direção da legenda confirme a substituição. Segundo Rebelo, a versão divulgada pela executiva nacional do partido representa apenas a posição de João Caldas e não um entendimento consolidado dentro da sigla. Ele também afirmou que Joaquim Barbosa ainda não havia se pronunciado diretamente sobre a disputa interna. Procurado pela TV Globo, o ex-ministro do STF não respondeu aos pedidos de entrevista. O Democracia Cristã havia lançado Aldo Rebelo como pré-candidato presidencial no início de 2026. A direção partidária argumenta que a troca ocorreu após desempenho considerado insuficiente nas pesquisas eleitorais e diante da necessidade de ampliar visibilidade nacional da legenda. João Caldas declarou que Barbosa ingressou no partido para disputar a Presidência da República e associou sua candidatura ao debate sobre a crise institucional entre Executivo, Legislativo e Judiciário no Brasil. “Ele se filiou ao partido para concorrer. Atualmente, vivemos no Brasil uma crise institucional entre os três poderes. Não existe ninguém melhor do que Joaquim Barbosa para resolver isso. Ele será o mensageiro que nos resgatará desse cenário”, afirmou o dirigente partidário. Joaquim Barbosa integrou o Supremo Tribunal Federal entre 2003 e 2014. Indicado pelo presidente Lula, tornou-se presidente da Corte em 2012 durante o julgamento da Ação Penal 470, conhecida como processo do mensalão. Sua atuação no caso consolidou projeção nacional em meio à ofensiva judicial e midiática que marcou a reorganização do sistema político brasileiro na década de 2010. Barbosa deixou o STF em 31 de julho de 2014 por aposentadoria antecipada, encerrando sua participação na Corte dez anos antes do prazo máximo previsto pela legislação. Caso permanecesse no cargo, poderia atuar até 2029, quando completaria 75 anos. Em 2018, o ex-ministro foi cogitado como possível candidato presidencial pelo PSB, mas desistiu da disputa meses antes das eleições. Naquele período, sua possível candidatura surgiu em meio à crise aberta após a prisão de Lula, o avanço da Operação Lava Jato e a reorganização das forças políticas que culminaria na eleição de Jair Bolsonaro. A entrada de Joaquim Barbosa no cenário eleitoral de 2026 ocorre em momento de fragmentação entre setores liberais, conservadores e grupos que buscam apresentar alternativas eleitorais ao governo Lula e ao bolsonarismo. O presidente Lula aparece como pré-candidato à reeleição pelo PT e prepara campanha centrada na defesa de programas sociais, indicadores econômicos e comparação com o governo anterior. No campo da direita, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, aparece entre os nomes ligados ao bolsonarismo para disputar o Palácio do Planalto. Também articulam candidaturas o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo. A movimentação do Democracia Cristã ocorre em meio à tentativa de pequenas legendas ampliarem espaço eleitoral num cenário de concentração partidária e disputa por financiamento público, tempo de televisão e alianças regionais para 2026.

  • França ouve depoimentos de 10 'novas' supostas vítimas de Epstein

    A Polícia Federal investiga uma estrutura financeira nos Estados Unidos ligada ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão patrimonial. A apuração concentra-se na compra de uma residência em Arlington, no Texas, avaliada em 3,6 milhões de reais, adquirida por um fundo controlado por aliados do filho de Jair Bolsonaro. Segundo a investigação, recursos destinados a uma produção cinematográfica teriam sido desviados para sustentar Eduardo Bolsonaro fora do alcance da Justiça brasileira. Jeffrey Epstein’s I ARQUIVO A investigação da Polícia Federal apura se verbas transferidas para um projeto audiovisual ligado ao ex-secretário especial da Cultura Mario Frias foram utilizadas para financiar patrimônio e despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O caso envolve transferências de 61 milhões de reais realizadas entre fevereiro e maio de 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. Segundo a investigação citada pela teleSUR com base em informações do Brasil de Fato, parte dos recursos foi direcionada ao Fundo de Desenvolvimento Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração e parceiro de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Calixto também controla a Mercury Legacy Trust, entidade responsável pela compra da residência em Arlington. A aquisição do imóvel ocorreu em fevereiro do ano anterior. Documentos da compra apontam Paulo Calixto como administrador da estrutura utilizada na transação imobiliária. A Polícia Federal busca determinar se o imóvel foi adquirido para ocultar patrimônio ligado a Eduardo Bolsonaro após medidas judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal. As investigações também envolvem André Porciúncula, ex-oficial da Polícia Militar e antigo auxiliar de Mario Frias. Segundo o relatório policial citado pela teleSUR, o nome de Porciúncula aparece nos documentos relacionados à aquisição da residência no Texas. Aliados políticos do grupo bolsonarista apontam Porciúncula como responsável pela logística e pelas atividades de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense. A Polícia Federal suspeita que a produção cinematográfica utilizada como justificativa para obtenção dos recursos funcionou como mecanismo de movimentação financeira para proteção patrimonial. O senador Flávio Bolsonaro teria participado da articulação para obtenção dos valores junto ao dono do Banco Master. Segundo o material investigativo, a alegação apresentada era de que o dinheiro financiaria um filme idealizado por Mario Frias. O caso amplia a rede de conexões financeiras e políticas entre integrantes do bolsonarismo e operadores instalados nos Estados Unidos após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro reside atualmente em território estadunidense e mantém relações com grupos da extrema-direita local, empresários e operadores ligados a campanhas internacionais da direita alinhada à política externa estadunidense. Em depoimento, Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado os recursos a Daniel Vorcaro, mas negou que os valores tenham sido usados para manter o irmão no exterior. Eduardo Bolsonaro afirmou que a investigação seria uma “farsa” e declarou que sua condição migratória nos Estados Unidos impediria o recebimento de fundos de investimento. O ex-deputado também declarou que a produção audiovisual é estadunidense para evitar “perseguição política no Brasil”. Eduardo Bolsonaro defendeu Paulo Calixto e negou irregularidades envolvendo o imóvel investigado pela Polícia Federal. André Porciúncula declarou que a residência em Arlington “não possui qualquer ligação com Eduardo Bolsonaro ou com o Banco Master”. Ele também afirmou que dados sobre o beneficiário do imóvel “não são de interesse público”. As investigações ocorrem enquanto setores do bolsonarismo mantêm operações políticas, empresariais e financeiras nos Estados Unidos após a abertura de investigações no Brasil envolvendo tentativa de golpe, financiamento de estruturas digitais e ataques às instituições eleitorais brasileiras. A permanência de aliados de Jair Bolsonaro em território estadunidense tornou-se parte da estratégia de reorganização internacional do grupo após as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal. A reportagem foi publicada pela teleSUR com base em informações do Brasil de Fato e documentos relacionados à investigação conduzida pela Polícia Federal brasileira.

  • O Irã critica o assassinato de comandante do Hamas pelo "traidor Israel"

    O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica denunciou o assassinato do comandante das Brigadas Ezzedin Al-Qassam, Ezzedin al-Haddad, durante a trégua em Gaza. O governo iraniano afirmou que a morte expôs “as falsas promessas” de Israel sobre o cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025. O ataque ocorreu na noite de sexta-feira, 16 de maio, em um bombardeio israelense contra a cidade de Gaza. Qalibaf afirmou que al-Haddad “dedicou sua vida à luta contra os ocupantes no campo de batalha ou nas prisões dos tiranos sionistas” Em comunicado divulgado neste domingo, 17 de maio, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica afirmou que “a mão criminosa do cruel regime sionista” matou Ezzedin al-Haddad, identificado como comandante-chefe das Brigadas Ezzedin Al-Qassam, braço militar do Hamas. O texto também informou que a esposa e a filha do dirigente palestino morreram no mesmo ataque. Segundo o comunicado iraniano, “o martírio dele, de sua esposa e de sua filha, em um momento em que o cessar-fogo em Gaza tinha uma aparência enganosa com falsas promessas do inimigo, expôs mais uma vez a violação dos pactos e o descumprimento das promessas pelos ocupantes”. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica declarou que a trajetória histórica de Israel é marcada por “crimes e traições” e afirmou que a morte de al-Haddad durante o período de trégua representou “outra confirmação da criminalidade sionista”. O comunicado também descreveu Israel como “o inimigo sionista traiçoeiro e lupino” e afirmou que Tel Aviv deveria compreender “que a vontade férrea do povo de Gaza é inquebrável”. A nota relaciona o assassinato às operações militares israelenses realizadas desde outubro de 2023, período em que o genocídio em Gaza já provocou dezenas de milhares de mortes palestinas, a maioria de mulheres e crianças, segundo dados citados pela HispanTV. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica declarou apoio político e militar contínuo à resistência palestina. “Reiteramos o apoio e a solidariedade inabaláveis da grande nação do Irã, especialmente do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, com esta resistência orgulhosa, poderosa e histórica, e não pouparemos esforços neste caminho sagrado”, afirmou o texto. A emissora iraniana HispanTV também reproduziu declarações do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf. Segundo ele, o assassinato de “Abu Soheib”, nome pelo qual al-Haddad era conhecido, demonstrou “a deslealdade do regime notoriamente criminoso de Israel”. Qalibaf afirmou que al-Haddad “dedicou sua vida à luta contra os ocupantes no campo de batalha ou nas prisões dos tiranos sionistas”. O dirigente iraniano também declarou que os dois filhos do comandante seguiram o mesmo caminho político e militar. O presidente do Parlamento iraniano declarou ainda que “a promessa divina é imutável” e afirmou que “com a continuação do caminho da Resistência, o destino do povo e da terra da Palestina será determinado pelos palestinos orgulhosos”. As Brigadas Ezzedin Al-Qassam confirmaram oficialmente no sábado o martírio de Ezzedin al-Haddad. O grupo palestino informou que a morte ocorreu em meio às violações diárias do cessar-fogo por parte de Israel. Segundo a HispanTV, o acordo de trégua firmado em outubro de 2025 deveria encerrar o genocídio conduzido por Israel na Faixa de Gaza. A emissora iraniana informou que a ofensiva israelense iniciada em outubro de 2023 provocou a morte de dezenas de milhares de palestinos e deslocou parte significativa da população do enclave. A publicação também citou relatórios sobre redução populacional em Gaza após meses de bombardeios, cercos, fome e destruição de infraestrutura civil. O texto relaciona as operações militares israelenses ao apoio político, financeiro e militar fornecido pelos Estados Unidos ao governo de Tel Aviv. A HispanTV destacou ainda que o assassinato de dirigentes palestinos durante negociações de cessar-fogo integra uma política israelense de assassinatos seletivos mantida ao longo das últimas décadas contra organizações da resistência palestina.

  • Katz ordena medidas para aplicar a lei da pena de morte contra prisioneiros palestinos

    O governo de Benjamin Netanyahu iniciou a aplicação de uma lei que autoriza tribunais militares israelenses a impor pena de morte contra palestinos da Cisjordânia ocupada. A medida foi colocada em prática após o ministro da Segurança israelense, Israel Katz, ordenar mudanças nas diretrizes militares para adaptar o sistema repressivo de ocupação à nova legislação aprovada pelo Knesset em março. Organizações palestinas e entidades de direitos humanos denunciam que a lei institucionaliza um sistema jurídico racializado, no qual palestinos são julgados por tribunais militares enquanto colonos israelenses ilegais permanecem submetidos à legislação civil israelense. Israel Katz | ARQUIVO Israel Katz determinou no domingo o início dos procedimentos administrativos e militares para implementação da chamada Lei de Execução de Prisioneiros. A legislação foi promovida pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, figura ligada à extrema direita israelense e defensor da ampliação das medidas repressivas contra palestinos nos territórios ocupados. Segundo o texto aprovado pelo Knesset em 30 de março, tribunais militares israelenses passam a ter autoridade formal para condenar palestinos à morte em casos envolvendo ataques que resultem na morte de israelenses. A legislação estabelece a execução como punição principal nos processos enquadrados na nova norma. Katz também ordenou que o exército israelense altere os protocolos de segurança na Cisjordânia ocupada para facilitar a execução das sentenças. A imprensa israelense classificou a medida como mudança estrutural na política de segurança israelense após os eventos de 7 de outubro de 2023 e o início do genocídio conduzido por Israel contra a população palestina em Gaza. Benjamin Netanyahu, Israel Katz e Itamar Ben-Gvir defenderam publicamente a implementação da lei e afirmaram que Israel deixaria de aplicar o que chamaram de política de “contenção” contra palestinos. A formulação utilizada pelo governo israelense aparece em meio à ampliação das operações militares na Cisjordânia ocupada, ao crescimento da violência de colonos israelenses e ao aumento das detenções administrativas sem acusação formal. A legislação aprovada pelo parlamento israelense elimina a exigência de unanimidade judicial para emissão de pena capital. O texto também transfere ao serviço penitenciário israelense a autoridade para executar as sentenças emitidas pelos tribunais militares. Segundo a lei, as execuções deverão ser realizadas em até 90 dias após confirmação judicial. O primeiro-ministro israelense poderá solicitar adiamentos em circunstâncias classificadas como especiais pela própria legislação, por período máximo de 180 dias. A aplicação da pena de morte dentro do sistema militar israelense provocou denúncias de organizações palestinas, entidades internacionais e grupos jurídicos especializados em direitos humanos. As críticas concentram-se no funcionamento dual do aparato judicial imposto por Israel nos territórios ocupados desde 1967. Palestinos da Cisjordânia são submetidos a tribunais militares israelenses, enquanto colonos israelenses instalados ilegalmente no mesmo território permanecem protegidos pelo sistema civil israelense. Organizações de direitos humanos apontam que a diferença entre os sistemas produz desigualdade processual, restrições ao direito de defesa e taxas elevadas de condenação nos tribunais militares. A medida também amplia o debate internacional sobre o tratamento imposto por Israel aos prisioneiros palestinos. Organizações palestinas afirmam que a nova legislação consolida mecanismos de punição coletiva dentro da estrutura de ocupação militar israelense e transforma a pena capital em instrumento político contra a população palestina submetida ao controle militar na Cisjordânia. Desde o início do genocídio em Gaza, autoridades israelenses ampliaram operações militares, detenções em massa e restrições de circulação em cidades e campos de refugiados palestinos na Cisjordânia ocupada. O endurecimento das políticas repressivas também ocorreu em paralelo à expansão de assentamentos israelenses considerados ilegais pelo direito internacional e por resoluções das Nações Unidas. A implementação da Lei de Execução de Prisioneiros ocorre no momento em que Israel enfrenta processos e investigações internacionais relacionados à condução das operações militares em Gaza e às denúncias de violações sistemáticas contra palestinos nos territórios ocupados.

  • Manteremos firme nosso apoio ao Irã, Líbano e Palestina

    O líder do movimento Ansar Allah no Iêmen declarou apoio ao Irã, ao Líbano e à resistência palestina após o assassinato de um comandante das Brigadas Ezzedin Al-Qassam em Gaza. Seyed Abdulmalik al-Houthi acusou Israel de manter operações de assassinato, cerco e ataques contra palestinos em meio ao genocídio na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. A declaração foi divulgada pela emissora iraniana HispanTV neste domingo, 17 de maio. Abdulmalik-al-Houthi |Globe Eye News Seyed Abdulmalik al-Houthi afirmou que o Iêmen manterá sua posição “ao lado do povo oprimido de Gaza, do restante do povo palestino oprimido e do restante de nossa nação islâmica no Líbano, Irã e em outros lugares”. A fala ocorreu após a morte de Ezzedin al-Haddad, comandante das Brigadas Ezzedin Al-Qassam, braço militar do Hamas, assassinado por Israel na Faixa de Gaza no sábado, segundo a HispanTV. O líder de Ansar Allah apresentou condolências à família de al-Haddad e classificou o episódio como “um crime hediondo e brutal cometido pelo inimigo sionista na Faixa de Gaza”. Na declaração reproduzida pela emissora iraniana, ele afirmou que o assassinato integra “uma série de crimes sionistas” realizados contra palestinos desde o início do genocídio em Gaza. Al-Houthi citou operações militares israelenses, cercos, assassinatos e ações contra a Cisjordânia e a Mesquita de Al-Aqsa. Segundo ele, “campanhas para profanar a Mesquita de Al-Aqsa” também fazem parte da ofensiva conduzida por Israel contra os palestinos. A declaração ocorre em meio à escalada regional envolvendo Irã, Iêmen, Líbano e Palestina diante das operações militares israelenses apoiadas pelo aparato político, militar e diplomático estadunidense. A HispanTV informou que o Iêmen considera que a continuidade das ações militares conjuntas entre Estados Unidos e Israel contra o Irã pode provocar uma ampliação regional do confronto. Seyed Abdulmalik al-Houthi declarou que “esses grandes sacrifícios apenas aumentam a força, a vontade, a paciência e a continuidade da jihad das Brigadas al-Qassam e de outros grupos da Resistência”. Ele também afirmou que combatentes do chamado Eixo da Resistência mantêm operações contra “os inimigos de Deus”. O dirigente iemenita declarou ainda acreditar em uma derrota israelense no processo em curso. “Nossa confiança na vitória de Deus contra este ataque sionista à nação islâmica é muito alta”, afirmou. A HispanTV relacionou a posição do Iêmen à atuação militar conduzida por Ansar Allah no Mar Vermelho desde o início do genocídio em Gaza, em outubro de 2023. O movimento passou a lançar mísseis e drones contra alvos israelenses e navios militares estadunidenses em solidariedade aos palestinos e ao Irã. O texto publicado pela emissora iraniana também menciona ameaças iemenitas de fechamento do estreito de Bab el-Mandeb em apoio ao Irã. A passagem marítima conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra uma das principais rotas comerciais de energia e mercadorias do planeta. O estreito é apontado ao lado de Ormuz como eixo estratégico para circulação internacional de petróleo e cargas marítimas. Segundo a HispanTV, a aproximação política e militar entre Iêmen, Palestina, Líbano e Irã ocorre em resposta às ações israelenses e à presença militar estadunidense na região. A emissora descreve o alinhamento entre esses grupos como parte de uma estratégia comum “contra a ocupação e a agressão israelense-americana”. O texto também afirma que as pressões militares e políticas conduzidas por Israel e pelos Estados Unidos não produziram enfraquecimento das organizações armadas alinhadas ao Eixo da Resistência. De acordo com a publicação, os movimentos envolvidos avaliam que os ataques contribuíram para ampliar “a coesão, a resiliência e a continuidade do percurso de resistência contra as políticas de ocupação”. A HispanTV destacou ainda episódios recentes envolvendo o Iêmen, incluindo a derrubada de um drone MQ-9 Reaper dos Estados Unidos em Marib e declarações sobre eventual ampliação das operações militares no Mar Vermelho. A emissora também publicou análises relacionando a atuação militar do Iêmen ao avanço da crise regional após operações israelenses em Gaza e ataques contra o Irã.

  • Estudantes da USP, Unicamp e Unesp ampliam greve por permanência estudantil

    Estudantes da USP, Unicamp e Unesp ampliaram a greve iniciada há mais de um mês contra cortes, terceirização e crise de permanência estudantil nas universidades públicas paulistas. A mobilização convocou uma marcha para 20 de maio até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de Tarcísio de Freitas, para exigir ampliação do financiamento público e denunciar o avanço da precarização da educação estadual. O movimento também reagiu à repressão policial na USP e a projetos apresentados por parlamentares ligados ao MBL para punir estudantes envolvidos em ocupações universitárias. Greve nas Universidades ©ARQUIVO A paralisação começou na Universidade de São Paulo e se expandiu para a Universidade Estadual de Campinas e para unidades da Universidade Estadual Paulista. As reivindicações centrais envolvem moradia estudantil, reajuste de bolsas de permanência, contratação de funcionários concursados, financiamento das universidades e combate à terceirização de serviços internos. Na capital paulista, os estudantes organizam uma marcha para quarta-feira, 20 de maio, com concentração na Cidade Universitária da USP e caminhada até o Palácio dos Bandeirantes. O objetivo é pressionar o governo estadual e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, o Cruesp, por aumento de investimentos e revisão da política orçamentária aplicada às três instituições. Em entrevista ao Brasil de Fato, Pedro Chiquitti, estudante de História e diretor do Diretório Central dos Estudantes da USP, afirmou que a reitoria manteve postura unilateral durante as negociações abertas após o início da greve. “Apesar de duas mesas de negociação, as decisões da reitoria têm sido bastante unilaterais”, declarou. O impasse na USP se agravou após a operação da Polícia Militar realizada em 10 de maio para desocupar o prédio da reitoria. A ação terminou com quatro estudantes detidos e manifestantes feridos. Segundo Chiquitti, a administração da universidade permaneceu quinze dias sem responder formalmente aos pedidos apresentados pela assessoria jurídica dos estudantes. “Até hoje, estamos há 15 dias sem nenhum tipo de comunicado da reitoria, mesmo tendo solicitado via assessoria jurídica e apelado para todos os meios formais”, afirmou. Após pressão de docentes que assinaram cartas de apoio à greve, a USP anunciou em 13 de maio a criação de uma Comissão de Resolução de Conflitos para retomar negociações. O movimento estudantil declarou desconfiança sobre a medida e relacionou a iniciativa ao desgaste provocado pela operação policial e pela repercussão pública das detenções. Os estudantes também denunciam ofensivas legislativas articuladas por deputados estaduais ligados ao Movimento Brasil Livre. O projeto apresentado prevê expulsão ou impedimento de matrícula para estudantes que participarem de ocupações em instituições públicas de ensino superior. Na Unicamp, ao menos 20 cursos aderiram à greve. Entre os cursos paralisados estão História, Ciências Sociais, Filosofia, Artes Cênicas e setores das áreas de Saúde e Exatas. O movimento se concentra no campus de Barão Geraldo, em Campinas, onde estudantes denunciam superlotação da moradia universitária, problemas de manutenção e congelamento dos auxílios estudantis diante do aumento do custo de vida. Segundo o comando de greve da universidade, a situação da moradia estudantil se tornou um dos principais fatores de adesão à paralisação. Os estudantes também criticam a substituição de trabalhadores concursados por empresas terceirizadas em setores como limpeza e Restaurante Universitário. O movimento exige abertura de concursos públicos, ampliação das bolsas de auxílio-permanência e revisão das políticas de terceirização. Os estudantes afirmam que o modelo adotado pela administração transfere recursos públicos para empresas privadas e altera as condições de trabalho dentro da universidade. A reitoria da Unicamp informou ao Brasil de Fato que não possui “balanço oficial” sobre os cursos paralisados, mas declarou que as atividades administrativas e de pesquisa seguem em funcionamento. A administração central também informou que haverá reunião em 18 de maio entre representantes da reitoria e lideranças estudantis. A universidade anunciou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados em Barão Geraldo por R$ 20 milhões para expansão do programa de moradia estudantil. Segundo a reitoria, o projeto representa a maior ampliação da estrutura habitacional universitária da história da instituição. Na Unesp, a greve atingiu campi de Bauru, Marília e o Instituto de Artes, na capital paulista. Os estudantes denunciam insuficiência dos auxílios estudantis diante do custo de vida nas cidades universitárias e relacionam o problema à política de financiamento aplicada pelo governo estadual. Em Bauru, cursos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design e da Faculdade de Ciências interromperam atividades. Os estudantes afirmam que o valor do auxílio-aluguel não cobre despesas básicas de moradia, levando alunos a abandonar a graduação. Em Marília, assembleias da Faculdade de Filosofia e Ciências passaram a discutir o impacto de cortes orçamentários sobre pesquisa e extensão universitária. No Instituto de Artes da Unesp, estudantes e parte dos docentes cobram reformas estruturais no prédio, denunciando infiltrações e ausência de equipamentos para aulas práticas. Os comandos de greve das três universidades passaram a atuar de forma unificada para pressionar o Cruesp e reivindicar revisão do modelo de repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, principal fonte de financiamento das universidades estaduais paulistas. O movimento afirma que a expansão de vagas nas últimas décadas ocorreu sem aumento proporcional dos investimentos em permanência estudantil e infraestrutura. Pedro Chiquitti afirmou ao Brasil de Fato que a greve assumiu dimensão política diante da política orçamentária do governo paulista. “A greve toma contornos políticos na luta por orçamento e de enfrentamento direto ao processo de precarização levado a cabo pelo governo do estado”, declarou. A Unesp informou que destinou R$ 110,7 milhões em 2026 para políticas de permanência estudantil. Segundo a universidade, 7.746 estudantes receberam algum tipo de auxílio em 2025, número correspondente a mais de 20% dos graduandos da instituição. A universidade declarou que 17 unidades possuem restaurantes universitários e reconheceu a necessidade de ampliar recursos diante da repactuação tributária relacionada ao ICMS. A administração também informou que o orçamento de 2026 foi elaborado com déficit de R$ 189 milhões, coberto por superávit financeiro, com despesas previstas em R$ 4,98 bilhões e receitas de R$ 4,79 bilhões. A reitoria da USP limitou-se a informar que seus posicionamentos estão registrados em notas oficiais publicadas no portal institucional. A universidade declarou que não faria novas manifestações sobre a greve. Em comunicados divulgados após a operação policial de 10 de maio, a USP justificou a reintegração de posse da reitoria alegando necessidade de “garantir o livre acesso de pessoas ao edifício”. A administração também anunciou a criação de uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional para discutir reivindicações estudantis e tratar da “normalização da vida acadêmica”. Em 14 de maio, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas divulgou nota pública “em defesa do pluralismo, diversidade de opiniões e do espírito democrático e republicano”. O documento repudiou episódios de violência registrados durante as mobilizações, mas não mencionou diretamente a atuação da Polícia Militar na operação realizada dentro da USP.

  • França se prepara para deportar o ativista palestino Ramy Shaath

    O ativista palestino Ramy Shaath afirmou que o governo francês tenta deportá-lo por causa de sua atuação pública em defesa da Palestina e de declarações políticas sobre o genocídio em Gaza. Shaath recebeu em 18 de maio uma notificação oficial da prefeitura de Nanterre informando que as autoridades pretendem expulsá-lo do território francês sob a alegação de “ameaça à ordem pública”. Segundo sua advogada, Damia Tahraoui, o processo não contém qualquer condenação criminal e se apoia exclusivamente em discursos, manifestações e posições políticas públicas. Ramy Shaath | ARQUIVO Shaath declarou ao The New Arab que compareceu à prefeitura de Nanterre, onde vive com a esposa francesa e a filha desde 2022, acreditando que receberia finalmente sua autorização de residência após mais de dois anos de atrasos administrativos. Em vez disso, saiu do local com uma notificação de deportação emitida pelas autoridades francesas. Ele afirmou que o processo representa uma mudança deliberada de uma disputa migratória para uma tentativa de expulsão política. “Todo o caso se baseia no fato de eu participar de manifestações e expressar minhas opiniões políticas em palestras e conferências. Não me acusam de violência, incitação à violência ou antissemitismo, porque não fiz nada disso. Então, como me tornei uma ameaça à segurança da França?”, declarou. O documento apresentado a Shaath menciona suas falas em eventos públicos, sua rejeição à solução de dois Estados e sua defesa de um “Estado palestino democrático do rio ao mar”. Segundo o ativista, as autoridades francesas transformaram posições políticas em justificativa administrativa para deportação. “Eu disse que a solução de dois Estados foi um engano usado durante 30 anos para colonizar nosso país, e direi isso novamente amanhã. Onde está o crime nisso?”, afirmou. Shaath acusou o Estado francês de tratar a identidade palestina como ameaça política desde o início do genocídio em Gaza, iniciado em outubro de 2023. Segundo ele, o processo faz parte de uma ofensiva contra organizações e movimentos de solidariedade à Palestina em território francês. O ativista informou que o caso será analisado em 21 de maio pela comissão regional de deportação de Nanterre, órgão consultivo que emitirá parecer antes da decisão administrativa final. Ele ressaltou, porém, que o governo francês não possui obrigação legal de seguir a recomendação da comissão. “A comissão poderia rejeitar a deportação, e então as autoridades poderiam vir no dia seguinte para me deportar e emitir outra decisão”, declarou. Em entrevista ao The New Arab, Shaath descreveu o dossiê de segurança anexado ao processo como “repleto de racismo e linguagem israelense”. Segundo ele, o documento reúne informações sobre suas relações com organizações pró-Palestina na França, sua participação na fundação do movimento “Urgence Palestine” e sua presença em seminários, manifestações e atividades públicas autorizadas pelas próprias autoridades francesas. “Uma parte do documento diz que eu estava usando roupas militares e agindo como um general durante um seminário, quando na verdade eu estava de suéter e calça jeans e explicando a história da Palestina em um evento cultural. Devo processar a empresa onde comprei as roupas porque elas estão me causando problemas?”, declarou. Shaath também acusou as autoridades francesas de utilizarem denúncias produzidas por organizações sionistas atuantes na França. Segundo ele, alguns trechos do processo administrativo reproduzem literalmente campanhas lançadas contra sua atuação política. O ativista afirmou ainda que o dossiê menciona contatos realizados com instituições culturais e intelectuais palestinas em outros países, o que classificou como monitoramento de segurança sem base legal. O caso ocorre após uma investigação aberta em 2024 por suposta “apologia ao terrorismo”. Na ocasião, Laurent Nunez, então chefe da polícia de Paris e atual ministro do Interior francês, acusou Shaath de “cruzar a linha vermelha” durante uma manifestação em apoio ao povo palestino realizada em novembro de 2023. Nunez alegou que o ativista afirmou que “o verdadeiro terrorismo é Israel”, interpretando a declaração como defesa do Hamas. Os tribunais franceses encerraram o caso em junho de 2025 por ausência de provas suficientes, segundo os advogados de Shaath. O ativista declarou que, após não conseguirem produzir acusações criminais, as autoridades recorreram a instrumentos administrativos para restringir sua permanência no país. Shaath afirmou que a França não poderia deportá-lo ao Egito, país que revogou sua cidadania após sua libertação das prisões egípcias em 2022, nem aos territórios palestinos submetidos ao genocídio conduzido por Israel contra Gaza. Segundo ele, o cenário mais provável é sua permanência na França sem direitos legais. “O verdadeiro perigo é me manter em uma situação frágil, sem residência, sem o direito de trabalhar ou viajar, e sob ameaça permanente de prisão domiciliar e processo administrativo”, afirmou. O ativista relatou que as medidas administrativas começaram ainda em 2023, quando as autoridades passaram a bloquear a renovação de sua autorização de residência. Segundo Shaath, isso provocou suspensão de contrato de trabalho, encerramento de conta bancária e bloqueio de cobertura de saúde, mesmo após ele ter sido submetido a duas cirurgias cardíacas. “Um dia fui comprar meus remédios e me disseram que meu cartão de saúde havia sido suspenso porque minha residência não havia sido renovada”, declarou. Ele afirmou que as medidas também atingem sua família, composta por esposa e filha francesas, acusando as autoridades de ignorarem deliberadamente sua situação familiar. “As autoridades agem como se minha esposa e filha não existissem”, disse. Damia Tahraoui confirmou ao The New Arab que o processo administrativo contra Shaath se baseia exclusivamente em declarações públicas e posições políticas relacionadas à Palestina. Segundo ela, os serviços de segurança franceses recomendaram inclusive a imposição de prisão domiciliar, com obrigação de comparecimento diário a uma delegacia. A advogada destacou que a participação de Shaath na fundação da organização “Urgence Palestine”, o uso do slogan “do rio ao mar” e suas críticas à solução de dois Estados aparecem entre os principais elementos utilizados pelas autoridades para justificar a deportação. O caso produz constrangimento político para o governo de Emmanuel Macron. Shaath chegou à França em 2022 após campanha diplomática conduzida com participação francesa para obter sua libertação das prisões egípcias. Na época, Macron publicou mensagem na plataforma X celebrando sua chegada a Paris. “Saúdo a decisão das autoridades egípcias de libertar Ramy Shaath. Compartilho com sua esposa, Celine Lebrun, o alívio de reencontrá-lo na França. Não abandonamos essa causa. Agradeço a todos que desempenharam um papel positivo neste final feliz”, escreveu Macron no início de 2022. Ao comentar a mudança de posição do governo francês após o início do genocídio em Gaza, Shaath afirmou: “Tudo mudou desde o início da guerra em Gaza. A França, que me acolheu em nome dos direitos humanos, hoje, na minha opinião, criminaliza todo discurso palestino que não se alinha com a narrativa israelense.”

  • Executivo chileno é preso no Brasil por racismo e homofobia em voo da Latam

    A Polícia Federal prendeu o executivo chileno Germán Naranjo Maldini no Aeroporto Internacional de Guarulhos após acusações de injúria racial e homofobia contra tripulantes de um voo da Latam. O caso ocorreu em 10 de maio durante o voo LA8070, que fazia a rota São Paulo-Frankfurt com escala em Santiago. Vídeos gravados por passageiros registraram insultos racistas, ataques homofóbicos e a tentativa do empresário de abrir a porta da aeronave durante o trajeto. Germán Naranjo Maldini, Aeroporto Internacional de Guarulhos A prisão ocorreu em 15 de maio, quando Maldini retornava da Europa ao Chile com escala no Brasil. A Polícia Federal informou que o executivo passou a ser monitorado após as denúncias apresentadas pelas vítimas na Delegacia da PF em Guarulhos. Com base nos vídeos, depoimentos e registros do voo, a corporação solicitou à Justiça Federal a prisão preventiva do empresário chileno. Segundo a investigação, Germán Naranjo Maldini, gerente da empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha Landes, tentou abrir uma das portas da aeronave durante o voo internacional da Latam. Após ser contido por comissários de bordo, iniciou uma sequência de agressões verbais contra trabalhadores da tripulação. As imagens registradas por outro passageiro mostram Maldini afirmando que ser gay “é um problema”. Em outro momento, chama um comissário de “macaco”, declara que “macacos ficam nas árvores” e faz sons imitando o animal. O vídeo também registra frases como “pele negra”, “cheiro de negro brasileiro” e “cheiro de brasileiro”. Quando uma comissária pede que ele se acalme, o empresário responde: “Uh, que medo”. O caso expõe mais um episódio de violência racial contra trabalhadores latino-americanos em espaços controlados por grandes corporações do transporte aéreo internacional. O ataque ocorreu dentro de uma aeronave da Latam, companhia criada a partir da fusão entre a chilena LAN e a brasileira TAM, hoje uma das maiores operadoras aéreas da América Latina. Após o pouso em Guarulhos, integrantes da tripulação registraram ocorrência junto à Polícia Federal. A corporação então utilizou sistemas de inteligência migratória para localizar Maldini durante o retorno ao Chile. A interceptação ocorreu no momento da conexão em território brasileiro. Ainda em 15 de maio, o executivo participou de audiência de custódia e foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. Até a publicação da reportagem, ele permanecia preso à disposição da Justiça Federal. A Latam divulgou nota afirmando condenar “energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”. A empresa informou que oferece apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário alvo das agressões. A empresa chilena Landes declarou que a conduta do executivo seria “absolutamente incompatível” com os valores corporativos e com sua Política de Não Discriminação. A companhia afirmou ter tomado conhecimento da prisão pela imprensa e comunicou aos funcionários o afastamento “formal e preventivo” de Maldini enquanto realiza apuração interna. A legislação brasileira passou por alteração em 2023, quando a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo. A mudança tornou o crime imprescritível e inafiançável na esfera policial, com penas previstas entre dois e cinco anos de prisão, além de multa. No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal definiu que insultos homofóbicos também podem resultar em pena de prisão. O episódio ocorre meses após outro caso envolvendo estrangeiros acusados de racismo no Brasil. A advogada argentina Agostina Páez foi processada após fazer gestos imitando um macaco contra funcionários de um bar no Rio de Janeiro. Ela permaneceu três meses em prisão domiciliar antes de receber autorização judicial para deixar o país mediante pagamento de fiança de cerca de US$ 20 mil. As informações foram publicadas pelo Jornal GGN com base em dados da Polícia Federal, imagens gravadas por passageiros e reportagens de O Globo e Bio Bio Chile.

  • OMS declara surto de Ebola na RD Congo emergência de saúde global

    A Organização Mundial da Saúde declarou emergência global de saúde após surto de Ebola na República Democrática do Congo. A província de Ituri registra 246 notificações e 80 mortes associadas ao vírus da cepa Bundibugyo. Uganda confirma dois casos ligados à circulação transfronteiriça do vírus, com uma morte. República Democrática do Congo vive maior surto de ebola - @Arquivo A decisão da OMS ocorre após confirmação de casos em Uganda, país vizinho da República Democrática do Congo, com dois registros laboratoriais e um óbito. O vírus identificado pertence à cepa Bundibugyo, sem vacina ou tratamento antiviral específico disponível, segundo a organização. A agência da ONU informou que a avaliação considerou risco de propagação internacional e impacto sobre fluxos de deslocamento entre países da região. Em Ituri, autoridades de saúde registram 246 notificações de casos suspeitos e oito confirmações laboratoriais, com 80 mortes reportadas. A OMS descreve sintomas como febre, dores musculares, fadiga, dor de cabeça, dor de garganta, vômitos, diarreia, erupções cutâneas e hemorragias. A organização indica ausência de terapias ou vacinas aprovadas para a cepa Bundibugyo, com diferença em relação ao vírus Ebola-Zaire. A agência relata agrupamentos de óbitos em comunidades de Ituri com sintomas compatíveis com o vírus, além de registros em Kivu do Norte. Profissionais de saúde constam entre os mortos, com pelo menos quatro óbitos confirmados na linha de resposta sanitária, segundo autoridades locais citadas pela OMS. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que o país notificou o surto com “compromisso e franqueza”, permitindo medidas internacionais de resposta. A organização vincula a declaração de emergência à análise de risco de disseminação e à interferência em deslocamentos entre fronteiras. A OMS estabelece diretrizes de resposta que incluem rastreamento de contatos, isolamento de casos, reforço de vigilância epidemiológica e controle de infecção em unidades de saúde. O protocolo inclui triagem em fronteiras, manejo clínico de pacientes e sepultamentos com protocolos de biossegurança para redução de transmissão. O transporte transfronteiriço de restos mortais de casos suspeitos, prováveis ou confirmados entra em restrição sob normas internacionais de biossegurança, conforme orientação da OMS. Países que identificam casos suspeitos ou óbitos sem explicação recebem instrução para ativação de estruturas de emergência em até 24 horas, com investigação, isolamento e monitoramento de contatos. O surto se relaciona ao vírus identificado em meados da década de 1970 na República Democrática do Congo, associado a reservatórios animais como morcegos. Entre 2018 e 2020, surtos nas províncias de Kivu do Norte e Ituri registraram mais de 2,3 mil mortes, segundo dados da própria OMS. A agência da ONU News registra envio de técnicos e materiais para resposta sanitária na região de Ituri. O contexto inclui circulação transfronteiriça de pessoas entre República Democrática do Congo e Uganda, com registro de casos e óbitos em ambos os lados da fronteira.

  • Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em pesquisa após escândalo sobre o financiamento do filme “Dark Horse”

    O instituto Datafolha divulgou neste sábado (16) pesquisa que aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 38% das intenções de voto para a eleição presidencial de 2026, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. O levantamento foi realizado antes da maior parte da repercussão das revelações publicadas pelo Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, projeto ligado à família Bolsonaro que recebeu R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. No segundo turno, Lula e Flávio aparecem com 45% cada, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 13 de maio com 2.004 entrevistados em todo o país. O nível de confiança é de 95%, e o registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-00290/2026. O levantamento foi divulgado pela Folha de S.Paulo no mesmo momento em que o entorno bolsonarista enfrenta desgaste provocado pela divulgação de áudios e contratos relacionados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, figura central da extrema direita brasileira e aliado histórico da política externa estadunidense na América Latina. Segundo o Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro procurou o banqueiro Daniel Vorcaro para solicitar recursos destinados à produção de “Dark Horse”, obra cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. A reportagem afirma que Vorcaro destinou R$ 61 milhões ao projeto. Flávio nega irregularidades. O caso tornou-se público na quarta-feira (13) e passou a ocupar espaço na disputa eleitoral, principalmente porque Eduardo Bolsonaro aparece em documentos do projeto como produtor-executivo responsável pela captação de recursos. Mesmo sob repercussão do caso, os números do primeiro turno permaneceram próximos aos do levantamento anterior. Em abril, Lula registrava 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha os mesmos 35% atuais. A estabilidade indica manutenção da polarização que domina o cenário político brasileiro desde 2018, período marcado pela reorganização da extrema direita em torno do bolsonarismo, da militarização do discurso político e do alinhamento com interesses estadunidenses na política regional. No primeiro cenário apresentado pelo Datafolha, Romeu Zema, do Novo, aparece com 3%, mesmo percentual atribuído a Ronaldo Caiado, do PSD. Renan Santos, da Missão, soma 2%. Nenhum dos demais nomes rompe o isolamento entre Lula e Flávio Bolsonaro. O levantamento reforça a dificuldade histórica da chamada “terceira via” em romper a concentração eleitoral entre PT e bolsonarismo, fenômeno observado em disputas anteriores desde a crise institucional de 2016. Em um segundo cenário, com a inclusão de Ciro Gomes, do MDB, Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 34%. Ciro registra 5%, enquanto Zema alcança 4%, Caiado fica com 2% e Renan Santos mantém 2%. A fragmentação das candidaturas fora dos dois principais polos mantém reduzido o espaço eleitoral para alternativas que tentam se apresentar como independentes tanto do lulismo quanto do bolsonarismo. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem lista prévia de candidatos, Lula lidera com 27%. Flávio Bolsonaro registra 18%, seguido por Jair Bolsonaro, declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, com 3%. Ronaldo Caiado soma 1%. O dado que mais chama atenção nesse cenário é o índice de 39% de entrevistados que afirmaram não saber em quem votar. O levantamento também mediu rejeição dos pré-candidatos. Lula aparece com 47% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%. Ciro Gomes tem 20%; Romeu Zema, 15%; Cabo Daciolo, 14%; Ronaldo Caiado, 13%; e Rui Costa Pimenta, do PCO, 12%. A divulgação da pesquisa ocorre em meio à ampliação da crise envolvendo o filme “Dark Horse”. Na sexta-feira (15), durante evento em Campinas para lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite, do PP, homens foram retirados por seguranças após criticarem Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Em outro episódio ligado à produção cinematográfica, um ator registrou boletim de ocorrência alegando ter sido agredido durante gravações realizadas no Memorial da América Latina, em São Paulo. Segundo o documento, ele teria recebido socos durante discussão com um segurança no local. Também nesta semana, Eduardo Bolsonaro declarou ter recebido US$ 50 mil em reembolso ligados ao filme e afirmou que os recursos não passaram por fundo financeiro. O parlamentar confirmou participação na produção como produtor-executivo, função que incluía captação de recursos, conforme documentos divulgados pelo Intercept Brasil.

  • Irã insta à reforma do Conselho de Segurança para garantir a sobrevivência da ONU

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou em Nova Délhi que o Conselho de Segurança da ONU fracassou diante da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Durante reunião ministerial do BRICS realizada na quinta-feira, 14 de maio de 2026, o chanceler iraniano declarou que a estrutura internacional criada após a Segunda Guerra Mundial deixou de responder às disputas do século XXI e passou a operar sob lógica unilateral comandada por potências ocidentais. Araghchi acusou Washington de empurrar a ordem internacional “à beira do colapso” por meio de guerras unilaterais, sanções e ataques contra civis e infraestrutura iraniana. Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi A declaração foi apresentada na segunda reunião de ministros das Relações Exteriores do BRICS, realizada na capital indiana sob o tema “Reconstruindo a ordem mundial: a necessidade de reformar a governança internacional e revitalizar o multilateralismo”. Seyed Abbas Araghchi afirmou que o sistema internacional atravessa uma fase de “instabilidade estrutural e profunda crise de confiança” e declarou que os mecanismos estabelecidos após 1945 já não representam a distribuição real de poder no cenário global. Segundo o ministro iraniano, as instituições multilaterais passaram a servir à preservação da hegemonia das potências ocidentais sob cobertura do direito internacional. “Muitas instituições internacionais já não representam o verdadeiro multilateralismo, mas uma tentativa de preservar o unilateralismo sob o disfarce do direito internacional”, afirmou. Araghchi declarou que a diferença entre as potências emergentes e os centros tradicionais de decisão internacional ampliou desigualdades econômicas e políticas. O chanceler afirmou que essa estrutura concentra riqueza, capacidade militar e influência diplomática em países que utilizam organismos multilaterais para legitimar sanções, intervenções militares e ocupações. O ministro iraniano denunciou o uso de sanções unilaterais como instrumento de “guerra econômica” contra países independentes e afirmou que essas medidas atingem diretamente o acesso da população à saúde, alimentação e desenvolvimento econômico. “Essa abordagem baseada unicamente no poder não só deixa de garantir a paz, como é a principal causa de tensões regionais e globais”, declarou. Durante o encontro do BRICS, Seyed Abbas Araghchi defendeu a criação de mecanismos financeiros independentes dentro do bloco para reduzir a dependência do sistema financeiro controlado pelos Estados Unidos e seus aliados europeus. Segundo o chanceler, o objetivo é construir instrumentos capazes de proteger a soberania econômica dos países-membros diante das sanções impostas por Washington. O ministro iraniano também acusou a Organização das Nações Unidas de falhar na aplicação do princípio de proibição do uso da força previsto na Carta da ONU. Araghchi declarou que as guerras conduzidas pelos Estados Unidos empurraram o sistema internacional “à beira do colapso” e afirmou que o cenário atual marca “o retorno a uma era de guerras intermináveis, violência aberta e unilateralismo extremo”. Sem citar apenas operações militares recentes, o chanceler relacionou o comportamento estadunidense ao histórico de intervenções militares promovidas por Washington no Oriente Médio, na Ásia e na África desde o fim da Guerra Fria. O governo iraniano sustenta que o modelo de intervenção militar estadunidense produziu destruição estatal, deslocamentos populacionais e expansão de bases militares sob justificativa de “segurança internacional”. Araghchi acusou potências ocidentais de utilizar o direito internacional humanitário e a Carta das Nações Unidas para justificar ocupações militares e ataques contra populações civis. A declaração ocorre em meio ao genocídio conduzido por Israel contra palestinos em Gaza e à escalada militar entre Teerã, Washington e Tel Aviv após operações envolvendo instalações iranianas. O chanceler criticou o silêncio do Conselho de Segurança diante dos ataques estadunidenses e israelenses contra território iraniano e denunciou a morte de civis durante bombardeios contra infraestrutura não militar. Segundo Seyed Abbas Araghchi, refinarias, complexos petroquímicos, pontes, ferrovias, estádios, centros culturais e instalações energéticas foram atingidos durante as operações militares. O ministro mencionou um ataque contra uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irã. Segundo o governo iraniano, 168 pessoas morreram durante o bombardeio, entre elas estudantes atingidas em horário de aula. Autoridades iranianas classificaram o episódio como massacre e acusaram Estados Unidos e Israel de conduzirem operações contra infraestrutura civil. “A defesa do Irã é a defesa de um princípio universal: que a segurança de nenhum país deve ser construída sobre as ruínas de casas, escolas e infraestruturas vitais de outra nação”, declarou Araghchi durante a reunião ministerial. O chanceler afirmou que o silêncio diante desses ataques pode expandir ciclos de violência para outras regiões do planeta e pediu que governos e organismos internacionais condenem operações militares contra civis e instalações não militares em território iraniano. Seyed Abbas Araghchi também pediu o abandono dos “duplos padrões” adotados pelas potências ocidentais diante das mortes provocadas por ataques militares. “A vida de uma criança em Minab vale tanto quanto a de uma criança em qualquer outra parte do mundo”, afirmou. Ao tratar da estrutura das Nações Unidas, o ministro declarou que a reforma do Conselho de Segurança deixou de ser debate diplomático e passou a representar questão de sobrevivência institucional para a própria ONU. “A reforma do Conselho de Segurança não é uma opção, mas uma necessidade para a sobrevivência da ONU”, afirmou. O chanceler iraniano encerrou sua intervenção afirmando que o BRICS possui capacidade para atuar como “coluna vertebral de um verdadeiro multilateralismo”. Segundo Araghchi, o bloco não deve operar como aliança de confrontação militar, mas como mecanismo político e econômico baseado em respeito mútuo e benefício compartilhado entre países do Sul Global.

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