top of page
  • LOGO CLD_00000

Irã insta à reforma do Conselho de Segurança para garantir a sobrevivência da ONU

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou em Nova Délhi que o Conselho de Segurança da ONU fracassou diante da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Durante reunião ministerial do BRICS realizada na quinta-feira, 14 de maio de 2026, o chanceler iraniano declarou que a estrutura internacional criada após a Segunda Guerra Mundial deixou de responder às disputas do século XXI e passou a operar sob lógica unilateral comandada por potências ocidentais. Araghchi acusou Washington de empurrar a ordem internacional “à beira do colapso” por meio de guerras unilaterais, sanções e ataques contra civis e infraestrutura iraniana.


Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi

A declaração foi apresentada na segunda reunião de ministros das Relações Exteriores do BRICS, realizada na capital indiana sob o tema “Reconstruindo a ordem mundial: a necessidade de reformar a governança internacional e revitalizar o multilateralismo”. Seyed Abbas Araghchi afirmou que o sistema internacional atravessa uma fase de “instabilidade estrutural e profunda crise de confiança” e declarou que os mecanismos estabelecidos após 1945 já não representam a distribuição real de poder no cenário global.


Segundo o ministro iraniano, as instituições multilaterais passaram a servir à preservação da hegemonia das potências ocidentais sob cobertura do direito internacional. “Muitas instituições internacionais já não representam o verdadeiro multilateralismo, mas uma tentativa de preservar o unilateralismo sob o disfarce do direito internacional”, afirmou.

Araghchi declarou que a diferença entre as potências emergentes e os centros tradicionais de decisão internacional ampliou desigualdades econômicas e políticas. O chanceler afirmou que essa estrutura concentra riqueza, capacidade militar e influência diplomática em países que utilizam organismos multilaterais para legitimar sanções, intervenções militares e ocupações.


O ministro iraniano denunciou o uso de sanções unilaterais como instrumento de “guerra econômica” contra países independentes e afirmou que essas medidas atingem diretamente o acesso da população à saúde, alimentação e desenvolvimento econômico. “Essa abordagem baseada unicamente no poder não só deixa de garantir a paz, como é a principal causa de tensões regionais e globais”, declarou.


Durante o encontro do BRICS, Seyed Abbas Araghchi defendeu a criação de mecanismos financeiros independentes dentro do bloco para reduzir a dependência do sistema financeiro controlado pelos Estados Unidos e seus aliados europeus. Segundo o chanceler, o objetivo é construir instrumentos capazes de proteger a soberania econômica dos países-membros diante das sanções impostas por Washington.


O ministro iraniano também acusou a Organização das Nações Unidas de falhar na aplicação do princípio de proibição do uso da força previsto na Carta da ONU. Araghchi declarou que as guerras conduzidas pelos Estados Unidos empurraram o sistema internacional “à beira do colapso” e afirmou que o cenário atual marca “o retorno a uma era de guerras intermináveis, violência aberta e unilateralismo extremo”.


Sem citar apenas operações militares recentes, o chanceler relacionou o comportamento estadunidense ao histórico de intervenções militares promovidas por Washington no Oriente Médio, na Ásia e na África desde o fim da Guerra Fria. O governo iraniano sustenta que o modelo de intervenção militar estadunidense produziu destruição estatal, deslocamentos populacionais e expansão de bases militares sob justificativa de “segurança internacional”.


Araghchi acusou potências ocidentais de utilizar o direito internacional humanitário e a Carta das Nações Unidas para justificar ocupações militares e ataques contra populações civis. A declaração ocorre em meio ao genocídio conduzido por Israel contra palestinos em Gaza e à escalada militar entre Teerã, Washington e Tel Aviv após operações envolvendo instalações iranianas.


O chanceler criticou o silêncio do Conselho de Segurança diante dos ataques estadunidenses e israelenses contra território iraniano e denunciou a morte de civis durante bombardeios contra infraestrutura não militar. Segundo Seyed Abbas Araghchi, refinarias, complexos petroquímicos, pontes, ferrovias, estádios, centros culturais e instalações energéticas foram atingidos durante as operações militares.


O ministro mencionou um ataque contra uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irã. Segundo o governo iraniano, 168 pessoas morreram durante o bombardeio, entre elas estudantes atingidas em horário de aula. Autoridades iranianas classificaram o episódio como massacre e acusaram Estados Unidos e Israel de conduzirem operações contra infraestrutura civil.


“A defesa do Irã é a defesa de um princípio universal: que a segurança de nenhum país deve ser construída sobre as ruínas de casas, escolas e infraestruturas vitais de outra nação”, declarou Araghchi durante a reunião ministerial.


O chanceler afirmou que o silêncio diante desses ataques pode expandir ciclos de violência para outras regiões do planeta e pediu que governos e organismos internacionais condenem operações militares contra civis e instalações não militares em território iraniano.


Seyed Abbas Araghchi também pediu o abandono dos “duplos padrões” adotados pelas potências ocidentais diante das mortes provocadas por ataques militares. “A vida de uma criança em Minab vale tanto quanto a de uma criança em qualquer outra parte do mundo”, afirmou.


Ao tratar da estrutura das Nações Unidas, o ministro declarou que a reforma do Conselho de Segurança deixou de ser debate diplomático e passou a representar questão de sobrevivência institucional para a própria ONU. “A reforma do Conselho de Segurança não é uma opção, mas uma necessidade para a sobrevivência da ONU”, afirmou.


O chanceler iraniano encerrou sua intervenção afirmando que o BRICS possui capacidade para atuar como “coluna vertebral de um verdadeiro multilateralismo”. Segundo Araghchi, o bloco não deve operar como aliança de confrontação militar, mas como mecanismo político e econômico baseado em respeito mútuo e benefício compartilhado entre países do Sul Global.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page