top of page
  • LOGO CLD_00000

Espião israelense trabalhava para o Irã de graça

O Ministério Público israelense acusou Ahmad Daas, palestino de 27 anos residente em Tira, de atuar para a inteligência iraniana durante a escalada militar entre Israel, Irã e Estados Unidos. Segundo a acusação apresentada na quinta-feira, Daas teria enviado imagens de instalações militares e energéticas israelenses sem receber dinheiro, alegadamente por motivação ideológica e oposição ao regime de ocupação. O caso expõe o aumento das acusações de espionagem dentro da Palestina ocupada após a ofensiva militar lançada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã.


Força de Ocupação Israelense ©ARQUIVO
Força de Ocupação Israelense ©ARQUIVO

A acusação afirma que Ahmad Daas trabalhava como caminhoneiro e utilizava suas viagens por diferentes regiões da Palestina ocupada para registrar fotos e vídeos de estruturas consideradas sensíveis pelas autoridades israelenses. Entre os locais citados pelo Ministério Público estão a usina de energia Eshkol, localizada em Ashdod e descrita como a maior usina movida a gás natural de Israel, além de instalações da indústria aeroespacial israelense e uma base naval ligada aos comandos da Marinha israelense.


Os promotores israelenses sustentam que Daas mantinha contato com um agente da inteligência iraniana e tinha consciência de que as informações poderiam ser utilizadas contra a infraestrutura militar e energética israelense. O documento judicial afirma que ele recusou ofertas de pagamento e agiu “unicamente por compromisso ideológico com o Irã” e por “ódio” ao regime israelense.

O caso foi divulgado em comunicado conjunto da polícia israelense e do Shin Bet, serviço de inteligência interna israelense, que classificou o episódio como parte de uma série de operações de espionagem atribuídas ao Irã. O Shin Bet declarou que o aumento dessas operações criou um “alto risco” para Israel e afirmou, em memorando oficial recente, que as atuais medidas de dissuasão não estão conseguindo conter o avanço dos casos.


As autoridades israelenses relacionam o crescimento das acusações de espionagem ao cenário aberto após a guerra de 12 dias imposta por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã em junho de 2015 e ao novo ciclo de confrontos iniciado no fim de fevereiro deste ano. O governo iraniano e o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica passaram a declarar publicamente que instalações energéticas israelenses e estadunidenses poderiam se tornar alvos em caso de ampliação das operações militares contra Teerã.


Nos últimos meses, Israel anunciou a prisão de colonos e militares acusados de colaboração com a inteligência iraniana. Entre os casos citados pela imprensa israelense estão dois soldados da Força Aérea israelense investigados por suposta transferência de informações militares ao Irã. As acusações surgem em meio ao aprofundamento da crise de segurança interna israelense, agravada pela expansão do genocídio contra palestinos em Gaza, pelas operações militares na Cisjordânia e pela intensificação das tensões regionais envolvendo Irã, Líbano, Síria e Iêmen.


Tira, cidade onde Ahmad Daas reside, está localizada no centro da Palestina ocupada e possui população palestina submetida à cidadania israelense desde a criação do Estado de Israel em 1948. A ampliação das investigações de espionagem ocorre paralelamente ao endurecimento das operações do Shin Bet contra palestinos dentro das fronteiras controladas por Israel, sob justificativa de combate a ameaças internas durante a escalada regional.


A HispanTV informou que os procuradores israelenses afirmaram que Daas transmitiu a localização de estruturas militares e energéticas em um momento em que o Irã anunciava possibilidade de ataques contra instalações estratégicas israelenses e estadunidenses. Segundo o canal iraniano, o número de israelenses presos sob acusações de espionagem para Teerã aumentou desde o início da ofensiva militar apoiada por Washington contra o Irã e ganhou nova dimensão após o início da atual escalada militar no fim de fevereiro.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page