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Lula diz que áudio de Flávio Bolsonaro com Vorcaro é ‘caso de polícia’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em 14 de maio, em Camaçari, na Bahia, que as negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro constituem “caso de polícia”. A declaração ocorreu durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, reativada pela Petrobras após anos de paralisação ligados à política de privatizações aplicada no governo Jair Bolsonaro. Lula associou a retomada da unidade industrial à reversão do desmonte de ativos estratégicos conduzido sob orientação de mercado defendida por setores financeiros e interesses privados ligados ao capital internacional.


Presidente Lula, 2025 | ARQUIVO
Presidente Lula, 2025 | ARQUIVO

Ao comentar os áudios divulgados pelo Intercept Brasil envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Lula afirmou que não cabia ao Executivo interferir nas investigações, mas indicou que o episódio deveria ser tratado pelas autoridades policiais e judiciais. “Chega de gente vender esse país. Eu não vou comentar caso de polícia, não é meu, eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras, tratar do emprego”, declarou.


Os áudios revelados pelo Intercept Brasil mostram Flávio Bolsonaro tratando de repasses milionários destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. O material divulgado pelo veículo inclui conversas atribuídas ao senador e ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações sobre o colapso do Banco Master. Segundo as informações publicadas, os contatos envolveram pedidos de liberação de recursos para a produção cinematográfica.


A fala de Lula ocorreu durante agenda voltada à retomada operacional da Fafen-BA, unidade da Petrobras localizada em Camaçari. A fábrica havia sido colocada em estado de hibernação em 2019, durante a política de desinvestimentos da estatal implementada no governo Bolsonaro. A reativação da planta ocorreu em janeiro de 2026 após investimento de R$ 100 milhões.


Segundo dados apresentados durante a visita presidencial, a unidade retomou capacidade de produção de 1.300 toneladas diárias de ureia, volume correspondente a cerca de 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. A Petrobras informou que a operação gera 900 empregos diretos e 2.700 indiretos.


Lula afirmou que a dependência brasileira da importação de fertilizantes representa vulnerabilidade econômica e produtiva para um país cuja base agrícola ocupa posição central nas exportações globais. “O Brasil é um país agrícola, o Brasil é o segundo maior produtor de alimento, tem hora que é o terceiro, e o Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes”, declarou.


A retomada da fábrica foi apresentada pelo governo federal como parte da reconstrução da capacidade industrial desmontada durante o ciclo de privatizações e venda de ativos públicos iniciado após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Nesse período, refinarias da Petrobras, subsidiárias da estatal e ativos energéticos foram transferidos ao setor privado nacional e estrangeiro, incluindo a privatização da Eletrobras e da BR Distribuidora.


O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, afirmou durante o evento que a política aplicada no governo Bolsonaro retirou da Bahia parte do papel histórico desempenhado pelo estado na indústria petrolífera nacional. “Presidente, o governo que lhe antecedeu esvaziou a Petrobras no Brasil inteiro. A Bahia pagou uma conta muito alta. Retirou desse estado o seu papel histórico de sediar a Petrobras, do primeiro poço de Petróleo. E hoje o senhor volta, com sua força, sua energia. Esta é uma pauta do combate à fome e da produção de alimentos”, disse.


Durante o discurso, Lula criticou a lógica política que sustentou a privatização de setores estratégicos brasileiros e associou esse processo à submissão econômica diante de interesses externos. O presidente afirmou que empresas públicas foram desmontadas sob a justificativa de eficiência privada enquanto áreas consideradas estratégicas para soberania energética e industrial passaram ao controle de grupos financeiros e corporações internacionais.


“Esse país precisa se dar conta de que durante muito tempo ele foi governado por gente que tinha a formação política de vira-lata: tudo que era do exterior era bom e tudo que era do Brasil não prestava”, declarou Lula.

A agenda presidencial na Bahia ocorreu em meio à ampliação das investigações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e relações financeiras com integrantes da família Bolsonaro. As revelações sobre os repasses destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro aumentaram a pressão política sobre Flávio Bolsonaro e ampliaram os pedidos de investigação feitos por parlamentares governistas e órgãos de controle.

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