Polícia britânica planeja operação para conter os protestos da extrema direita e de manifestantes pró-Palestina
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A Polícia Metropolitana de Londres mobilizou 4 mil agentes para conter marchas simultâneas convocadas pelo agitador de extrema direita Tommy Robinson e por grupos em defesa da Palestina neste sábado, 16 de maio. O aparato inclui drones, helicópteros, cavalaria, cães policiais e uso de reconhecimento facial em tempo real em manifestações políticas pela primeira vez na capital britânica. As mobilizações ocorrem durante atos do Dia da Nakba e em meio ao avanço da repressão estatal contra protestos ligados ao genocídio palestino.

A operação foi anunciada na quinta-feira, 14 de maio, pela Polícia Metropolitana, que estimou a presença de 50 mil pessoas no ato organizado por Tommy Robinson, nome político de Stephen Yaxley-Lennon, e outras 30 mil pessoas na marcha pró-Palestina convocada por organizações da Coalizão Palestina na Grã-Bretanha. As manifestações ocorrerão paralelamente à final da Copa da Inglaterra entre Chelsea e Manchester City, em Wembley, no noroeste de Londres.
Segundo a polícia britânica, 660 agentes foram deslocados de outras regiões do país para reforçar a segurança na capital. O custo da operação foi estimado em 4,5 milhões de libras, equivalente a cerca de 6 milhões de dólares. O vice-comissário assistente James Harman afirmou em entrevista coletiva que “a dimensão da operação é sem precedentes nos últimos anos”.
A Polícia Metropolitana impôs restrições aos dois atos, determinando horários, trajetos e exigências aos organizadores. Pela primeira vez, os responsáveis pelas manifestações poderão ser responsabilizados caso oradores convidados violem leis britânicas relacionadas a extremismo e discurso de ódio.
O Ministério do Interior britânico também informou ter barrado a entrada de sete estrangeiros que pretendiam participar do evento “Unite the Kingdom”, convocado por Robinson. O ativista anti-imigração reuniu cerca de 150 mil pessoas em Londres em setembro de 2025, em uma manifestação marcada por confrontos com policiais e dezenas de prisões.
Na ocasião, grupos ligados ao nacionalismo britânico desfilaram com bandeiras inglesas e britânicas pelas ruas centrais da cidade. Após os atos, ocorreram choques entre participantes e forças policiais. A Polícia Metropolitana declarou que 50 suspeitos ligados àquele protesto continuam sendo procurados por crimes cometidos durante os confrontos.
O endurecimento das medidas policiais ocorre em meio ao crescimento da criminalização de manifestações ligadas à Palestina no Reino Unido desde o início do genocídio israelense contra a população palestina em outubro de 2023. Desde então, a Coalizão Palestina na Grã-Bretanha organizou mais de 33 grandes protestos em Londres e outras cidades britânicas.
Casos recentes mencionados pela imprensa britânica envolveram acusações contra manifestantes que gritaram “morte às Forças de ‘Defesa’ de Israel” e “globalizar a Intifada”. As autoridades britânicas passaram a tratar palavras de ordem ligadas à resistência palestina como tema de segurança nacional, em alinhamento político e diplomático com os interesses de Tel Aviv e de governos da OTAN que sustentam apoio militar e financeiro ao genocídio em Gaza.
James Harman afirmou que o nível de alerta terrorista no Reino Unido foi elevado para “grave” duas semanas antes das manifestações, após episódios de violência contra integrantes da comunidade judaica em Londres. Segundo ele, a combinação entre atos políticos rivais e a presença de torcedores de futebol aumenta o risco de confrontos.
“Sempre que um número significativo de torcedores de futebol estiver muito próximo uns dos outros, existem riscos de desordem que precisam ser gerenciados”, declarou Harman. Ele acrescentou que grupos hooligans ligados ao futebol possuem histórico de participação em mobilizações organizadas por Stephen Yaxley-Lennon.
A polícia britânica também declarou preocupação com a possibilidade de grupos de extrema direita viajarem para Londres aproveitando a ausência de outras partidas profissionais no país durante o sábado. Segundo Harman, isso “aumenta a probabilidade de esses grupos viajarem para Londres para se juntarem ao protesto”.
O ato pró-Palestina foi convocado para marcar o Dia da Nakba, data que recorda o deslocamento forçado de centenas de milhares de palestinos durante a criação de Israel em 1948, processo associado à expulsão sistemática da população árabe palestina de suas terras e cidades.



































