Cortes ameaçam futuro da resposta global ao HIV, alerta ONU
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A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, afirmou em 15 de maio que cortes no financiamento internacional colocam em risco a resposta global ao HIV/Aids. Segundo a agência da ONU, os recursos destinados ao combate à epidemia caíram entre 30% e 40% em comparação com o orçamento de 2023. Byanyima declarou em Nova Iorque que governos estão transferindo verbas para financiar guerras enquanto programas de prevenção, pesquisa e tratamento sofrem redução operacional.

Durante coletiva preparatória para a Reunião de Alto Nível sobre HIV/Aids de 2026, realizada na sede das Nações Unidas, Winnie Byanyima afirmou que esta pode ser a última edição do encontro caso a atual trajetória de financiamento seja mantida. A dirigente do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids declarou que “cortes de gastos e ataques aos direitos humanos” estão comprometendo o trabalho científico voltado à busca por tratamentos e cura da doença.
O Unaids informou que a retração financeira atingiu programas de prevenção, distribuição de medicamentos, campanhas de testagem e assistência médica em países dependentes de fundos internacionais. Segundo Byanyima, sem manutenção do financiamento externo, diversos governos não conseguirão sustentar redes públicas de atendimento e programas de prevenção.
A diretora do Unaids relacionou a redução de verbas ao redirecionamento de recursos públicos para operações militares e escaladas bélicas patrocinadas por potências ocidentais. A declaração ocorreu em meio ao aumento dos gastos militares de países da Otan e de governos aliados dos Estados Unidos após a ampliação de conflitos internacionais e do apoio financeiro e militar estadunidense a operações externas.
A Reunião de Alto Nível sobre HIV/Aids ocorrerá nos dias 22 e 23 de junho de 2026 em Nova Iorque sob o tema “Unidas e Unidos para Acabar com a Aids”. O encontro contará com a participação do secretário-geral da ONU, António Guterres, representantes de governos, pesquisadores, movimentos sociais e pessoas vivendo com HIV.
Segundo o Unaids, a meta oficial das Nações Unidas continua sendo eliminar o HIV/Aids como ameaça à saúde pública até 2030. A agência alertou que o enfraquecimento financeiro da resposta internacional ameaça interromper avanços registrados nas últimas décadas na redução de novos casos e no acesso a medicamentos antirretrovirais.
Dados citados pela ONU indicam que programas internacionais de combate ao HIV contribuíram para reduzir em 40% os novos casos desde 2010. Outra projeção divulgada pela organização aponta que o mundo poderá registrar mais 6 milhões de novos casos de HIV até 2029 caso os cortes financeiros continuem.
O Unaids também mencionou estudos que apontam necessidade anual de US$ 21,9 bilhões para atingir metas globais de combate ao HIV em países de baixa e média renda. A agência alertou anteriormente que a redução de financiamento representa o maior retrocesso da última década na resposta internacional à epidemia.
Apesar da redução de recursos, a ONU destacou iniciativas multilaterais voltadas ao fortalecimento da produção local de medicamentos e vacinas. Durante a reunião ministerial do G20 em 2024, sob presidência brasileira, foi criada uma aliança internacional voltada à ampliação do acesso a tecnologias de saúde e ao incentivo à fabricação local de insumos farmacêuticos.
Segundo o Unaids, o acordo firmado entre os Ministérios da Saúde do G20 buscou reduzir dependência de monopólios farmacêuticos internacionais e ampliar a capacidade produtiva de países periféricos no setor biomédico. A agência declarou que a cooperação internacional permanece necessária para manter programas de prevenção, testagem e tratamento em funcionamento.



































