Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em pesquisa após escândalo sobre o financiamento do filme “Dark Horse”
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O instituto Datafolha divulgou neste sábado (16) pesquisa que aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 38% das intenções de voto para a eleição presidencial de 2026, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro, do PL. O levantamento foi realizado antes da maior parte da repercussão das revelações publicadas pelo Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, projeto ligado à família Bolsonaro que recebeu R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. No segundo turno, Lula e Flávio aparecem com 45% cada, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 13 de maio com 2.004 entrevistados em todo o país. O nível de confiança é de 95%, e o registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-00290/2026. O levantamento foi divulgado pela Folha de S.Paulo no mesmo momento em que o entorno bolsonarista enfrenta desgaste provocado pela divulgação de áudios e contratos relacionados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, figura central da extrema direita brasileira e aliado histórico da política externa estadunidense na América Latina.
Segundo o Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro procurou o banqueiro Daniel Vorcaro para solicitar recursos destinados à produção de “Dark Horse”, obra cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. A reportagem afirma que Vorcaro destinou R$ 61 milhões ao projeto. Flávio nega irregularidades. O caso tornou-se público na quarta-feira (13) e passou a ocupar espaço na disputa eleitoral, principalmente porque Eduardo Bolsonaro aparece em documentos do projeto como produtor-executivo responsável pela captação de recursos.
Mesmo sob repercussão do caso, os números do primeiro turno permaneceram próximos aos do levantamento anterior. Em abril, Lula registrava 39%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha os mesmos 35% atuais. A estabilidade indica manutenção da polarização que domina o cenário político brasileiro desde 2018, período marcado pela reorganização da extrema direita em torno do bolsonarismo, da militarização do discurso político e do alinhamento com interesses estadunidenses na política regional.
No primeiro cenário apresentado pelo Datafolha, Romeu Zema, do Novo, aparece com 3%, mesmo percentual atribuído a Ronaldo Caiado, do PSD. Renan Santos, da Missão, soma 2%. Nenhum dos demais nomes rompe o isolamento entre Lula e Flávio Bolsonaro. O levantamento reforça a dificuldade histórica da chamada “terceira via” em romper a concentração eleitoral entre PT e bolsonarismo, fenômeno observado em disputas anteriores desde a crise institucional de 2016.
Em um segundo cenário, com a inclusão de Ciro Gomes, do MDB, Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 34%. Ciro registra 5%, enquanto Zema alcança 4%, Caiado fica com 2% e Renan Santos mantém 2%. A fragmentação das candidaturas fora dos dois principais polos mantém reduzido o espaço eleitoral para alternativas que tentam se apresentar como independentes tanto do lulismo quanto do bolsonarismo.
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem lista prévia de candidatos, Lula lidera com 27%. Flávio Bolsonaro registra 18%, seguido por Jair Bolsonaro, declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, com 3%. Ronaldo Caiado soma 1%. O dado que mais chama atenção nesse cenário é o índice de 39% de entrevistados que afirmaram não saber em quem votar.
O levantamento também mediu rejeição dos pré-candidatos. Lula aparece com 47% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%. Ciro Gomes tem 20%; Romeu Zema, 15%; Cabo Daciolo, 14%; Ronaldo Caiado, 13%; e Rui Costa Pimenta, do PCO, 12%.
A divulgação da pesquisa ocorre em meio à ampliação da crise envolvendo o filme “Dark Horse”. Na sexta-feira (15), durante evento em Campinas para lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite, do PP, homens foram retirados por seguranças após criticarem Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Em outro episódio ligado à produção cinematográfica, um ator registrou boletim de ocorrência alegando ter sido agredido durante gravações realizadas no Memorial da América Latina, em São Paulo. Segundo o documento, ele teria recebido socos durante discussão com um segurança no local.
Também nesta semana, Eduardo Bolsonaro declarou ter recebido US$ 50 mil em reembolso ligados ao filme e afirmou que os recursos não passaram por fundo financeiro. O parlamentar confirmou participação na produção como produtor-executivo, função que incluía captação de recursos, conforme documentos divulgados pelo Intercept Brasil.



































