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- Trump promete recuperar urânio iraniano após Mojtaba Khamenei rejeitar transferência
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em 21 de maio que Washington pretende tomar posse do estoque iraniano de urânio enriquecido. A declaração ocorreu após Mojtaba Khamenei ordenar que o material permaneça em território iraniano e rejeitar uma das principais exigências estadunidenses nas negociações em curso. O impasse amplia a disputa entre Teerã e o eixo militar formado por Estados Unidos e Israel após meses de ataques, sanções e pressão diplomática contra a República Islâmica. Uma mulher caminha ao lado de uma faixa com a foto do novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em Teerã Trump afirmou na Casa Branca que os Estados Unidos “obterão” o urânio iraniano enriquecido e declarou que o material poderá ser destruído após eventual apreensão. “Nós o obteremos. Não precisamos dele, não o queremos. Provavelmente o destruiremos depois de obtê-lo, mas não vamos deixá-los ficar com ele”, disse o presidente estadunidense a jornalistas na quinta-feira, 21 de maio. O governo estadunidense voltou a afirmar que não aceitará qualquer capacidade nuclear iraniana fora dos parâmetros definidos por Washington e Tel Aviv. “Neste momento, estamos negociando e veremos o que acontece, mas vamos chegar a um acordo de uma forma ou de outra. Eles não vão ter uma arma nuclear”, declarou Trump. O presidente estadunidense também afirmou que Washington rejeita qualquer tentativa iraniana de impor taxas de navegação no Estreito de Ormuz. Trump declarou que o corredor marítimo constitui “uma hidrovia internacional” e disse que Teerã “não está cobrando pedágio agora”. Segundo o mandatário estadunidense, os Estados Unidos acompanham negociações entre Irã e Omã sobre possíveis mecanismos de cobrança no estreito. Trump declarou ainda que forças estadunidenses mantêm “controle total” sobre o tráfego marítimo na região. A afirmação ocorreu após meses de confrontos militares envolvendo o Irã, Israel e forças estadunidenses no Golfo Pérsico, no Mar de Omã e no Estreito de Ormuz, rota utilizada para o transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no planeta, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos. Horas antes das declarações de Trump, duas fontes iranianas de alto escalão disseram à Reuters que Mojtaba Khamenei emitiu uma diretriz proibindo a transferência para o exterior do estoque iraniano de urânio enriquecido próximo ao grau de pureza necessário para armamento nuclear. Segundo as fontes, a ordem endurece a posição iraniana diante das exigências impostas por Washington nas negociações mediadas após os confrontos militares entre Irã, Israel e Estados Unidos. De acordo com a Reuters, autoridades israelenses afirmaram que Trump garantiu ao governo de Benjamin Netanyahu que qualquer acordo exigirá a retirada do estoque iraniano de urânio enriquecido do território nacional. Israel sustenta há anos acusações de que o programa nuclear iraniano teria finalidade militar. O governo iraniano nega desenvolver armas nucleares e afirma que o enriquecimento de urânio possui finalidade energética, industrial e científica. Benjamin Netanyahu declarou que Israel não considera encerrada a ofensiva militar contra o Irã enquanto Teerã mantiver capacidade de enriquecimento de urânio, apoio a forças aliadas regionais e programas de mísseis balísticos. O primeiro-ministro israelense condicionou qualquer acordo à eliminação dessas capacidades estratégicas iranianas. Uma das fontes iranianas ouvidas pela Reuters afirmou que “a diretriz do Líder, e o consenso dentro do governo, é que o estoque de urânio enriquecido não deve sair do país”. A mesma fonte declarou que autoridades iranianas avaliam que a transferência do material deixaria o país vulnerável a novos ataques de Estados Unidos e Israel. Segundo as fontes iranianas, Mojtaba Khamenei mantém posição direta sobre os temas relacionados à segurança nacional, política externa e programa nuclear. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu aos pedidos de comentário encaminhados pela Reuters. As tensões regionais aumentaram após ataques conjuntos conduzidos por Estados Unidos e Israel contra instalações iranianas e após a resposta militar de Teerã contra alvos israelenses, bases militares e rotas marítimas ligadas aos interesses estadunidenses e israelenses. O cessar-fogo mediado pelo Paquistão entrou em vigor em 8 de abril e foi prorrogado posteriormente por Trump, enquanto restrições marítimas seguem em operação no Estreito de Ormuz. A disputa sobre o urânio enriquecido ocorre paralelamente ao avanço da presença militar estadunidense no Oriente Médio. Nos últimos meses, Washington ampliou deslocamentos navais para o Golfo Pérsico, reforçou operações conjuntas com Israel e intensificou sanções econômicas contra Teerã, incluindo medidas contra exportações energéticas, sistema bancário e representantes diplomáticos iranianos. As declarações de Trump foram publicadas pela TRT World e reproduzidas por agências internacionais no mesmo dia em que autoridades iranianas reiteraram que “urânio enriquecido não será transferido para lugar nenhum”.
- O Papa Leão XIV reafirmou seu apelo ao diálogo para buscar caminhos para a paz
O Papa Leão XIV declarou em 21 de maio que negociações diplomáticas formais seguem como o único caminho para alcançar a paz internacional. Durante audiência no Palácio Apostólico, no Vaticano, o pontífice criticou a substituição da diplomacia pela imposição militar nas relações entre Estados. O chefe da Igreja Católica também defendeu o fortalecimento de organismos multilaterais diante da escalada armamentista impulsionada por potências militares da OTAN e seus aliados. O pronunciamento ocorreu durante encontro com novos embaixadores de países africanos e asiáticos credenciados junto à Santa Sé. Na audiência realizada na Cidade do Vaticano, Leão XIV afirmou que governos vêm buscando “a paz através do uso de armas”, enquanto ampliam disputas militares em níveis bilateral, regional e multilateral. O pontífice pediu que os Estados assumam seus compromissos internacionais “com responsabilidade e respeito mútuo”, em meio ao avanço de crises geopolíticas no Oriente Médio, no Leste Europeu e na Ásia-Pacífico. O líder católico declarou que a linguagem utilizada por chefes de Estado e representantes diplomáticos precisa “refletir a realidade com clareza e honestidade”. Segundo o Vaticano, Leão XIV afirmou que “somente evitando distorções políticas e retórica hostil” será possível reconstruir confiança entre as nações. A declaração ocorre enquanto governos estadunidenses e europeus ampliam gastos militares e pressionam organismos internacionais a alinharem-se às agendas estratégicas de Washington. Leão XIV também criticou modelos políticos e econômicos baseados na concentração de poder militar e financeiro. O papa afirmou que nenhuma ordem internacional pode ser considerada justa quando mede seu êxito “somente pelo poder ou pela prosperidade econômica”. Segundo o pontífice, estruturas globais falham quando abandonam populações marginalizadas e setores submetidos à pobreza, deslocamentos forçados e destruição causada por operações militares conduzidas ou financiadas por potências ocidentais. O Vaticano informou que o papa pediu aos diplomatas presentes que atuem “com espírito de solidariedade” para fortalecer a representatividade de instituições multilaterais. O pontífice afirmou que essas organizações seguem sendo instrumentos necessários para mediação política e resolução de disputas internacionais em um cenário marcado por fragmentação diplomática e expansão de alianças militares. As declarações de Leão XIV foram divulgadas um dia após o portal teleSUR publicar outra intervenção do pontífice contra “a pilhagem de recursos e as guerras imperiais”. Nos últimos meses, o Vaticano ampliou críticas ao avanço da militarização internacional, em meio ao aumento dos orçamentos militares dos países da OTAN, ao envio contínuo de armas estadunidenses para zonas de confronto e à paralisação de iniciativas diplomáticas em fóruns internacionais. Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo apontam que os gastos militares globais ultrapassaram US$ 2,4 trilhões em 2025, impulsionados por Estados Unidos, membros da OTAN e aliados asiáticos. O aumento ocorreu enquanto organismos multilaterais enfrentam bloqueios políticos em votações relacionadas ao genocídio contra a população palestina, às sanções econômicas unilaterais e às operações militares conduzidas sob justificativas de “segurança” e “estabilidade regional”. Segundo a agência EFE e a teleSUR, Leão XIV encerrou a audiência afirmando que organismos multilaterais continuam sendo instrumentos indispensáveis para a mediação pacífica em um mundo submetido ao avanço da fragmentação política e militar.
- BBC: Três possíveis desdobramentos da crise em Cuba
O governo estadunidense elevou a pressão contra Cuba após formalizar acusações contra Raúl Castro e ampliar operações militares no Caribe. A movimentação ocorre em meio ao endurecimento do bloqueio econômico imposto por Washington, que provocou apagões, escassez de combustível e redução do acesso a alimentos na ilha. Declarações do presidente estadunidense Donald Trump, de integrantes da Casa Branca e de parlamentares republicanos passaram a alimentar hipóteses sobre intervenção, negociação tutelada ou aprofundamento do colapso econômico cubano. Muitos exilados cubanos nos EUA esperam a queda do governo de Havana A acusação formal apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Raúl Castro, de 94 anos, reacendeu o histórico padrão de intervenção estadunidense na América Latina. Havana passou a ser tratada por setores do governo estadunidense e da imprensa corporativa como possível novo alvo de uma operação de mudança de regime, repetindo métodos utilizados contra governos considerados hostis aos interesses de Washington. Segundo a acusação, Raúl Castro teria responsabilidade pelo abatimento de duas aeronaves da organização Hermanos al Rescate em 1996, episódio ocorrido quando ocupava o cargo de ministro das Forças Armadas Revolucionárias. O caso deixou quatro mortos. A partir da denúncia, políticos republicanos da Flórida passaram a defender publicamente uma operação para sequestrar o dirigente cubano e levá-lo a território estadunidense. O senador republicano Rick Scott afirmou que “nenhuma possibilidade” deveria ser descartada. “O mesmo que aconteceu com Maduro deve acontecer com Raúl Castro”, declarou o parlamentar a jornalistas. A fala faz referência direta à operação conduzida por forças estadunidenses na Venezuela em janeiro, quando Nicolás Maduro foi sequestrado e transferido para Nova York sob acusações de narcotráfico e porte de armas. A comparação também remete à Operação Just Cause, lançada pelos Estados Unidos contra o Panamá em dezembro de 1989. Na ocasião, cerca de 27 mil soldados estadunidenses invadiram o país para derrubar Manuel Noriega, ação que deixou centenas de mortos panamenhos, destruição em bairros populares da Cidade do Panamá e consolidou mais um episódio de ocupação militar direta na América Latina. Donald Trump evitou responder se prepara uma operação semelhante contra Cuba, mas afirmou nesta semana que “não haverá escalada” porque “o lugar está desmoronando”. A Casa Branca também declarou que não aceitará a existência de um “estado pária” localizado a 144 quilômetros da costa estadunidense, linguagem utilizada historicamente por Washington para justificar intervenções militares, sanções econômicas e operações de desestabilização. O texto publicado pela BBC aponta três cenários debatidos por autoridades e centros políticos ligados ao governo estadunidense: uma operação para sequestrar Raúl Castro, uma reorganização do governo cubano sob pressão de Washington ou o aprofundamento do colapso econômico da ilha. Nenhum dos cenários considera o fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962. Adam Isacson, integrante do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos, declarou que uma operação para retirar Raúl Castro de Cuba seria “possível”, embora envolvesse riscos. “Seu valor simbólico significa que ele é muito bem protegido, mas certamente é possível”, afirmou. O pesquisador também reconheceu que a retirada de Castro teria impacto limitado sobre a estrutura estatal cubana. “A dinastia da família Castro é influente, mas não central para o que foi construído”, disse. Michael Shifter, professor da Universidade Georgetown e ex-dirigente do Inter-American Dialogue, afirmou que Washington tenta encontrar em Cuba uma figura equivalente à vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que assumiu parte das negociações após o sequestro de Maduro. Segundo ele, o objetivo estadunidense seria manter o aparelho estatal cubano funcionando enquanto impõe reformas econômicas e alinhamento diplomático aos interesses de Washington. A reportagem informa que Donald Trump declarou em 12 de maio, na rede Truth Social, que “Cuba está pedindo ajuda, e nós vamos conversar”. Dias depois, o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com autoridades cubanas, incluindo Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, e o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou a jornalistas na Flórida que o governo estadunidense pretende alcançar um “acordo negociado”. Segundo Rubio, Cuba precisa “tomar uma decisão” porque “o sistema deles simplesmente não funciona”. Entre as exigências discutidas por Washington estariam abertura econômica, entrada de capital estrangeiro ligado a grupos de exilados cubanos e redução da presença de agências russas e chinesas na ilha. A pressão econômica contra Cuba aumentou nos últimos meses. O texto cita apagões diários de várias horas, escassez de combustível e dificuldades de abastecimento. O governo estadunidense manteve restrições financeiras, limitações comerciais e medidas contra bancos e empresas que operam com Havana, aprofundando o impacto do bloqueio econômico que já dura mais de seis décadas. Apesar disso, Michael Shifter reconheceu que o Estado cubano continua operando. “É preciso distinguir entre a economia cubana e o Estado cubano”, afirmou. “A economia cubana pode colapsar, e está colapsando, mas o Estado continua funcionando, especialmente no setor de segurança.” O possível agravamento da crise econômica também preocupa setores do governo estadunidense pelo risco de aumento da migração. Adam Isacson afirmou que um colapso estatal poderia provocar saída em massa de cubanos em direção à Flórida e ao México. “As pessoas provavelmente estão sobrevivendo com 1.000 ou 1.500 calorias por dia e não conseguem acesso básico à saúde”, declarou. A atual escalada entre Washington e Havana ocorre após anos de endurecimento das sanções econômicas, retomadas durante o primeiro mandato de Donald Trump e ampliadas em 2025. O governo cubano acusa os Estados Unidos de utilizar bloqueio financeiro, isolamento diplomático e campanhas midiáticas para produzir desgaste interno e justificar ingerência externa. Enquanto setores da extrema-direita cubano-estadunidense em Miami defendem intervenção aberta, o governo cubano denuncia preparação de operações híbridas combinando asfixia econômica, pressão diplomática, guerra informacional e ameaça militar.
- Governo do Brasil lidera debate na OMS para regulação global de apostas eletrônicas
O governo brasileiro iniciou articulações na Organização Mundial da Saúde para defender uma regulação internacional das apostas eletrônicas e do mercado de plataformas digitais de apostas. A iniciativa ocorre em meio ao crescimento da dependência financeira das chamadas “bets”, à expansão de conglomerados transnacionais do setor e ao aumento do endividamento popular associado ao jogo online. O debate expõe a pressão exercida por empresas de tecnologia e operadores financeiros sobre países periféricos, onde a desregulamentação digital abriu espaço para circulação de capital especulativo sob a forma de entretenimento virtual. Presidente Lula - EBC Representantes do Ministério da Saúde e da diplomacia brasileira apresentaram a proposta durante discussões técnicas ligadas à Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra. A iniciativa busca inserir o tema das apostas eletrônicas na agenda internacional de saúde pública, com foco em danos associados à compulsão, ao adoecimento mental, ao endividamento e à ausência de mecanismos globais de controle sobre empresas que operam em múltiplos países por meio de estruturas digitais sediadas em paraísos fiscais. Segundo integrantes da delegação brasileira, o objetivo é construir parâmetros internacionais semelhantes aos tratados globais voltados ao controle do tabaco e do álcool. O governo brasileiro sustenta que plataformas de apostas atuam em escala transnacional utilizando publicidade direcionada, exploração de dados pessoais e ausência de fiscalização tributária uniforme para ampliar receitas em países com menor capacidade regulatória. O avanço das apostas eletrônicas no Brasil ocorreu após mudanças legislativas iniciadas em 2018 e aprofundadas nos anos seguintes, período em que empresas estrangeiras passaram a operar no país utilizando campanhas esportivas, influenciadores digitais e contratos de patrocínio em massa com clubes de futebol e meios de comunicação. A expansão do setor coincidiu com crescimento de relatos de endividamento familiar, perda de renda e uso de crédito para apostas. Dados apresentados por órgãos do governo brasileiro apontam aumento expressivo da movimentação financeira do setor entre 2023 e 2026. Parte das operações ocorre por meio de empresas registradas fora do território brasileiro, dificultando fiscalização tributária e rastreamento financeiro. O Ministério da Fazenda passou a discutir mecanismos de taxação e autorização formal para funcionamento das plataformas, enquanto o Ministério da Saúde pressiona pela inclusão do tema na esfera sanitária internacional. A defesa de uma regulação global ocorre em um cenário no qual conglomerados digitais ligados ao mercado de apostas operam a partir de jurisdições com baixa tributação e mantêm contratos publicitários com ligas esportivas internacionais, empresas de mídia e plataformas tecnológicas sediadas em países centrais do capitalismo financeiro. O modelo permitiu a expansão de aplicativos de apostas em países da América Latina, África e Ásia sem criação proporcional de mecanismos públicos de proteção social. Integrantes da área de saúde do governo brasileiro afirmaram que o debate internacional busca enfrentar impactos associados à ludopatia, termo utilizado para caracterizar transtornos relacionados ao jogo compulsivo. O Ministério da Saúde passou a relacionar o crescimento das apostas online ao aumento da procura por atendimento psicológico e psiquiátrico em serviços públicos de saúde. A proposta brasileira também inclui mecanismos de restrição publicitária, regras de transparência algorítmica e cooperação internacional para rastreamento de fluxos financeiros ligados às plataformas. Autoridades brasileiras defendem que empresas do setor sejam submetidas a padrões internacionais de responsabilidade sanitária e tributária. O debate ocorre enquanto o mercado global de apostas eletrônicas amplia receitas por meio de aplicativos móveis e sistemas de pagamento instantâneo. Empresas do setor utilizam campanhas associadas ao esporte e ao consumo digital para atingir públicos jovens e populações submetidas à precarização econômica, cenário ampliado após ciclos internacionais de austeridade fiscal e desmonte de políticas sociais em diversos países. A Organização Mundial da Saúde ainda não formalizou um processo específico para criação de tratado internacional sobre apostas eletrônicas, mas o tema passou a circular em grupos técnicos ligados à saúde mental, dependência comportamental e regulação digital durante as discussões conduzidas pela delegação brasileira em Genebra.
- Agências da ONU intensificam resposta ao Ebola no leste da RDCongo
A Organização Mundial da Saúde declarou em 21 de maio uma emergência de saúde pública internacional após o avanço de um novo surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo. Agências da ONU, forças de paz da MONUSCO e estruturas logísticas ligadas ao aparato internacional iniciaram uma operação de transporte aéreo de suprimentos, pessoal médico e equipamentos para a província de Ituri. O novo surto ocorre em uma região marcada por décadas de intervenção armada, exploração mineral e presença de grupos armados alimentados pela disputa internacional por recursos estratégicos no centro da África. República Democrática do Congo vive novo maior surto de ebola - arquivo A ONU informou que as operações começaram após a declaração oficial do surto em 15 de maio na província de Ituri, no leste congolês. Em 72 horas, a Organização Mundial da Saúde transportou 11,5 toneladas de suprimentos médicos e equipamentos a partir de Kinshasa, Dakar e Nairóbi. A carga incluiu equipamentos de proteção individual, kits médicos, tendas, materiais de água e saneamento e itens de higiene utilizados para contenção do vírus. A Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, conhecida como MONUSCO, iniciou uma ponte aérea entre Nairóbi e Bunia, capital de Ituri, utilizando recursos militares e logísticos da operação de paz mantida pela ONU no país africano. Segundo a própria missão, quase 30 toneladas de suprimentos haviam sido transportadas até quarta-feira, 20 de maio. A operação incluiu o envio de quatro veículos e duas motocicletas para reforçar a estrutura logística em Bunia. Os chamados “capacetes azuis” passaram a atuar também em campanhas de conscientização em localidades como Tchabi, no território de Irumi, a cerca de 120 quilômetros de Bunia, e em Fataki, onde vivem deslocados internos atingidos pela violência armada. Equipes utilizaram alto-falantes para orientar moradores sobre lavagem das mãos, reconhecimento de sintomas do Ebola e riscos relacionados ao consumo de carne de caça. A MONUSCO declarou que as ações buscam “melhorar a preparação comunitária, reduzir o pânico e proteger populações vulneráveis”. A presença da missão ocorre em um território submetido há décadas a operações militares internacionais sob justificativa humanitária, enquanto o país segue fragmentado por milícias armadas e disputas ligadas ao controle de minerais estratégicos utilizados pela indústria tecnológica global. O Programa Mundial de Alimentos afirmou que o surto se soma a uma crise humanitária já instalada no leste do Congo. Segundo o órgão da ONU, 26,5 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda em todo o território congolês. Desse total, 10 milhões vivem em Ituri e em outras três províncias orientais afetadas por confrontos armados e deslocamentos populacionais. Somente em Ituri, cerca de 1,7 milhão de pessoas estão em níveis de fome classificados como “crise ou pior”. O Programa Mundial de Alimentos declarou que o epicentro do atual surto está localizado “no coração das áreas operacionais” da agência no leste do Congo. A estrutura da ONU passou a transportar trabalhadores humanitários, medicamentos e cargas para áreas de difícil acesso, além de fornecer alimentação para pacientes, sobreviventes, contatos monitorados e famílias afetadas. O órgão informou ainda que necessita de mais de US$ 214 milhões para manter suas operações no Congo e de mais de US$ 10 milhões destinados apenas à resposta ao Ebola. A dependência financeira das agências humanitárias expõe a permanência de um modelo internacional baseado em intervenções emergenciais contínuas, enquanto estruturas econômicas e políticas responsáveis pela instabilidade regional permanecem intactas. O Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, afirmou que crianças estão entre os grupos mais atingidos pelo surto. Segundo a agência, menores enfrentam interrupção de serviços essenciais, perda de familiares, estigmatização e aumento de riscos sociais ligados à crise sanitária. O UNICEF informou ter mobilizado quase 50 toneladas de materiais, incluindo sabão, desinfetantes, equipamentos de proteção individual, tanques de água e pastilhas de purificação. Uma equipe de resposta rápida foi enviada para Bunia para atuar em comunicação de risco e mobilização comunitária. Mesmo com mais de 2 mil agentes comunitários de saúde atuando na região, a ONU declarou que há falta de recursos e de pessoal em áreas isoladas do leste congolês. A limitação operacional ocorre em um território marcado pela destruição de infraestrutura pública após décadas de dependência econômica externa, guerra regionalizada e programas internacionais de ajuste econômico impostos ao país desde os anos 1980. A República Democrática do Congo registrou 17 surtos de Ebola desde a descoberta do vírus há 50 anos. O atual avanço da doença é provocado pela cepa Bundibugyo, para a qual não existem vacinas nem tratamentos específicos aprovados. Segundo dados apresentados pela ONU, o Congo soma 139 mortes e cerca de 600 casos suspeitos. Uganda confirmou dois casos da doença. A Organização Mundial da Saúde classificou o surto como emergência de saúde pública de interesse internacional, mecanismo utilizado para coordenação entre governos e organismos multilaterais, mas declarou que a situação ainda não constitui uma emergência pandêmica.
- A atividade militar da OTAN ao longo das fronteiras russas atinge níveis da Guerra Fria - afirma enviado de Moscou
A Rússia afirmou nesta quinta-feira que as atividades militares da OTAN ao longo de suas fronteiras atingiram níveis equivalentes aos da Guerra Fria. O alerta foi feito pelo representante russo junto à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, Dmitry Polyansky, durante reunião do Conselho Permanente da OSCE em Viena. Moscou acusou governos europeus alinhados à OTAN de ampliarem operações militares, exercícios de guerra e apoio logístico à Ucrânia em territórios próximos à fronteira russa. ©Sean Gallup I Getty Durante a sessão da OSCE realizada em 21 de maio, Polyansky declarou que o aumento da presença militar da OTAN nas regiões fronteiriças representa uma escalada direta contra a segurança russa. Segundo o diplomata, as ações conduzidas pela aliança militar liderada pelos Estados Unidos reproduzem o padrão de confrontação estratégica adotado durante o período da Guerra Fria. “Basicamente, podemos ver que as atividades militares dos países da OTAN ao longo de nossas fronteiras voltaram ao nível da Guerra Fria”, afirmou o representante russo. Polyansky declarou ainda que a situação de segurança europeia sofreu deterioração acelerada devido à política adotada pelos países da OTAN em relação à Rússia. “Se nossa organização, que lida com questões de paz e segurança, tivesse seu próprio Relógio do Juízo Final, teríamos que mover seus ponteiros pelo menos um passo mais perto da meia-noite na última semana”, disse. O diplomata associou o aumento das tensões ao que classificou como “frenesi russófobo” das elites políticas europeias alinhadas às diretrizes militares da OTAN. Segundo Polyansky, governos europeus ampliaram apoio operacional à Ucrânia em ações direcionadas contra território russo. De acordo com o representante russo, Kiev estaria desenvolvendo cenários de sabotagem e ataques contra a Rússia a partir do território da Letônia. Moscou também afirmou que países bálticos e a Polônia autorizaram o uso de seus espaços aéreos para operações com drones conduzidas pela Ucrânia contra alvos russos. As acusações russas surgem em meio à expansão da presença militar da OTAN no norte e no leste europeu após o aprofundamento da guerra por procuração entre a aliança atlântica e a Rússia em território ucraniano. Desde 2022, países membros da OTAN ampliaram exercícios militares, deslocamento de tropas e sistemas de vigilância próximos às fronteiras russas. Polyansky também citou o exercício militar Narrow Waters 26-1, iniciado recentemente no Golfo da Finlândia próximo às águas territoriais russas. Segundo o diplomata, a operação integra a sequência de exercícios conduzidos pela OTAN na região do Ártico e do Báltico. O exercício sucede o Cold Response, operação militar de inverno encerrada em 19 de março nas águas costeiras do norte da Noruega e da Finlândia. O Cold Response mobilizou forças terrestres, navais e aéreas da OTAN em manobras voltadas para cenários de combate em regiões próximas ao território russo. A ampliação das operações militares da OTAN ocorre paralelamente ao ingresso formal da Finlândia e da Suécia na aliança militar liderada pelos Estados Unidos, processo que expandiu a presença estratégica da organização no Mar Báltico e no norte europeu.
- Rússia: A questão nuclear só pode ser resolvida levando-se em consideração os interesses do Irã.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quinta-feira que a questão nuclear iraniana só pode ser resolvida por meios políticos e diplomáticos baseados no direito internacional. Moscou declarou apoio ao direito do Irã de desenvolver um programa nuclear pacífico e rejeitou tentativas estadunidenses de impor controle externo sobre o enriquecimento de urânio iraniano após a escalada militar conduzida por Washington e Israel contra a República Islâmica. As declarações foram feitas em meio à continuidade das negociações indiretas entre Teerã e Washington sob mediação paquistanesa e após o fracasso da ofensiva militar lançada contra o Irã. Maria Zakharova ©REUTERS Durante coletiva de imprensa realizada em Moscou na quinta-feira, Maria Zakharova afirmou que a crise em torno do programa nuclear iraniano foi produzida pela política de pressão conduzida pelos Estados Unidos após o fracasso do ataque militar coordenado entre Washington e Israel contra a República Islâmica. “A questão nuclear iraniana só pode ser resolvida por meios políticos e diplomáticos, com base no direito internacional e levando em consideração os interesses do Irã”, declarou a diplomata russa. Zakharova reiterou a posição do governo russo em defesa do direito iraniano ao desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins civis em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear. “A Rússia mantém sua posição de princípio sobre o direito inalienável do Irã de desenvolver um programa nuclear pacífico em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear”, afirmou. A representante do governo russo declarou que qualquer decisão relacionada ao estoque de urânio enriquecido iraniano deve ser tomada exclusivamente por Teerã. Segundo Zakharova, a definição sobre o destino do material nuclear iraniano não cabe aos Estados Unidos nem a potências ocidentais envolvidas na campanha de sanções e ameaças militares contra o país. “Somente o povo iraniano pode determinar como exercer esse direito, inclusive no contexto do enriquecimento de urânio e do material nuclear à sua disposição”, declarou. A diplomata também afirmou que Moscou está disposta a participar das negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos caso ambas as partes considerem necessária alguma forma de assistência técnica ou política envolvendo o tema nuclear. “A Rússia está totalmente preparada para auxiliar o Irã e os Estados Unidos na implementação de quaisquer decisões sobre urânio enriquecido que possam ser tomadas durante as negociações”, disse Zakharova. Questionada sobre os detalhes das trocas de mensagens entre Teerã e Washington, a porta-voz afirmou que as negociações permanecem sob sigilo diplomático. “Entendo que vocês estejam interessados nos detalhes desses processos de negociação, mas essas informações permanecerão confidenciais por enquanto”, declarou. Autoridades iranianas confirmaram que a troca de mensagens entre o Irã e os Estados Unidos continua sob mediação do Paquistão. Nas últimas semanas, Washington apresentou propostas ao governo iraniano após a interrupção da ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro. A escalada militar começou com ataques conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, incluindo o martírio de Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica. Em resposta, o Irã lançou mais de 100 ondas de ataques retaliatórios contra posições militares estadunidenses na região e contra alvos israelenses nos territórios ocupados. Em 7 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou cessar-fogo unilateral após os ataques iranianos contra instalações militares estratégicas estadunidenses. Posteriormente, Washington prorrogou o cessar-fogo e anunciou o cancelamento de novas operações militares planejadas contra a República Islâmica. O governo iraniano mantém a posição de que não retomará negociações nucleares formais enquanto suas condições não forem atendidas. Entre as exigências apresentadas por Teerã estão o fim das agressões militares em todas as frentes, a retirada do bloqueio naval imposto ao país e o levantamento das sanções econômicas aplicadas pelos Estados Unidos e seus aliados.
- A tensão em torno do Ebola aumenta após um centro de tratamento ser incendiado na RDCongo
Moradores da cidade de Rwampara, no leste da República Democrática do Congo, incendiaram um centro de tratamento de Ebola após autoridades impedirem a retirada do corpo de um homem morto pela doença. O ataque ocorreu na província de Ituri, região marcada por deslocamentos populacionais, presença de grupos armados e destruição da infraestrutura pública após décadas de intervenção estrangeira e exploração mineral. A escalada da revolta popular expôs o nível de desconfiança contra as autoridades congolesas e organismos internacionais envolvidos na resposta ao surto. Autoridades de saúde correm para conter surto mortal de Ebola no Congo. | Foto Michel Lunanga/Getty Images O ataque foi registrado na quinta-feira, 21 de maio, em Rwampara, cidade localizada no epicentro do atual surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo. Segundo testemunhas ouvidas pela Associated Press, um grupo de jovens invadiu as instalações após as autoridades sanitárias recusarem a entrega do corpo de um homem apontado como vítima da doença. Os manifestantes incendiaram partes do centro de tratamento durante a invasão. Um repórter da Associated Press presente no local afirmou ter visto pessoas destruindo o prédio, queimando objetos internos e ateando fogo ao que parecia ser o corpo de ao menos uma vítima armazenada no local. Trabalhadores humanitários abandonaram as instalações em veículos durante o ataque. “A polícia interveio para tentar acalmar a situação, mas infelizmente não teve sucesso”, declarou Alexis Burata, estudante da região entrevistado pela Associated Press. “Os jovens acabaram incendiando o centro.” O episódio ocorreu em meio à ampliação das tensões entre comunidades locais e autoridades sanitárias responsáveis pela contenção do Ebola. O governo congolês e agências internacionais de saúde determinaram que vítimas da doença sejam enterradas apenas por equipes especializadas utilizando equipamentos de proteção, devido ao alto risco de transmissão por contato com os corpos. As restrições impostas aos rituais funerários tradicionais alimentaram confrontos entre moradores e autoridades. Em diversas regiões do Congo, cerimônias de despedida incluem lavagem do corpo, contato físico com o falecido e reuniões familiares numerosas, práticas classificadas pelas autoridades sanitárias como vetores de transmissão do vírus. “A família, os amigos e outros jovens queriam levar o corpo dele para casa para o funeral, mesmo que as instruções das autoridades durante este surto de Ebola sejam claras”, afirmou Jean Claude Mukendi, vice-comissário sênior e chefe de segurança pública da província de Ituri. “Todos os corpos devem ser enterrados de acordo com os regulamentos.” A imposição dessas medidas ampliou a percepção de que as autoridades sanitárias e organizações internacionais atuam sem diálogo com as comunidades afetadas. Famílias impedidas de realizar ritos funerários passaram a questionar os procedimentos adotados dentro dos centros de tratamento e denunciar ausência de transparência sobre o destino dos corpos. Hama Amadou, coordenador de campo da organização humanitária ALIMA, declarou que a situação foi posteriormente controlada e que as equipes retomaram as operações em Rwampara após o ataque. A crise sanitária ocorre em uma das regiões mais instáveis do continente africano. O leste da República Democrática do Congo enfrenta deslocamentos populacionais, conflitos armados e colapso dos serviços públicos após décadas de guerras internas e exploração de recursos minerais por empresas estrangeiras e redes ligadas ao mercado internacional de coltan, ouro e cobalto. A Organização Mundial da Saúde declarou o surto de Ebola uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Segundo a OMS, fatores como violência armada, deslocamento de populações e desconfiança popular dificultam as operações de contenção da doença e comprometem o trabalho das equipes médicas na região.
- Caso Epstein: Reino Unido divulga documentos sobre Andrew
O governo britânico divulgou nesta quinta-feira documentos sobre a atuação do príncipe Andrew como representante comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011. Os arquivos mostram apoio da rainha Elizabeth II à presença do filho em missões voltadas à promoção de negócios britânicos no exterior e revelam preocupações internas sobre os impactos políticos de sua exposição pública. A publicação ocorre após pressão de parlamentares por transparência sobre as relações do integrante da monarquia com operadores financeiros, empresários e figuras ligadas ao caso Jeffrey Epstein. Príncipe Andrew, Duque de York (Andrew Albert Christian Edward) ©THE GUARDIAN Os documentos tornados públicos pelo governo britânico detalham a atuação de Andrew, irmão do rei Charles III, como representante especial para comércio e investimentos internacionais do Reino Unido durante a década de 2000. O material foi divulgado após pedidos formais apresentados por parlamentares e questionamentos públicos envolvendo o papel político desempenhado pelo integrante da família real em agendas diplomáticas e comerciais. Segundo informações publicadas pelo g1, Andrew ocupou a função entre 2001 e 2011, período no qual participou de viagens internacionais, encontros diplomáticos e negociações voltadas à promoção de interesses econômicos britânicos em diversos países. Embora o cargo não fosse remunerado, a função colocava o príncipe em posição de interlocução com empresários, governos estrangeiros e representantes do setor financeiro internacional. Os arquivos divulgados mostram que a rainha Elizabeth II apoiava diretamente a permanência do filho no cargo. Um dos registros apresentados pelo governo menciona o interesse da monarca em manter Andrew em posição de destaque na política comercial britânica, vinculando sua atuação à estratégia de expansão econômica internacional do Reino Unido. Parte dos documentos internos também registra preocupação de autoridades britânicas sobre os riscos políticos e diplomáticos relacionados à figura do então príncipe. Um memorando citado pela reportagem do g1 afirmava que o elevado grau de exposição pública de Andrew exigia “atenção especial” na organização de eventos oficiais e contatos internacionais. A divulgação ocorre meses após parlamentares britânicos acusarem Andrew de priorizar relações pessoais com Jeffrey Epstein em detrimento dos interesses institucionais do Reino Unido. Epstein, financista estadunidense acusado de exploração sexual e tráfico de menores, manteve relações com empresários, políticos e integrantes da aristocracia ocidental durante décadas antes de sua prisão em 2019. Os documentos também revelam que não houve verificação formal de antecedentes antes da nomeação de Andrew para o cargo diplomático-comercial. Segundo o g1, a informação foi confirmada ao Parlamento britânico pelo ministro Chris Bryant durante debates sobre transparência institucional e responsabilidade pública da monarquia. Os arquivos analisados tratam da função diplomática e comercial exercida por Andrew dentro da estrutura do governo britânico. Durante os dez anos em que ocupou o cargo, o príncipe participou de missões voltadas à abertura de mercados, promoção de investimentos e aproximação com governos estrangeiros em nome dos interesses econômicos britânicos. A divulgação reacendeu debates no Reino Unido sobre a relação entre a monarquia britânica e estruturas de poder político e financeiro ligadas ao Estado. Parlamentares e organizações voltaram a questionar a ausência de mecanismos de fiscalização sobre integrantes da família real envolvidos em funções diplomáticas e comerciais durante o período de expansão internacional do capital britânico após as políticas neoliberais implementadas desde os anos 1980.
- Movimento de Solidariedade do Equador apoia Raúl Castro e Cuba
O Comitê Coordenador Equatoriano de Amizade e Solidariedade com Cuba divulgou nesta quinta-feira um manifesto de apoio a Raúl Castro após o Departamento de Justiça estadunidense apresentar acusações relacionadas ao abate de dois aviões da organização Irmãos ao Resgate em 1996. A organização afirmou que as acusações fazem parte de uma operação política conduzida pelos Estados Unidos contra a soberania cubana e contra dirigentes históricos da Revolução Cubana. O posicionamento foi publicado em Quito em meio à retomada de ações judiciais e pressões diplomáticas estadunidenses contra Cuba. Raul Castro durante cerimônia em Cuba em 26 de julho de 2022. | Foto: Alexandre Meneghini / REUTERS Em nota divulgada em 21 de maio, o Comitê Coordenador Equatoriano de Amizade e Solidariedade com Cuba expressou “a mais forte solidariedade” ao líder histórico da Revolução Cubana, Raúl Castro, descrito pela organização como “um exemplo de dignidade, soberania e resistência diante da constante agressão imperial”. O comunicado denuncia aquilo que classificou como uma “enxurrada de acusações” promovida pelo governo estadunidense contra o General do Exército cubano. Segundo o texto, as medidas judiciais e políticas adotadas por Washington não podem ser analisadas separadamente do histórico de bloqueio econômico, operações de desestabilização, sanções e pressões mantidas pelos Estados Unidos contra Cuba desde o triunfo da Revolução de 1959. A organização afirmou que rejeita “qualquer ação que busque criminalizar a luta de um povo e seus líderes por meio de campanhas midiáticas, judiciais ou políticas”. O texto sustenta que a ofensiva contra Raúl Castro busca atingir simbolicamente a autodeterminação do povo cubano e deslegitimar o processo revolucionário construído após a derrubada da ditadura de Fulgencio Batista, sustentada por Washington até janeiro de 1959. Segundo o manifesto, as acusações apresentadas pelo Departamento de Justiça estadunidense fazem parte de uma política histórica de intervenção contra Cuba. O documento afirma que “as acusações contra o líder cubano não podem ser dissociadas da longa história de bloqueio, intervenção e pressão que os Estados Unidos mantêm contra a ilha há décadas”. A entidade também reiterou apoio ao direito de Cuba de preservar sua soberania política sem interferência externa. “O Comitê Coordenador defende o direito de Cuba de decidir seu próprio destino, preservar sua soberania e continuar construindo seu projeto social sem interferência externa”, afirma o comunicado. O texto acrescenta que a perseguição judicial contra Raúl Castro representa “um ataque simbólico contra a autodeterminação do povo cubano”. A nota associa a iniciativa estadunidense ao endurecimento da política externa de Washington contra governos latino-americanos que mantêm posições de enfrentamento às diretrizes econômicas e geopolíticas dos Estados Unidos. A declaração foi publicada um dia após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentar acusações contra Raúl Castro relacionadas ao episódio ocorrido em 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização Irmãos ao Resgate foram abatidos após incursões no espaço aéreo cubano. O governo cubano sustentou na época que as aeronaves haviam violado repetidamente o espaço aéreo nacional. A organização Irmãos ao Resgate realizava operações aéreas próximas ao território cubano durante a década de 1990, período marcado pelo endurecimento do bloqueio econômico estadunidense após a dissolução da União Soviética e pela aprovação da Lei Helms-Burton em 1996, que ampliou as sanções contra Havana.
- BDF: Entidades pedem que STF derrube escolas cívico-militares de Tarcísio
Uma coalizão formada por mais de 100 organizações da sociedade civil, entidades de direitos humanos e movimentos ligados à educação divulgou manifesto exigindo que o Supremo Tribunal Federal declare inconstitucional o Programa Escola Cívico-Militar implementado pelo governo de São Paulo. O documento foi publicado às vésperas do julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade 7662 e 7675, marcado pelo STF entre os dias 22 e 29 de maio de 2026. As entidades acusam o governo de Tarcísio de Freitas de utilizar recursos da educação pública para financiar estruturas militarizadas dentro das escolas estaduais e de impor um modelo baseado em repressão, hierarquia e censura. Escolas cívico-militares, Brasil ©ARQUIVO O manifesto contesta a Lei Complementar estadual 1.398 de 2024, aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo para instituir o Programa Escola Cívico-Militar na rede pública estadual. Segundo o documento, a legislação viola dispositivos constitucionais ligados à gestão democrática da educação, aos direitos de crianças e adolescentes e à autonomia pedagógica das instituições de ensino. As organizações afirmam que o modelo introduz mecanismos disciplinares incompatíveis com os objetivos da educação pública previstos na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. “O modelo militarizado não contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes, seu preparo para o exercício da cidadania e para a promoção de sua autonomia e emancipação. Ao contrário, a hierarquia rígida e a disciplina inflexível que permeiam esse modelo promovem o silenciamento, a submissão e a obediência acrítica às regras impostas e à autoridade”, afirma a carta. O texto sustenta que a militarização das escolas transfere para dentro do ambiente educacional práticas ligadas à lógica policial e à estrutura de comando militar. As entidades apontam que a presença de policiais militares da reserva em funções administrativas e disciplinares não encontra respaldo na legislação educacional brasileira. Segundo o manifesto, a Lei de Diretrizes e Bases não inclui policiais militares entre os profissionais autorizados a exercer atividades de gestão escolar. Um dos pontos centrais da contestação envolve o uso de recursos públicos da educação para financiar gratificações destinadas a militares da reserva. O projeto do governador Tarcísio de Freitas estabelece pagamento adicional de R$ 284,62 por jornada de oito horas para policiais militares atuarem nas escolas estaduais. O valor garante remuneração mensal de aproximadamente R$ 5.700 para jornadas de 40 horas semanais. O benefício pode alcançar acréscimo de 50% em casos de oficiais coordenadores. As entidades destacam que a remuneração paga aos militares supera o salário inicial dos professores da rede estadual paulista. De acordo com os dados citados no manifesto, o piso de entrada da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para docentes da educação básica em jornada de 40 horas semanais é de R$ 4.505 mensais. O documento também afirma que o programa aprofunda desigualdades dentro das escolas ao estabelecer estruturas paralelas de autoridade subordinadas ao aparato policial. As organizações sustentam que a presença de agentes militares dentro das unidades cria ambiente de vigilância e pressão sobre professores, estudantes e funcionários. Segundo o manifesto, a adoção de regras disciplinares baseadas em obediência irrestrita incentiva práticas de censura e autocensura entre docentes. O texto afirma que o modelo compromete a liberdade pedagógica e interfere na livre organização sindical dos trabalhadores da educação. As entidades também relacionam a militarização das escolas à reprodução de discriminações dentro do ambiente escolar. O documento afirma que unidades administradas sob lógica militar tendem a impor padrões estéticos associados à branquitude, além de restringir manifestações de afeto e expressões ligadas à orientação sexual e identidade de gênero de estudantes LGBTQIA+. O manifesto registra ainda denúncias sobre ampliação de casos de assédio psicológico, moral e sexual em ambientes submetidos à disciplina militarizada. As organizações argumentam que a estrutura hierárquica adotada pelo programa favorece mecanismos de intimidação e punição contra estudantes e trabalhadores da educação. O texto relembra que a aprovação da lei ocorreu em 2024 sob repressão da Polícia Militar contra professores, estudantes e manifestantes presentes nas galerias da Assembleia Legislativa de São Paulo. Na ocasião, tropas de choque foram mobilizadas para conter protestos contra a votação do projeto. As entidades afirmam que a repressão policial utilizada durante a tramitação da proposta expressa a política de segurança adotada pelo governo estadual. O manifesto classifica a gestão de segurança pública do governo Tarcísio de Freitas como a mais letal dos últimos seis anos em São Paulo e cita o registro de 834 mortes por intervenção policial no estado apenas em 2025. O documento também aponta incompatibilidade entre o programa paulista e o Plano Nacional de Educação aprovado em abril de 2026. Segundo as organizações, a Lei nº 15.388, sancionada em 14 de abril após debates no Congresso Nacional, não reconhece fundamentos pedagógicos ou financeiros para implantação de modelos militarizados em escolas públicas civis. As entidades afirmam que o Programa Escola Cívico-Militar opera fora das diretrizes nacionais de ensino e acusam o governo estadual de utilizar o aparato educacional como instrumento de expansão de políticas de controle social associadas à militarização da vida pública.










