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A tensão em torno do Ebola aumenta após um centro de tratamento ser incendiado na RDCongo

Moradores da cidade de Rwampara, no leste da República Democrática do Congo, incendiaram um centro de tratamento de Ebola após autoridades impedirem a retirada do corpo de um homem morto pela doença. O ataque ocorreu na província de Ituri, região marcada por deslocamentos populacionais, presença de grupos armados e destruição da infraestrutura pública após décadas de intervenção estrangeira e exploração mineral. A escalada da revolta popular expôs o nível de desconfiança contra as autoridades congolesas e organismos internacionais envolvidos na resposta ao surto.


Autoridades de saúde correm para conter surto mortal de Ebola no Congo. | Foto Michel Lunanga/Getty Images
Autoridades de saúde correm para conter surto mortal de Ebola no Congo. | Foto Michel Lunanga/Getty Images

O ataque foi registrado na quinta-feira, 21 de maio, em Rwampara, cidade localizada no epicentro do atual surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo. Segundo testemunhas ouvidas pela Associated Press, um grupo de jovens invadiu as instalações após as autoridades sanitárias recusarem a entrega do corpo de um homem apontado como vítima da doença.


Os manifestantes incendiaram partes do centro de tratamento durante a invasão. Um repórter da Associated Press presente no local afirmou ter visto pessoas destruindo o prédio, queimando objetos internos e ateando fogo ao que parecia ser o corpo de ao menos uma vítima armazenada no local. Trabalhadores humanitários abandonaram as instalações em veículos durante o ataque.


“A polícia interveio para tentar acalmar a situação, mas infelizmente não teve sucesso”, declarou Alexis Burata, estudante da região entrevistado pela Associated Press. “Os jovens acabaram incendiando o centro.”


O episódio ocorreu em meio à ampliação das tensões entre comunidades locais e autoridades sanitárias responsáveis pela contenção do Ebola. O governo congolês e agências internacionais de saúde determinaram que vítimas da doença sejam enterradas apenas por equipes especializadas utilizando equipamentos de proteção, devido ao alto risco de transmissão por contato com os corpos.


As restrições impostas aos rituais funerários tradicionais alimentaram confrontos entre moradores e autoridades. Em diversas regiões do Congo, cerimônias de despedida incluem lavagem do corpo, contato físico com o falecido e reuniões familiares numerosas, práticas classificadas pelas autoridades sanitárias como vetores de transmissão do vírus.


“A família, os amigos e outros jovens queriam levar o corpo dele para casa para o funeral, mesmo que as instruções das autoridades durante este surto de Ebola sejam claras”, afirmou Jean Claude Mukendi, vice-comissário sênior e chefe de segurança pública da província de Ituri. “Todos os corpos devem ser enterrados de acordo com os regulamentos.”


A imposição dessas medidas ampliou a percepção de que as autoridades sanitárias e organizações internacionais atuam sem diálogo com as comunidades afetadas. Famílias impedidas de realizar ritos funerários passaram a questionar os procedimentos adotados dentro dos centros de tratamento e denunciar ausência de transparência sobre o destino dos corpos.


Hama Amadou, coordenador de campo da organização humanitária ALIMA, declarou que a situação foi posteriormente controlada e que as equipes retomaram as operações em Rwampara após o ataque.


A crise sanitária ocorre em uma das regiões mais instáveis do continente africano. O leste da República Democrática do Congo enfrenta deslocamentos populacionais, conflitos armados e colapso dos serviços públicos após décadas de guerras internas e exploração de recursos minerais por empresas estrangeiras e redes ligadas ao mercado internacional de coltan, ouro e cobalto.


A Organização Mundial da Saúde declarou o surto de Ebola uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Segundo a OMS, fatores como violência armada, deslocamento de populações e desconfiança popular dificultam as operações de contenção da doença e comprometem o trabalho das equipes médicas na região.

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