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Agências da ONU intensificam resposta ao Ebola no leste da RDCongo

A Organização Mundial da Saúde declarou em 21 de maio uma emergência de saúde pública internacional após o avanço de um novo surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo. Agências da ONU, forças de paz da MONUSCO e estruturas logísticas ligadas ao aparato internacional iniciaram uma operação de transporte aéreo de suprimentos, pessoal médico e equipamentos para a província de Ituri. O novo surto ocorre em uma região marcada por décadas de intervenção armada, exploração mineral e presença de grupos armados alimentados pela disputa internacional por recursos estratégicos no centro da África.


República Democrática do Congo vive novo maior surto de ebola - arquivo
República Democrática do Congo vive novo maior surto de ebola - arquivo

A ONU informou que as operações começaram após a declaração oficial do surto em 15 de maio na província de Ituri, no leste congolês. Em 72 horas, a Organização Mundial da Saúde transportou 11,5 toneladas de suprimentos médicos e equipamentos a partir de Kinshasa, Dakar e Nairóbi. A carga incluiu equipamentos de proteção individual, kits médicos, tendas, materiais de água e saneamento e itens de higiene utilizados para contenção do vírus.


A Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, conhecida como MONUSCO, iniciou uma ponte aérea entre Nairóbi e Bunia, capital de Ituri, utilizando recursos militares e logísticos da operação de paz mantida pela ONU no país africano. Segundo a própria missão, quase 30 toneladas de suprimentos haviam sido transportadas até quarta-feira, 20 de maio. A operação incluiu o envio de quatro veículos e duas motocicletas para reforçar a estrutura logística em Bunia.

Os chamados “capacetes azuis” passaram a atuar também em campanhas de conscientização em localidades como Tchabi, no território de Irumi, a cerca de 120 quilômetros de Bunia, e em Fataki, onde vivem deslocados internos atingidos pela violência armada. Equipes utilizaram alto-falantes para orientar moradores sobre lavagem das mãos, reconhecimento de sintomas do Ebola e riscos relacionados ao consumo de carne de caça.


A MONUSCO declarou que as ações buscam “melhorar a preparação comunitária, reduzir o pânico e proteger populações vulneráveis”. A presença da missão ocorre em um território submetido há décadas a operações militares internacionais sob justificativa humanitária, enquanto o país segue fragmentado por milícias armadas e disputas ligadas ao controle de minerais estratégicos utilizados pela indústria tecnológica global.


O Programa Mundial de Alimentos afirmou que o surto se soma a uma crise humanitária já instalada no leste do Congo. Segundo o órgão da ONU, 26,5 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda em todo o território congolês. Desse total, 10 milhões vivem em Ituri e em outras três províncias orientais afetadas por confrontos armados e deslocamentos populacionais.


Somente em Ituri, cerca de 1,7 milhão de pessoas estão em níveis de fome classificados como “crise ou pior”. O Programa Mundial de Alimentos declarou que o epicentro do atual surto está localizado “no coração das áreas operacionais” da agência no leste do Congo. A estrutura da ONU passou a transportar trabalhadores humanitários, medicamentos e cargas para áreas de difícil acesso, além de fornecer alimentação para pacientes, sobreviventes, contatos monitorados e famílias afetadas.


O órgão informou ainda que necessita de mais de US$ 214 milhões para manter suas operações no Congo e de mais de US$ 10 milhões destinados apenas à resposta ao Ebola. A dependência financeira das agências humanitárias expõe a permanência de um modelo internacional baseado em intervenções emergenciais contínuas, enquanto estruturas econômicas e políticas responsáveis pela instabilidade regional permanecem intactas.


O Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, afirmou que crianças estão entre os grupos mais atingidos pelo surto. Segundo a agência, menores enfrentam interrupção de serviços essenciais, perda de familiares, estigmatização e aumento de riscos sociais ligados à crise sanitária.


O UNICEF informou ter mobilizado quase 50 toneladas de materiais, incluindo sabão, desinfetantes, equipamentos de proteção individual, tanques de água e pastilhas de purificação. Uma equipe de resposta rápida foi enviada para Bunia para atuar em comunicação de risco e mobilização comunitária.

Mesmo com mais de 2 mil agentes comunitários de saúde atuando na região, a ONU declarou que há falta de recursos e de pessoal em áreas isoladas do leste congolês. A limitação operacional ocorre em um território marcado pela destruição de infraestrutura pública após décadas de dependência econômica externa, guerra regionalizada e programas internacionais de ajuste econômico impostos ao país desde os anos 1980.


A República Democrática do Congo registrou 17 surtos de Ebola desde a descoberta do vírus há 50 anos. O atual avanço da doença é provocado pela cepa Bundibugyo, para a qual não existem vacinas nem tratamentos específicos aprovados.


Segundo dados apresentados pela ONU, o Congo soma 139 mortes e cerca de 600 casos suspeitos. Uganda confirmou dois casos da doença. A Organização Mundial da Saúde classificou o surto como emergência de saúde pública de interesse internacional, mecanismo utilizado para coordenação entre governos e organismos multilaterais, mas declarou que a situação ainda não constitui uma emergência pandêmica.

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