Rússia: A questão nuclear só pode ser resolvida levando-se em consideração os interesses do Irã.
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A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quinta-feira que a questão nuclear iraniana só pode ser resolvida por meios políticos e diplomáticos baseados no direito internacional. Moscou declarou apoio ao direito do Irã de desenvolver um programa nuclear pacífico e rejeitou tentativas estadunidenses de impor controle externo sobre o enriquecimento de urânio iraniano após a escalada militar conduzida por Washington e Israel contra a República Islâmica. As declarações foram feitas em meio à continuidade das negociações indiretas entre Teerã e Washington sob mediação paquistanesa e após o fracasso da ofensiva militar lançada contra o Irã.

Durante coletiva de imprensa realizada em Moscou na quinta-feira, Maria Zakharova afirmou que a crise em torno do programa nuclear iraniano foi produzida pela política de pressão conduzida pelos Estados Unidos após o fracasso do ataque militar coordenado entre Washington e Israel contra a República Islâmica.
“A questão nuclear iraniana só pode ser resolvida por meios políticos e diplomáticos, com base no direito internacional e levando em consideração os interesses do Irã”, declarou a diplomata russa.
Zakharova reiterou a posição do governo russo em defesa do direito iraniano ao desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins civis em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear. “A Rússia mantém sua posição de princípio sobre o direito inalienável do Irã de desenvolver um programa nuclear pacífico em conformidade com o Tratado de Não Proliferação Nuclear”, afirmou.
A representante do governo russo declarou que qualquer decisão relacionada ao estoque de urânio enriquecido iraniano deve ser tomada exclusivamente por Teerã. Segundo Zakharova, a definição sobre o destino do material nuclear iraniano não cabe aos Estados Unidos nem a potências ocidentais envolvidas na campanha de sanções e ameaças militares contra o país.
“Somente o povo iraniano pode determinar como exercer esse direito, inclusive no contexto do enriquecimento de urânio e do material nuclear à sua disposição”, declarou.
A diplomata também afirmou que Moscou está disposta a participar das negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos caso ambas as partes considerem necessária alguma forma de assistência técnica ou política envolvendo o tema nuclear.
“A Rússia está totalmente preparada para auxiliar o Irã e os Estados Unidos na implementação de quaisquer decisões sobre urânio enriquecido que possam ser tomadas durante as negociações”, disse Zakharova.
Questionada sobre os detalhes das trocas de mensagens entre Teerã e Washington, a porta-voz afirmou que as negociações permanecem sob sigilo diplomático. “Entendo que vocês estejam interessados nos detalhes desses processos de negociação, mas essas informações permanecerão confidenciais por enquanto”, declarou.
Autoridades iranianas confirmaram que a troca de mensagens entre o Irã e os Estados Unidos continua sob mediação do Paquistão. Nas últimas semanas, Washington apresentou propostas ao governo iraniano após a interrupção da ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro.
A escalada militar começou com ataques conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, incluindo o martírio de Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica. Em resposta, o Irã lançou mais de 100 ondas de ataques retaliatórios contra posições militares estadunidenses na região e contra alvos israelenses nos territórios ocupados.
Em 7 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou cessar-fogo unilateral após os ataques iranianos contra instalações militares estratégicas estadunidenses. Posteriormente, Washington prorrogou o cessar-fogo e anunciou o cancelamento de novas operações militares planejadas contra a República Islâmica.
O governo iraniano mantém a posição de que não retomará negociações nucleares formais enquanto suas condições não forem atendidas. Entre as exigências apresentadas por Teerã estão o fim das agressões militares em todas as frentes, a retirada do bloqueio naval imposto ao país e o levantamento das sanções econômicas aplicadas pelos Estados Unidos e seus aliados.



































