A Palestina retira a candidatura de seu diplomata ao cargo de vice-presidente da Assembleia Geral da ONU
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A missão palestina na Organização das Nações Unidas retirou a candidatura de seu representante ao cargo de vice-presidente da Assembleia Geral da ONU após movimentações diplomáticas lideradas por aliados de Israel e dos Estados Unidos. A decisão ocorreu durante negociações internas do grupo Ásia-Pacífico, responsável pela indicação rotativa para postos da Assembleia Geral. O episódio expôs o isolamento imposto à representação palestina dentro das estruturas multilaterais controladas por potências estadunidenses e europeias.

A candidatura palestina havia sido apresentada para um dos postos de vice-presidência da 79ª sessão da Assembleia Geral da ONU, prevista para iniciar em setembro de 2024. Diplomatas consultados por agências internacionais afirmaram que a retirada ocorreu após objeções de delegações alinhadas a Washington e Tel Aviv. O cargo integra a mesa diretora da Assembleia Geral, composta por um presidente e 21 vice-presidentes distribuídos entre blocos regionais.
A representação palestina obteve, em maio de 2024, apoio majoritário da Assembleia Geral para ampliar sua participação dentro das Nações Unidas. Na votação realizada em 10 de maio, 143 países apoiaram a resolução que reconheceu novas prerrogativas diplomáticas para a Palestina, enquanto nove votaram contra e 25 se abstiveram. Estados Unidos e Israel lideraram a oposição à medida.
A resolução aprovada autorizou a Palestina a ocupar assento entre os Estados-membros na Assembleia Geral, apresentar propostas e participar de comissões, embora sem direito a voto. O texto também reconheceu que o Estado da Palestina “está qualificado para adesão plena” à ONU, retomando o debate bloqueado no Conselho de Segurança pelas sucessivas intervenções estadunidenses.
Em abril de 2024, os Estados Unidos utilizaram poder de veto no Conselho de Segurança para impedir a admissão plena da Palestina nas Nações Unidas. Doze membros votaram a favor da medida, enquanto Reino Unido e Suíça se abstiveram. Washington justificou a decisão alegando que o reconhecimento deveria ocorrer por meio de negociações diretas entre israelenses e palestinos, posição mantida pelo Departamento de Estado desde os Acordos de Oslo assinados em 1993.
A retirada da candidatura palestina ocorreu em meio ao genocídio conduzido por Israel na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. Dados do Ministério da Saúde de Gaza apontavam, até meados de 2024, mais de 36 mil palestinos mortos e dezenas de milhares de feridos após bombardeios israelenses apoiados política e militarmente pelos Estados Unidos. A ofensiva destruiu hospitais, escolas, universidades, campos de refugiados e redes de abastecimento de água e eletricidade.
A missão palestina na ONU não divulgou comunicado detalhando os motivos da retirada. Diplomatas ouvidos pela agência Reuters afirmaram que a decisão buscou evitar confronto diplomático durante as negociações internas da Assembleia Geral. O jornal The Times of Israel informou que representantes israelenses atuaram junto a delegações regionais para bloquear a indicação palestina.
O posto de vice-presidente da Assembleia Geral possui função protocolar e administrativa dentro das sessões plenárias da ONU. Os vice-presidentes substituem o presidente da Assembleia em reuniões e coordenam procedimentos internos do órgão. Apesar do caráter administrativo do cargo, a disputa tornou-se parte da ofensiva diplomática conduzida por Israel e pelos Estados Unidos contra qualquer ampliação do reconhecimento internacional da Palestina.
A Palestina possui status de Estado observador não membro da ONU desde novembro de 2012, quando a Assembleia Geral aprovou resolução por 138 votos favoráveis. Estados Unidos, Israel, Canadá e outros aliados ocidentais votaram contra a medida. Desde então, governos palestinos ampliaram adesão a organismos internacionais e tratados multilaterais, incluindo o Tribunal Penal Internacional.
O governo israelense mantém oposição à admissão plena da Palestina na ONU e a qualquer reconhecimento internacional fora de negociações bilaterais controladas por Tel Aviv e Washington. Autoridades israelenses afirmam que iniciativas palestinas em organismos multilaterais representam “medidas unilaterais”, enquanto o governo estadunidense continua utilizando mecanismos diplomáticos e militares para proteger Israel de sanções internacionais relacionadas ao genocídio em Gaza.



































