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Após fugir do Brasil, Alexandre Ramagem é detido pelo ICE nos Estados Unidos

O ex-diretor da Abin e ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi detido em 13 de abril de 2026 pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida. A prisão ocorreu por volta das 12h, no horário de Brasília, segundo confirmação da Polícia Federal. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão, ele era considerado foragido da Justiça brasileira desde setembro de 2025. Autoridades estadunidenses alegaram situação migratória irregular como base para a detenção. O caso envolve cooperação direta entre os governos brasileiro e estadunidense no contexto de extradição.

Alexandre Ramagem | Arquivo
Alexandre Ramagem | Arquivo

Ramagem foi imediatamente conduzido a um centro de detenção em Orlando, enquanto autoridades brasileiras iniciaram os procedimentos para sua repatriação. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que “a prisão é fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado” e destacou que o ex-parlamentar era considerado foragido, além de estar em condição migratória irregular nos Estados Unidos. A interlocução entre os dois países ocorre por vias diplomáticas e policiais, com acompanhamento do processo de extradição iniciado ainda em 2025.

A fuga de Ramagem ocorreu em setembro de 2025, no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, votou pela sua condenação. A decisão resultou na decretação imediata de sua prisão, levando o ex-deputado a deixar o país clandestinamente. De acordo com investigações da Polícia Federal, ele cruzou a fronteira entre o estado de Roraima e a Guiana pela cidade de Bonfim, atravessando um trecho onde apenas um rio separa os dois territórios. O trajeto foi realizado de carro, seguido de embarque aéreo a partir da Guiana com destino a Miami.

Registros oficiais indicam que Ramagem ingressou em território estadunidense em 11 de setembro de 2025. Embora tenha entrado sozinho, passou posteriormente a residir no país com sua esposa e filhos. Aliados próximos sustentavam que ele pretendia solicitar asilo político junto ao governo estadunidense, estratégia recorrente em casos de figuras envolvidas em processos judiciais de alto impacto político em seus países de origem.

A condenação de Ramagem pelo STF o apontou como integrante do núcleo central de uma articulação golpista que buscava manter Jair Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições de 2022. A sentença fixou pena de 16 anos de prisão, com base em provas reunidas ao longo das investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras. O ministro Alexandre de Moraes determinou ainda a inclusão do nome de Ramagem na lista vermelha da Interpol, instrumento que permite a localização e detenção de indivíduos procurados em âmbito internacional.

O pedido formal de extradição foi protocolado em 30 de dezembro de 2025 pelo Ministério da Justiça brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Washington, e encaminhado ao Departamento de Estado estadunidense. Em janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos confirmou ao STF o recebimento da solicitação, dando início aos trâmites legais necessários para eventual repatriação.

Durante o período em que permaneceu foragido, Ramagem sofreu uma série de sanções institucionais no Brasil. Em dezembro de 2025, teve seu mandato de deputado federal cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, em decorrência da condenação criminal. Também perdeu o passaporte diplomático e teve seus vencimentos parlamentares bloqueados por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou notoriedade ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado sofrido pelo então candidato durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora. Posteriormente, assumiu a direção da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro. Sua gestão é alvo de investigações por suposto uso da estrutura estatal para monitoramento ilegal de adversários políticos, caso que ficou conhecido como “Abin Paralela”.

Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da Polícia Federal, mas a indicação foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontou a proximidade entre ambos como incompatível com o cargo. Eleito deputado federal em 2022, Ramagem ainda disputou a prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, terminando em segundo lugar.

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