Arábia Saudita congela contratos com consultores ocidentais
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A Arábia Saudita suspendeu novos contratos com consultorias ocidentais e adiou pagamentos de contratos em vigor durante a escalada da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Dados da Autoridade Geral de Estatísticas saudita mostram que a receita com exportações de petróleo atingiu US$ 24,7 bilhões em março de 2026, o maior nível desde outubro de 2022. O movimento ocorre enquanto Riade reduz megaprojetos ligados ao programa Visão 2030 e amplia gastos militares após ataques iranianos contra o reino.

O jornal Financial Times informou na quinta-feira, 21 de maio, que a suspensão de novos contratos ocorreu após o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Segundo o veículo britânico, executivos de consultorias relataram que pagamentos de faturas existentes foram adiados até o final do segundo trimestre, previsto para junho. O governo saudita negou interrupção de pagamentos.
Parte dos executivos consultados pelo Financial Times atribuiu a decisão ao impacto econômico e político da guerra. O cenário regional alterou rotas de exportação de petróleo e intensificou disputas no Golfo Pérsico, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz por forças iranianas e estadunidenses.
Apesar da guerra, a Arábia Saudita manteve parte relevante de suas exportações energéticas devido ao funcionamento do gasoduto leste-oeste, que conecta o Golfo Pérsico ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A infraestrutura permitiu que Riade contornasse o Estreito de Ormuz, ao contrário de outros países do Golfo dependentes da rota marítima.
Segundo a Autoridade Geral de Estatísticas saudita, as receitas do petróleo alcançaram US$ 24,7 bilhões em março deste ano. O valor representa o maior nível em mais de três anos e foi impulsionado pela elevação dos preços internacionais do petróleo bruto e dos derivados refinados após a guerra regional.
O barril Brent, referência internacional, passou a ser negociado em níveis cerca de 50% superiores aos registrados antes da guerra. Mesmo assim, a Arábia Saudita continuou operando abaixo dos níveis anteriores ao conflito, exportando aproximadamente 70% do volume pré-guerra.
O aumento da arrecadação não eliminou o déficit fiscal saudita. Dados do primeiro trimestre mostram déficit de US$ 33,5 bilhões, enquanto os gastos públicos cresceram 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O governo saudita declarou que ampliou despesas para sustentar a economia nacional durante a instabilidade regional. Os gastos militares cresceram 26% no primeiro trimestre após ataques iranianos com mísseis e drones contra instalações sauditas.
Nos últimos meses, Riade também iniciou redução de projetos ligados ao programa Visão 2030, lançado em 2016 pelo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman. O plano buscava remodelar a economia saudita por meio de grandes obras de infraestrutura e cidades futuristas financiadas pela renda petrolífera.
Entre os projetos afetados está Neom, megacidade planejada no deserto saudita e apresentada como vitrine tecnológica do reino. O projeto previa construções como The Line, cidade linear de 170 quilômetros, além de uma estação de esqui com neve artificial em meio ao deserto da Península Arábica.
A proposta orçamentária prévia para 2026 excluiu completamente o projeto Neom. Em julho de 2025, autoridades sauditas já discutiam cortes de funcionários e redução estrutural das operações do empreendimento diante do custo elevado e da ausência de investidores estrangeiros em escala esperada.
O ministro das Finanças saudita, Mohammed al-Jadaan, declarou em dezembro de 2025 que o governo “não tinha nenhum ego” que impedisse a revisão dos projetos.
Consultorias ocidentais passaram a ocupar posição central na formulação desses programas desde a década de 1950, mas ampliaram presença após o lançamento da Visão 2030. Empresas como McKinsey & Company e Boston Consulting Group participaram do planejamento e da modelagem financeira de projetos ligados a Neom e outras iniciativas do governo saudita.
Relatos publicados anteriormente também expuseram tensões entre executivos estrangeiros e funcionários sauditas envolvidos nos projetos. Wayne Borg, ex-chefe da divisão de mídia de Neom, foi acusado de realizar discursos ofensivos contra o Islã e contra mulheres do Golfo Pérsico durante reuniões internas do projeto.



































