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Central Operária Boliviana exige a renúncia de Rodrigo Paz

A direção da Central Operária Boliviana (COB) declarou em 20 de maio que as bases mobilizadas passaram a exigir diretamente a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz e de seus ministros. O secretário-geral da entidade, Claudio Choque, afirmou à Rádio Éxito que os bloqueios de estradas, os protestos urbanos e os confrontos resultam da crise econômica, da escassez de combustível e da alta dos preços de produtos básicos. A escalada ocorre enquanto o governo amplia a repressão contra lideranças sociais, expede mandados de prisão e tenta enquadrar as mobilizações como ameaça à ordem institucional.


Manifestantes em La Paz | Crédito: AIZAR RALDES / AFP
Manifestantes em La Paz | Crédito: AIZAR RALDES / AFP

Choque declarou que a pressão pela saída do governo não parte apenas das direções sindicais, mas das próprias bases mobilizadas em diferentes regiões do país. “Somos apenas porta-vozes da base”, afirmou o dirigente, ao sustentar que o clamor pela renúncia do presidente e de seus ministros surgiu entre trabalhadores, camponeses e manifestantes que mantêm bloqueios em rodovias e centros urbanos.


Segundo Choque, os mandados de prisão emitidos contra dirigentes sociais, entre eles o líder sindical Mario Argollo, não interromperão os protestos. O dirigente classificou as medidas como uma ação “política” e uma “má decisão”, afirmando que o recurso à repressão pode ampliar a radicalização social. A COB passou a exigir a revogação imediata das ordens judiciais e a libertação dos detidos durante os atos.


O dirigente sindical declarou que aceita dialogar com o governo apenas sob essas condições. Também rejeitou a possibilidade de reuniões na Casa Grande del Pueblo, sede do Executivo boliviano, e propôs um local neutro para qualquer negociação. “O governo precisa descer à realidade e dialogar sinceramente com os setores mobilizados”, afirmou.


As manifestações se intensificaram após semanas de desabastecimento de combustível, aumento no preço de alimentos e paralisações em estradas estratégicas. Choque acusou o Executivo de ignorar as reivindicações apresentadas pelos movimentos sociais antes da escalada dos confrontos. Ele também denunciou ataques realizados por grupos alinhados ao governo contra manifestantes e pediu o encerramento dos confrontos entre setores populares.


O movimento sindical boliviano atravessa uma divisão interna diante da resposta estatal aos protestos. Enquanto parte da base operária e camponesa exige a queda do governo, outros setores organizam atos em defesa da permanência de Rodrigo Paz e contra os bloqueios rodoviários. As mobilizações passaram a afetar o transporte de alimentos e combustíveis em diferentes departamentos do país.

Os protestos também ampliaram a disputa política regional em torno da crise boliviana. O governo dos Estados Unidos classificou os acontecimentos como “um golpe em andamento” e criticou a ausência de alinhamento de governos da região, entre eles Brasil e Colômbia, à posição estadunidense. Washington afirmou que esses países estariam “fechando os olhos” para governos que “talvez não se alinhem com suas preferências políticas”.


A declaração estadunidense ocorreu enquanto lideranças bolivianas acusam Washington de utilizar o discurso institucional para interferir na política interna do país andino. O ex-presidente Evo Morales definiu as mobilizações como “uma revolta popular” contra as reformas defendidas por Rodrigo Paz e contra “a implementação do modelo neoliberal e contra o Estado neocolonial”.


Nas últimas semanas, organizações camponesas e sindicatos ligados ao setor agrícola reafirmaram a greve nacional e passaram a exigir abertamente a renúncia presidencial. Paralelamente, movimentos indígenas e organizações sociais do Equador, como a Conaie, manifestaram solidariedade aos protestos bolivianos.


A crise política se aprofundou após a prisão de mais de 100 manifestantes em operações conduzidas pelas forças de segurança bolivianas durante os protestos contra o governo. A repressão estatal coincidiu com o endurecimento do discurso oficial, que passou a tratar os bloqueios como ameaça à estabilidade institucional e à circulação de produtos básicos no país.


Claudio Choque declarou que os atos de vandalismo registrados em algumas regiões não representam a posição da COB, mas afirmou que a responsabilidade pela deterioração da situação política recai sobre o governo, que, segundo ele, ignorou durante semanas as demandas apresentadas pelos setores mobilizados.

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