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Deputados de SP enviaram R$ 700 mil a entidades ligadas à produtora de “Dark Horse”

Deputados estaduais de São Paulo destinaram ao menos R$ 700 mil em emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os repasses ocorreram entre 2023 e 2026 por meio de indicações de parlamentares do PL e do PT a instituições conectadas à empresária Karina Ferreira da Gama, uma das responsáveis pela GOUP Entertainment. O caso ganhou dimensão nacional após o Intercept Brasil divulgar um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro negocia cerca de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa sobre o ex-presidente.


FILME DARK HORSE ©ARQUIVO
FILME DARK HORSE ©ARQUIVO

O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil em 18 de maio. Segundo os dados apresentados pelos veículos, deputados paulistas enviaram recursos públicos a entidades relacionadas à estrutura empresarial da GOUP Entertainment desde 2023.


A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) indicou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil em 2023 para aquisição de equipamentos. O valor foi pago em dezembro daquele ano. O instituto aparece entre as entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama.


Em 2025, o deputado estadual Lucas Bove (PL) tentou direcionar R$ 213 mil ao mesmo instituto para um projeto esportivo. O governo de São Paulo bloqueou a emenda antes da liberação dos recursos. Segundo declaração do parlamentar à CNN Brasil, ele recebeu “um projeto que parecia interessante para a área da educação”, mas afirmou ter redirecionado a verba “por ausência de documentos do proponente”. A CNN informou que aguardava posicionamento do governo estadual sobre os motivos do bloqueio.


No mesmo ano, o deputado Gil Diniz (PL) indicou R$ 200 mil para a Academia Nacional de Cultura, outra entidade ligada à produtora. O recurso foi destinado à produção da série documental “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. O pagamento ocorreu em agosto de 2025.


Em 2026, o deputado estadual Luiz Fernando (PT) apresentou emenda de R$ 190 mil ao instituto ligado a Karina Ferreira da Gama para projetos culturais. Segundo a reportagem, o valor ainda não havia sido empenhado até a publicação da matéria. Em nota, o parlamentar afirmou que a verba “será utilizada única e exclusivamente para um projeto de aulas de teatro em São Bernardo do Campo, por solicitação de um grupo de teatro”. O deputado declarou ainda que apoia iniciativas culturais desse perfil desde 2015.

A circulação de recursos públicos para entidades vinculadas à produtora ocorreu em paralelo à aproximação entre parlamentares da ultradireita bolsonarista, empresários do sistema financeiro e produtores ligados à indústria audiovisual alinhada ao bolsonarismo. O projeto “Dark Horse” passou a ocupar espaço na disputa política nacional após a divulgação de negociações envolvendo financiamento privado em valores milionários.


Na semana anterior à publicação da reportagem, o Intercept Brasil divulgou um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro. Segundo o site, a gravação registra uma negociação entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para levantar cerca de R$ 134 milhões destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.


O Intercept Brasil informou ainda que o deputado federal Mário Frias (PL-SP), apontado como produtor executivo do longa, teria atuado como intermediário das tratativas. Frias ocupou a Secretaria Especial de Cultura durante o governo Bolsonaro e integrou a estrutura responsável pela distribuição de recursos federais para o setor audiovisual entre 2020 e 2022.


Após a divulgação do áudio, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou em 15 de maio a abertura de uma apuração preliminar sigilosa sobre repasses de emendas parlamentares para entidades controladas pela GOUP Entertainment. A decisão ocorreu em meio às investigações conduzidas pelo STF sobre uso de verbas parlamentares e mecanismos de distribuição de recursos públicos por meio de entidades privadas ligadas a grupos políticos.


A GOUP Entertainment passou a concentrar atenção política e jurídica após o avanço das investigações sobre financiamento de projetos culturais vinculados à ultradireita bolsonarista, setor que ampliou presença institucional durante o governo Bolsonaro por meio de alianças com empresários, parlamentares, militares e segmentos religiosos organizados em torno de pautas nacionalistas, privatizações e alinhamento à política externa estadunidense.

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