Datafolha: 51% defendem importância de uma mulher no STF; negros e religiosos têm 46%
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Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo em 19 de maio mostra que 51% dos brasileiros consideram muito importante a indicação de uma mulher para o Supremo Tribunal Federal. O levantamento foi publicado meses após o Senado rejeitar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. Em um cenário marcado pela disputa entre Executivo, Congresso e setores religiosos organizados, o Datafolha registrou apoio à presença feminina, negra e religiosa na composição da corte.

O levantamento foi realizado presencialmente entre os dias 12 e 13 de maio com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, segundo o instituto. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral é BR-00290/2026.
De acordo com os números divulgados pela Folha de S.Paulo, 51% dos entrevistados afirmaram que é “muito importante” que a próxima vaga no STF seja ocupada por uma mulher. Outros 18% classificaram esse fator como “um pouco importante”, enquanto 27% responderam que isso “não é nada importante”. Atualmente, a ministra Cármen Lúcia é a única mulher entre os integrantes da corte.
A pesquisa também mediu a percepção sobre representação racial. Para 46% dos entrevistados, é “muito importante” que o novo ministro seja uma pessoa negra. Outros 16% consideram esse critério “um pouco importante”, enquanto 35% afirmaram que a condição racial não possui importância para a escolha.
O Datafolha ainda identificou peso da religião entre os critérios considerados pela população. Segundo o levantamento, 46% responderam que é “muito importante” que o indicado seja religioso. Outros 20% classificaram o fator como “um pouco importante”.
A divulgação dos dados ocorreu após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado. A derrota imposta ao governo Lula interrompeu uma articulação construída desde o anúncio da aposentadoria de Luís Roberto Barroso, feito em outubro. A indicação demorou meses para ser formalizada e enfrentou resistência de setores do Congresso ligados ao centrão, à oposição bolsonarista e a grupos religiosos que cobravam maior influência sobre o STF.
Segundo o Datafolha, 59% dos entrevistados disseram não ter tomado conhecimento da rejeição do indicado do governo. Entre os que afirmaram saber do episódio, 53% avaliaram que a derrota enfraqueceu o governo federal. Apenas 7% disseram que o episódio fortaleceu Lula, enquanto 36% afirmaram que não houve impacto político.
Jorge Messias construiu parte de sua articulação política em torno de sua identidade evangélica, apresentada pelo Palácio do Planalto como elemento de aproximação com parcelas do eleitorado religioso. A estratégia ocorreu em meio à disputa por influência entre Executivo, Congresso e lideranças neopentecostais sobre o controle político e ideológico das instituições do Judiciário.
Entre os entrevistados que afirmaram intenção de voto em Lula nas eleições presidenciais de 2026, 64% disseram considerar muito importante a indicação de uma mulher para o STF. Entre esse mesmo grupo, 60% defenderam a indicação de uma pessoa negra.
Entre os eleitores de Flavio Bolsonaro, os percentuais foram menores. Segundo o levantamento, 41% dos entrevistados alinhados ao senador consideram muito importante a escolha de uma mulher, enquanto 35% atribuíram o mesmo grau de importância à indicação de uma pessoa negra.
O Datafolha também questionou os entrevistados sobre outros critérios relacionados à composição do Supremo Tribunal Federal. O item com maior índice de aprovação foi “ótimo conhecimento jurídico”. Segundo o instituto, 85% dos entrevistados responderam que essa característica é “muito importante”. Outros 6% disseram que é “um pouco importante”, enquanto mais 6% afirmaram que o critério possui pouca importância.
A pesquisa registrou ainda apoio à ideia de alinhamento político entre o ministro indicado e o presidente da República responsável pela nomeação. Para 51% dos entrevistados, o futuro integrante do STF deve ter “lealdade total” ao presidente que o indicou. Outros 25% responderam que esse aspecto “não é nada importante”.
Entre eleitores de Lula, 63% classificaram a lealdade ao presidente como “muito importante”. Entre os eleitores de Flavio Bolsonaro, o índice foi de 45%.
Ao mesmo tempo, 64% dos entrevistados afirmaram que o próximo ministro do STF deve ser independente de políticos e partidos. Outros 16% classificaram esse fator como “um pouco importante”, enquanto 14% responderam que isso “não é nada importante”.
A relação entre o Judiciário e o Congresso também apareceu no levantamento. Segundo o Datafolha, 47% consideram “muito importante” que o indicado tenha afinidade política com deputados federais e senadores. Outros 26% responderam que essa característica “não é nada importante”.
O instituto ainda perguntou sobre o apoio interno dentro do próprio STF. Para 53% dos entrevistados, é “muito importante” que o nome escolhido tenha apoio dos atuais ministros da corte. Outros 20% afirmaram que isso “não é nada importante”, enquanto mais 20% classificaram o item como “um pouco importante”.
Os números foram divulgados em meio ao aumento das disputas institucionais entre Executivo, Congresso e Judiciário sobre a composição do STF, corte responsável por arbitrar conflitos constitucionais e validar medidas de impacto político e econômico em um sistema marcado pela concentração de poder em torno de acordos partidários, influência parlamentar e pressão de setores empresariais, religiosos e militares sobre o Estado brasileiro.



































