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Ao Washington Post, Lula afirma que o Brasil não deve “baixar a cabeça” para os Estados Unidos

O presidente Lula afirmou ao jornal estadunidense The Washington Post que o Brasil não deve “baixar a cabeça” diante dos Estados Unidos nas relações diplomáticas e comerciais. Durante visita à Casa Branca, Lula declarou que pretende negociar com Donald Trump sem abrir mão da soberania brasileira nem aderir ao alinhamento político adotado pelo bolsonarismo. A entrevista ocorreu após meses de tensão entre Brasília e Washington envolvendo tarifas comerciais, sanções e pressões sobre o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.


Presidente Lula - Dante Fernandez I AFP
Presidente Lula - Dante Fernandez I AFP

Em entrevista publicada pelo The Washington Post no domingo (18), Lula apresentou sua estratégia diplomática com o governo estadunidense como uma combinação de negociação política, manutenção de relações institucionais e defesa da autonomia brasileira diante das disputas internacionais conduzidas por Washington. O presidente afirmou ao jornal que divergências políticas não impedem o diálogo entre chefes de Estado.


“Trump sabe que sou contra a guerra com o Irã, discordo da intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que acontece na Palestina”, declarou Lula ao periódico estadunidense. “Mas minhas divergências políticas não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado.”


A entrevista ocorreu durante visita de Lula à Casa Branca e marcou uma reaproximação diplomática entre os governos brasileiro e estadunidense após o agravamento das tensões bilaterais em 2025. No ano passado, Donald Trump impôs tarifas sobre exportações brasileiras e aplicou sanções contra autoridades do Brasil em meio às pressões ligadas ao julgamento de Jair Bolsonaro. O ex-presidente brasileiro foi condenado por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.


Ao The Washington Post, Lula afirmou que pretende demonstrar que governos progressistas podem manter relações diplomáticas com setores da direita internacional sem aceitar imposições políticas ou econômicas. O presidente brasileiro também relatou episódios ocorridos durante o encontro com Trump na Casa Branca, incluindo uma conversa sobre os retratos oficiais do presidente estadunidense.


“Se eu consegui fazer Trump rir, consigo outras coisas também”, afirmou Lula ao jornal. Segundo o presidente, abandonar o diálogo entre os dois países não representa alternativa para o Brasil diante das disputas comerciais e diplomáticas acumuladas nos últimos anos.


Lula também utilizou a entrevista para diferenciar sua política externa da linha adotada pelo governo Bolsonaro. Sem citar diretamente o ex-presidente em parte da conversa, Lula declarou que não precisava convencer Trump de que representava uma opção política melhor para o Brasil porque “ele já sabe disso”.


Ao longo da entrevista, o presidente brasileiro voltou a defender o multilateralismo e criticou medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos na América Latina. Lula afirmou que Washington perdeu espaço econômico e diplomático na região para a China por não apresentar mecanismos de cooperação regional.


“Hoje meu comércio com a China é duas vezes maior do que com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil”, declarou. “Se os Estados Unidos quiserem voltar para a frente da fila, ótimo. Mas eles precisam querer isso.”


Segundo a reportagem do The Washington Post, Lula busca consolidar a imagem de liderança capaz de dialogar com diferentes setores políticos em meio à reorganização das forças conservadoras na América Latina e às disputas eleitorais previstas para 2026 no Brasil. O jornal estadunidense descreveu o presidente brasileiro como uma figura com experiência diplomática acumulada em negociações internacionais envolvendo governos de diferentes orientações políticas.


A entrevista ocorreu em meio ao aprofundamento das disputas comerciais entre Estados Unidos e China e à ampliação da presença chinesa em setores estratégicos da economia latino-americana, incluindo infraestrutura, energia, mineração e comércio exterior.

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