O Irã revela detalhes de uma proposta de 14 pontos aos EUA com o objetivo de pôr fim à guerra
- www.jornalclandestino.org

- há 13 horas
- 3 min de leitura
O governo iraniano divulgou nesta terça-feira os termos de uma proposta de 14 pontos enviada aos Estados Unidos para encerrar a guerra iniciada por Washington e Israel contra Teerã em fevereiro. O documento exige o fim das operações militares em todas as frentes, a retirada das forças estadunidenses do entorno iraniano, o levantamento das sanções e compensações pelos danos causados durante os ataques. A proposta foi apresentada em meio à escalada militar promovida pelo governo estadunidense no Golfo Pérsico e ao bloqueio naval imposto contra portos iranianos desde abril.

Os detalhes da proposta foram apresentados pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, durante reunião com integrantes da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do parlamento iraniano. Segundo a agência estatal iraniana IRNA, o representante iraniano apresentou um relatório sobre as negociações indiretas entre Teerã e Washington e afirmou que o texto reafirma “o direito do Irã ao enriquecimento de urânio e às atividades nucleares pacíficas”.
A proposta iraniana estabelece o encerramento dos confrontos “em todas as frentes, incluindo o Líbano”, além da retirada do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. O documento também exige a libertação de ativos iranianos congelados no exterior e o pagamento de compensações por Washington pelos danos causados durante os ataques militares contra o território iraniano, medida que Teerã afirma ser necessária para financiar a reconstrução de áreas atingidas.
Segundo Gharibabadi, a proposta inclui ainda “a remoção de todas as sanções unilaterais e resoluções do Conselho de Segurança da ONU, bem como a retirada das forças americanas das áreas ao redor da República Islâmica”. A exigência iraniana ocorre após o aumento da presença militar estadunidense no Golfo Pérsico, no Mar Arábico e nas proximidades do Estreito de Ormuz.
A proposta revisada foi entregue aos Estados Unidos por meio de mediadores paquistaneses. A imprensa iraniana informou na segunda-feira que o novo documento contém 14 pontos. Em 10 de maio, Teerã já havia enviado uma resposta formal a uma proposta apresentada por Washington para encerrar os confrontos. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a resposta iraniana como “totalmente inaceitável”.
No sábado, Trump voltou a ameaçar o Irã com novos ataques militares. Em publicação na plataforma Truth Social, o presidente estadunidense divulgou uma imagem de navios de guerra com bandeiras estadunidenses e iranianas acompanhada da frase “Before the storm, all was calm” (“Antes da tempestade, tudo estava calmo”). A mensagem foi interpretada por meios diplomáticos iranianos e veículos regionais como nova ameaça de escalada militar por parte de Washington.
Na noite de segunda-feira, Trump anunciou o adiamento de um ataque planejado para terça-feira contra o Irã. Segundo o presidente estadunidense, a suspensão ocorreu após pedidos apresentados pela Arábia Saudita, pelo Catar e pelos Emirados Árabes Unidos. Em nova publicação, Trump afirmou ter instruído o aparato militar estadunidense “a estar preparado para prosseguir com um ataque total e em grande escala contra o Irã, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado”.
O impasse diplomático ocorre após a imposição de um bloqueio naval estadunidense contra portos iranianos desde 13 de abril. As medidas atingem instalações localizadas ao longo do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde transita parte das exportações globais de petróleo e gás. O bloqueio foi apresentado por Washington como instrumento de pressão nas negociações conduzidas por mediação paquistanesa.
Em resposta, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e passou a exigir coordenação prévia de embarcações com autoridades iranianas para travessia da região. A medida elevou tensões no Golfo Pérsico e ampliou preocupações sobre o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril entre forças iranianas e a aliança militar conduzida por Estados Unidos e Israel.
A proposta iraniana foi divulgada pela IRNA em meio à manutenção das negociações indiretas conduzidas por intermediários paquistaneses e ao deslocamento de meios militares estadunidenses para a região do Golfo.



































