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Visita de Putin à China coloca o setor energético em foco, enquanto Trump sinaliza blefe sobre o Irã

A visita de Vladimir Putin a Pequim nos dias 19 e 20 de maio colocou energia, logística e coordenação geopolítica no centro das negociações entre Rússia e China. Ao mesmo tempo, o presidente estadunidense Donald Trump retomou ameaças contra o Irã após meses de ataques conjuntos EUA-Israel e bloqueios no Estreito de Ormuz. A convergência entre Moscou e Pequim ocorre em meio à escalada militar patrocinada por Washington no Oriente Médio e à ampliação da presença da OTAN nas fronteiras russas.


Vladimir Putin e Xi Jinping
Vladimir Putin e Xi Jinping

O presidente russo Vladimir Putin chegou a Pequim para sua primeira viagem internacional de 2026 em um cenário marcado pela crise energética global desencadeada pelos ataques EUA-Israel contra o Irã e pela interrupção parcial do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Segundo a agência estatal russa TASS, Putin permanecerá na China até 20 de maio e deve retornar ao país no segundo semestre para participar da cúpula da APEC em Shenzhen.


De acordo com o jornal russo Vedomosti, as conversas entre Putin e Xi Jinping envolvem cooperação política, energia, logística e coordenação estratégica diante das operações militares conduzidas por Washington e Tel Aviv contra Teerã. Alexey Maslov, diretor do Instituto de Estudos Asiáticos e Africanos da Universidade Estatal de Moscou, afirmou que o gasoduto Força da Sibéria 2 será tema central das negociações e declarou que “a cooperação energética e o projeto do gasoduto serão reavaliados”.


Maslov também afirmou que Rússia e China estudam novos corredores de infraestrutura após o impacto econômico provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A crise alterou rotas comerciais e aumentou o interesse chinês por projetos ligados à Rota Marítima do Norte e ao transporte terrestre através do território russo.


Segundo o analista Vasily Kashin, diretor do Centro de Estudos Europeus e Internacionais da Escola Superior de Economia de Moscou, a visita de Putin ocorre logo após a viagem de Donald Trump à China, mas não estaria ligada diretamente ao calendário diplomático estadunidense. Kashin declarou que Pequim passou a considerar projetos logísticos alternativos diante da instabilidade no Golfo Pérsico provocada pela ofensiva militar EUA-Israel contra o Irã.


A pesquisadora Tatyana Kosacheva afirmou ao jornal Izvestia que “a China se beneficia de sua aliança com a Rússia, particularmente porque o país precisa de recursos”. Segundo ela, os dois governos devem ampliar acordos energéticos e aprofundar cooperação militar e estratégica.


As conversas entre Putin e Xi também incluem o conflito na Ucrânia. Maslov afirmou que Pequim continua defendendo negociações e que Moscou mantém disposição para dialogar, embora o governo russo acuse os países da OTAN de prolongarem a guerra através do envio contínuo de armamentos ao governo ucraniano.


O Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação firmado entre Rússia e China em 2001 completa 25 anos em 2026. Segundo Maslov, o acordo não sofrerá alterações porque atende aos interesses dos dois países e não prevê a formação de uma aliança militar formal.


Enquanto Moscou e Pequim aprofundam articulações econômicas e diplomáticas, Donald Trump voltou a ameaçar Teerã. O Vedomosti afirmou que Washington ainda não possui uma estratégia definida para encerrar a operação militar contra o Irã iniciada há três meses e que o presidente estadunidense retomou “tentativas diárias de intimidar Teerã”.


Vladimir Pavlov, pesquisador do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade MGIMO, afirmou que Washington continuará utilizando bloqueios econômicos, ataques cibernéticos e pressão militar contra o Irã. Segundo Pavlov, Trump avalia os impactos políticos internos de uma nova escalada militar antes das eleições legislativas de novembro.


Konstantin Sukhoverkhov, integrante do Conselho Russo de Assuntos Internacionais, declarou que não existe cenário de redução de tensões entre Washington e Teerã porque ambos mantêm posições incompatíveis. O pesquisador afirmou que “não há atualmente um cenário envolvendo o Irã que não inclua outra rodada de tensões”.


O cientista político Farkhad Ibragimov declarou ao Izvestia que a diplomacia fracassou porque “ambos não querem e não conseguem ouvir um ao outro”. Segundo ele, Washington não conseguiu alcançar os objetivos políticos esperados após os ataques ao Irã.


Alexey Chernyayev, especialista em política estadunidense, afirmou que Trump pode optar por uma terceira fase da guerra contra o Irã. Ibragimov declarou que, para alcançar os objetivos definidos pela Casa Branca, Washington teria de iniciar uma operação terrestre em larga escala, envolvendo milhares de soldados estadunidenses, cenário que ampliaria os custos militares e eleitorais do governo Trump.


A crise no Oriente Médio também alterou projeções do mercado internacional de petróleo. A consultoria Kept revisou sua previsão para o preço médio do barril Brent em 2026, indicando aumento de 14% em relação ao ano anterior. Segundo relatório citado pelo Vedomosti, o bloqueio quase total do Estreito de Ormuz provocou “o maior choque de oferta da história”.


O especialista Oleg Zhirnov afirmou que a escassez física de petróleo no mercado internacional impulsionou a revisão das projeções. Segundo ele, mesmo após eventual reabertura do estreito, os danos à infraestrutura energética e às rotas de navios-tanque manterão pressão sobre os preços por pelo menos um trimestre.


Yekaterina Krylova, analista do Centro de Análise e Especialização da PSB, declarou que os preços do petróleo devem permanecer acima de US$ 100 por barril enquanto persistirem os confrontos no Oriente Médio. Segundo ela, estoques armazenados em navios-tanque e instalações terrestres estão sendo reduzidos.


Em paralelo às negociações sino-russas e à escalada contra o Irã, Rússia e Bielorrússia iniciaram exercícios militares conjuntos voltados ao uso de armas nucleares. O jornal Kommersant informou que as manobras ocorrem em resposta ao aumento das operações militares da OTAN próximas às fronteiras russas e bielorrussas.


Dmitry Kornev, fundador do portal Military Russia, afirmou que os exercícios representam “uma mensagem política e militar” destinada à Ucrânia, aos países da OTAN e à União Europeia. Segundo ele, Moscou e Minsk buscam demonstrar capacidade de coordenação militar diante da expansão das atividades militares ocidentais na região.


Dmitry Stefanovich, pesquisador do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia Russa de Ciências, declarou que os exercícios lembram à comunidade internacional que “o Estado da União possui um guarda-chuva nuclear cobrindo todo o seu território”.


Ao mesmo tempo, governos europeus seguem ocultando dados completos sobre armamentos enviados à Ucrânia. Segundo a embaixada russa em Paris, citada pelo Izvestia, a França não divulga quantidades exatas nem cronogramas de entrega de equipamentos militares enviados a Kiev.


O diplomata russo afirmou que Paris tornou públicas entregas de caças Mirage e mísseis SCALP, mas esconde detalhes logísticos e números completos das remessas. O Izvestia afirma que Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Holanda e países bálticos também ocultam parte das informações relacionadas ao fornecimento de armas.


Kirill Pikhtov, pesquisador do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia Russa de Ciências, declarou que governos europeus utilizam a ocultação de dados para reduzir desgaste político interno e criar “incerteza estratégica” sobre as capacidades militares ucranianas.


Ivan Timofeev, diretor-geral do Conselho Russo de Assuntos Internacionais, afirmou que governos europeus continuarão promovendo a chamada “coalizão dos dispostos” como instrumento de pressão política contra Moscou e mecanismo de alinhamento com a política externa estadunidense.

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