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A aposta de Milei em Israel e Trump que pode isolar a Argentina

O presidente argentino Javier Milei ampliou o alinhamento político da Argentina com Benjamin Netanyahu e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump em meio à escalada no Oriente Médio. Declarações de Milei sobre Irã, Palestina e Israel provocaram rejeição dentro da própria Argentina, segundo pesquisas citadas no debate público do país. Dados de institutos argentinos mostram oposição majoritária ao envolvimento da Argentina em agendas militares e diplomáticas ligadas aos interesses estadunidenses e israelenses.


Javier Milei
Javier Milei

Durante discurso realizado em março de 2026 na Universidade Yeshiva, nos Estados Unidos, Javier Milei se definiu como “o presidente mais sionista do mundo”. Na mesma intervenção, classificou o Irã como inimigo da Argentina e citou os atentados contra a embaixada israelense em Buenos Aires, em 1992, e contra a AMIA, em 1994. Milei justificou a posição com base no que chamou de “aliança estratégica” entre Argentina, Israel e Estados Unidos.


A formulação marca mudança na política externa argentina e aproxima Buenos Aires da linha política construída por Donald Trump e Benjamin Netanyahu. O governo argentino passou a adotar posições ligadas ao discurso de confronto contra o Irã e de alinhamento diplomático com Israel em organismos internacionais. O movimento ocorre em paralelo à dependência econômica argentina de acordos financeiros negociados com Washington.

Em 2025, o governo dos Estados Unidos aprovou programa de swap cambial de US$ 20 bilhões para auxiliar a estabilização do peso argentino antes das eleições legislativas. O acordo fortaleceu a relação política entre Milei e Donald Trump. O presidente argentino participou de encontros conservadores ligados ao trumpismo nos Estados Unidos e recebeu de Trump a definição de “presidente favorito”, segundo relatos citados no texto original.


A aproximação incluiu mudanças na posição histórica da Argentina sobre Palestina e Jerusalém. O governo argentino anunciou a transferência da embaixada argentina em Israel para Jerusalém em 2026, rompendo com a posição diplomática adotada anteriormente pelo país sobre o status internacional da cidade. Em maio de 2024, a Argentina votou contra resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que apoiava a adesão plena da Palestina à ONU. Em setembro do mesmo ano, Buenos Aires votou contra resolução que exigia o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos.


As votações romperam com a política mantida durante décadas pela diplomacia argentina em defesa de solução negociada de dois Estados. O governo Milei também declarou a Força Quds iraniana como organização terrorista em janeiro de 2026 e classificou o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica da mesma forma em março.


Durante visita a Israel em abril, Milei afirmou que a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã era “a coisa certa a fazer”. O presidente argentino passou a apresentar o alinhamento argentino como parte de uma luta internacional contra o terrorismo. O governo também promoveu, ao lado de Netanyahu, os chamados “Acordos de Isaac”, iniciativa voltada à ampliação das relações israelenses com países latino-americanos.


Pesquisas de opinião citadas no texto mostram resistência interna à política externa de Milei. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg realizado em março de 2026 indicou que 64% dos argentinos avaliaram como “muito negativas” as declarações de Milei sobre o Irã e sobre o apoio à ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel. Apenas 19,9% consideraram as falas positivas ou muito positivas.


O mesmo levantamento mostrou rejeição à participação argentina no chamado “Conselho de Paz”, estrutura ligada à proposta de Donald Trump para Gaza. Segundo os dados, 57,5% dos entrevistados declararam oposição total à entrada da Argentina no organismo. Apenas 23,7% apoiaram integralmente a iniciativa.


Outra pergunta da pesquisa tratou do envio dos Capacetes Brancos argentinos para força internacional de estabilização. O levantamento apontou 58,3% de rejeição à medida e 32,7% de apoio.


Pesquisa do instituto Zuban Córdoba mostrou que 72,7% dos argentinos rejeitam uma ofensiva envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. Apenas 14,2% apoiaram esse cenário. Entre eleitores de Milei, 53,4% declararam oposição à participação argentina em uma ofensiva militar. O levantamento também mostrou que 66,4% dos entrevistados consideram que a posição internacional de Milei não representa o país.


O debate expõe divisão entre a estratégia de alinhamento automático adotada pelo governo argentino e setores da sociedade que mantêm tradição de resistência à tutela política estadunidense sobre a América Latina. O texto cita correntes do peronismo, da esquerda e setores nacionalistas argentinos como grupos que diferenciam cooperação diplomática e combate ao terrorismo de adesão política às ofensivas militares promovidas por Washington e Tel Aviv.


O artigo afirma que Milei converteu temas ligados aos atentados de 1992 e 1994 em instrumento de alinhamento ideológico com Donald Trump e Benjamin Netanyahu. O texto sustenta que a política externa argentina passou de uma posição cautelosa para participação simbólica em disputas externas sem capacidade concreta de interferência sobre o equilíbrio político e militar do Oriente Médio.


O material também aponta que a aproximação serve aos interesses diplomáticos de Netanyahu em meio ao aumento das denúncias internacionais sobre o genocídio em Gaza e às tentativas do governo dos Estados Unidos de manter apoio internacional às ações israelenses.

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