Ataque contra posição da UNIFIL no Líbano deixa um morto
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Um integrante sérvio da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) morreu em 4 de junho após ser atingido durante um ataque com morteiros contra uma posição da missão no sul do Líbano. Dois militares espanhóis ficaram feridos no mesmo incidente ocorrido nas proximidades de Marjayoun. A ofensiva ocorreu um dia após o anúncio de um cessar-fogo na fronteira entre o Líbano e Israel, região marcada por sucessivas operações militares israelenses e por confrontos envolvendo forças de resistência libanesas.

A morte do militar sérvio foi confirmada pela UNIFIL após sua transferência de emergência para um hospital em Beirute. Segundo informações divulgadas pela missão das Nações Unidas, o soldado sofreu ferimentos durante o ataque ocorrido na noite de quarta-feira para quinta-feira e não resistiu após dar entrada na unidade médica. Os dois integrantes espanhóis da força de paz que estavam na mesma posição sofreram ferimentos provocados pela onda de choque das explosões e receberam atendimento médico na base da missão.
O ataque atingiu uma posição localizada nas proximidades de Marjayoun, no sul do Líbano, área que integra uma das zonas monitoradas pela UNIFIL ao longo da fronteira com Israel. De acordo com a missão internacional, uma série de projéteis de morteiro caiu perto das instalações militares utilizadas pelos contingentes destacados na região.
O setor onde ocorreu o ataque encontra-se sob comando operacional da Espanha e reúne unidades militares de diferentes países participantes da missão, incluindo Índia, Nepal e Sérvia. Após o incidente, a UNIFIL anunciou a abertura de uma investigação para determinar a origem dos disparos e reconstruir as circunstâncias que levaram ao ataque contra as forças da ONU.
Em comunicado, a missão informou que especialistas realizarão análises técnicas para identificar a trajetória dos projéteis e estabelecer responsabilidades. A direção da UNIFIL evitou atribuir autoria ao ataque antes da conclusão dos exames balísticos e das investigações em campo.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, condenou o ataque contra a base "Miguel de Cervantes", utilizada pelo contingente espanhol no sul do Líbano. Em declaração pública, Sánchez manifestou solidariedade aos familiares do militar morto e aos soldados feridos, além de defender o cumprimento do cessar-fogo anunciado em 3 de junho.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, também se pronunciou sobre o episódio. Segundo o chefe da diplomacia espanhola, o ataque deve ser investigado e os responsáveis identificados. Albares afirmou que a violação das garantias concedidas às missões das Nações Unidas exige responsabilização nos mecanismos internacionais previstos para esse tipo de ocorrência.
Enquanto a investigação da ONU segue em andamento, o comando militar israelense atribuiu o ataque às forças de resistência do Hezbollah. Em comunicado divulgado após o incidente, o exército israelense afirmou ter realizado uma análise de trajetória dos disparos e declarou que os morteiros teriam sido lançados a partir da região de Al Qatrani, alcançando a área de Dibine.
A versão apresentada por Israel não foi endossada pela UNIFIL. A missão das Nações Unidas informou que não apontará responsáveis antes da conclusão dos exames técnicos conduzidos por seus investigadores.
Representantes da UNIFIL relataram aumento dos impactos de artilharia e de explosões ao longo da faixa de fronteira que se estende até o rio Litani. O episódio ocorreu em meio à continuidade das operações militares israelenses no território libanês e ao acúmulo de violações registradas desde a escalada regional associada ao genocídio contra a população palestina iniciado em outubro de 2023.
A morte do militar sérvio representa uma das ocorrências mais graves envolvendo integrantes da UNIFIL desde a intensificação das hostilidades na fronteira libanesa, onde forças internacionais permanecem posicionadas em uma área submetida a bombardeios, disparos de artilharia e operações militares conduzidas por diferentes atores armados presentes na região.



































