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Ataques com drones são principal causa de mortes na guerra no Sudão

Ataques com drones armados responderam por mais de 80% das mortes de civis registradas no Sudão entre janeiro e abril de 2026, segundo dados divulgados em 13 de maio pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. O órgão informou que ao menos 880 civis morreram durante ofensivas realizadas no contexto da guerra entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, conflito alimentado por redes externas de fornecimento de armas e pela disputa regional por influência no nordeste africano. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, declarou que o Sudão pode entrar em “uma nova fase, ainda mais mortífera” caso não haja medidas imediatas para interromper a escalada militar.


Sudão _THE WASHINGTON POST
Sudão _THE WASHINGTON POST

Segundo a ONU News, a maior parte das mortes atribuídas aos drones ocorreu na região central de Cordofão. Os ataques atingiram mercados, instalações de saúde e outras infraestruturas civis em áreas urbanas e rurais.


A ONU informou que o uso de veículos aéreos não tripulados alterou a dinâmica militar da guerra iniciada há quatro anos entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido. O emprego de drones permitiu a continuidade de operações militares durante períodos climáticos que antes limitavam combates terrestres, incluindo a aproximação da temporada de chuvas.

Volker Türk afirmou que, nos anos anteriores da guerra, o período de chuvas correspondia a momentos de redução temporária das hostilidades. Segundo ele, o uso contínuo de drones rompeu esse padrão e ampliou a capacidade operacional das forças beligerantes.


A ONU declarou que a expansão geográfica dos ataques agravou o deslocamento forçado da população civil e interrompeu operações humanitárias em diferentes regiões do país. O Sudão é classificado pelas Nações Unidas como a maior crise de deslocamento do mundo.


O aumento das ofensivas também provocou receio de retomada de confrontos em Cartum. De acordo com Türk, os bombardeios destruíram a “relativa calma” observada nos últimos meses na capital sudanesa, período em que parte da população deslocada começava a retornar para áreas urbanas devastadas pela guerra.


O conflito sudanês se tornou um espaço de disputa entre interesses regionais e potências externas desde sua eclosão em abril de 2023. Países do Golfo Pérsico, governos africanos e potências ocidentais passaram a disputar influência política, econômica e militar no território sudanês, enquanto o país afundava em colapso institucional e destruição de infraestrutura civil.


A ONU também alertou para o agravamento da insegurança alimentar em larga escala. O órgão afirmou que a escassez de fertilizantes, associada à crise no Golfo, ampliou o risco de fome em diferentes regiões do Sudão.

Volker Türk declarou que a violência passou a ser utilizada como “tática preferencial” pelas partes envolvidas na guerra. O alto-comissário pediu medidas para impedir a transferência de armas ao Sudão, incluindo drones armados utilizados nos ataques contra civis.


A ONU também exigiu proteção para a população civil, incluindo rotas seguras de deslocamento para pessoas que deixam zonas de combate. O órgão afirmou que civis enfrentam risco de execuções sumárias, violência sexual, detenções arbitrárias e raptos cometidos durante operações militares e ações paramilitares.


Em 14 de abril de 2026, agências das Nações Unidas já haviam alertado que o Sudão enfrentava “a maior crise humanitária do mundo” após três anos de guerra. Segundo a ONU, quase 34 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, número equivalente a quase dois terços da população sudanesa.


Em outro relatório divulgado em 22 de abril de 2026, a ONU informou que cerca de 4 milhões de sudaneses retornavam ao país tentando reconstruir suas vidas após meses de deslocamento. A organização afirmou que a destruição de infraestrutura básica colocava pressão sobre serviços essenciais em regiões devastadas pela guerra.

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