Mais de mil cientistas pedem proteção para universidades iranianas contra ataques EUA-Israel
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Mais de mil cientistas assinaram uma carta aberta denunciando ataques dos Estados Unidos e de Israel contra universidades e centros de pesquisa do Irã entre março e abril de 2026. O documento foi enviado ao secretário-geral da ONU, ao diretor-geral da UNESCO e ao Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, exigindo investigações sobre bombardeios contra instalações civis e acadêmicas iranianas. Os signatários afirmam que a ofensiva estadunidense-israelense atingiu laboratórios, faculdades, hospitais universitários e centros farmacêuticos, ampliando o padrão de ataques contra infraestrutura científica iraniana iniciado há mais de uma década com assassinatos de pesquisadores ligados ao programa nuclear do país.

A carta denuncia ao menos 21 ataques contra instituições científicas iranianas durante a ofensiva militar conduzida por Washington e Tel Aviv contra o território iraniano. Entre os alvos citados estão a Universidade de Tecnologia de Isfahan, a Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã e a Universidade de Tecnologia Amirkabir, em Teerã, atingidas entre 28 e 30 de março.
Os cientistas também relataram que, em 31 de março, o centro farmacêutico Tofiq Daru sofreu danos após um ataque aéreo. A instituição é descrita na carta como um dos principais polos iranianos de pesquisa e desenvolvimento farmacêutico, responsável pela produção de anestésicos e medicamentos utilizados em tratamentos contra esclerose múltipla e câncer.
Segundo o documento, novos ataques ocorreram nos dias seguintes. Em 3 de abril, instalações da Universidade Shahid Beheshti, em Teerã, incluindo o Instituto de Pesquisa de Laser e Plasma, foram atingidas. Em 6 de abril, bombardeios atingiram a Universidade de Tecnologia Sharif, uma das principais instituições de engenharia do Irã.
Os signatários afirmam que a ofensiva causou danos à Faculdade de Engenharia Civil, ao Departamento de Filosofia da Ciência, aos Institutos de Pesquisa em Nanotecnologia e Meio Ambiente, ao Instituto de Pesquisa Convergente e à Faculdade de Engenharia Elétrica da universidade. Imagens divulgadas pela mídia iraniana mostraram edifícios destruídos e estruturas parcialmente colapsadas dentro do campus em Teerã.
A Faculdade de Farmácia da Universidade de Shiraz e o campus do Hospital Veterinário Especializado da Universidade de Urmia também foram atingidos durante os ataques. A carta sustenta que a campanha militar estadunidense-israelense envolveu o bombardeio de múltiplos alvos civis, contrariando convenções internacionais relacionadas à proteção de instituições educacionais e científicas.
“As instituições científicas e educacionais são espaços civis essenciais para a saúde pública, o conhecimento e a sobrevivência humana”, afirma a carta. O texto acrescenta que “a destruição dessas estruturas põe em risco pesquisadores, estudantes, profissionais da saúde e o público em geral, além de causar danos duradouros à ciência e à sociedade”.
Os cientistas exigiram a interrupção imediata de ataques contra universidades, hospitais, bibliotecas, laboratórios e centros de pesquisa. O documento também pede que ONU e UNESCO documentem os danos causados às instituições iranianas, ofereçam proteção a acadêmicos e estudantes afetados e apoiem investigações independentes sobre violações do direito internacional humanitário.
“Os responsáveis por ataques ilegais contra locais civis protegidos devem ser identificados e responsabilizados por meio de mecanismos legais imparciais”, afirma o texto enviado aos organismos internacionais.
Entre os signatários estão dois laureados com o Prêmio Nobel da Noruega, um vencedor da Medalha Dirac e pesquisadores de universidades europeias. A neurocientista norueguesa May-Britt Moser declarou: “Como professora e laureada com o Prêmio Nobel, estou chocada e entristecida com o que está acontecendo no Irã”.
O físico britânico John Ellis afirmou conhecer universidades iranianas, israelenses e estadunidenses e classificou os ataques contra instituições civis como “inaceitáveis”. O pesquisador alemão Werner Nahm, colega do cientista nuclear iraniano Masoud Ali-Mohammadi, assassinado em janeiro de 2010 em Teerã em uma operação atribuída ao regime israelense, afirmou que a comunidade científica internacional falhou ao não responder de forma mais contundente aos assassinatos de pesquisadores iranianos.
“Em retrospectiva, deveríamos ter reagido com muito mais veemência”, declarou Nahm. “Quando esses assassinatos se tornarem rotina, conferências presenciais e outros encontros livres entre cientistas se tornarão impossíveis, para o prejuízo de toda a humanidade.”
A carta informa que o número inicial de instituições afetadas aumentou após sua redação, incluindo posteriormente o Instituto Pasteur do Irã e novos setores da Universidade de Tecnologia Sharif. Até 9 de abril, mais de mil cientistas haviam assinado o documento.
O texto também critica a normalização de ataques contra infraestrutura civil sob justificativas militares apresentadas por Washington e Tel Aviv. Os signatários afirmam que universidades e centros de pesquisa não podem ser transformados em “campos de batalha” sob pretextos relacionados à segurança regional ou ao programa nuclear iraniano.
“Instamos a comunidade internacional a agir agora para proteger a infraestrutura científica, defender a vida acadêmica e manter o princípio de que as instituições que servem ao conhecimento nunca devem ser tratadas como descartáveis em tempos de guerra”, afirma a carta.
Os cientistas encerram o documento declarando que “a ciência não é um alvo militar” e que “universidades e laboratórios não devem se tornar campos de batalha”.



































