OMS espera novos casos de hantavírus, mas não vê sinais de surto maior
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A Organização Mundial da Saúde informou em 12 de maio de 2026 que novas infecções por hantavírus podem surgir nas próximas semanas entre passageiros do navio MV Hondius, após o registro de 11 casos e três mortes. A operação de desembarque e repatriação dos viajantes foi concluída em Tenerife, na Espanha, enquanto autoridades sanitárias mantêm monitoramento internacional dos passageiros até 21 de junho. O episódio expôs a dependência da coordenação internacional em crises sanitárias transnacionais e reabriu debates sobre quarentenas marítimas, circulação internacional e capacidade dos sistemas públicos de saúde diante de doenças transmissíveis.

Segundo a OMS, todos os casos registrados ocorreram entre passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius. Nove das 11 infecções foram confirmadas laboratorialmente como vírus Andes, variante do hantavírus associada à transmissão entre humanos.
Os outros dois casos permanecem sem confirmação laboratorial. A embarcação segue em direção aos Países Baixos após a conclusão da operação sanitária coordenada em território espanhol.
Em entrevista a jornalistas, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, declarou que “não há sinais do início de um surto maior”. Ele afirmou, porém, que o cenário pode mudar devido ao longo período de incubação da doença.
Tedros declarou que “é possível que mais casos sejam identificados nas próximas semanas”. A OMS orientou que todos os passageiros repatriados permaneçam sob monitoramento ativo por 42 dias a partir da última exposição ao vírus.
Segundo a organização, o período de observação se estende até 21 de junho. Os passageiros devem permanecer em instalações de quarentena específicas ou em isolamento domiciliar supervisionado pelas autoridades sanitárias dos países de destino.
Tedros afirmou que cada país responsável pela recepção dos passageiros deve acompanhar diariamente o estado de saúde dos viajantes. A OMS informou que casos suspeitos e confirmados foram isolados e submetidos a acompanhamento médico contínuo para reduzir o risco de transmissão.
O diretor-geral relatou que 147 viajantes de 23 países permaneceram no navio durante semanas após a identificação dos casos. Segundo ele, parte dos passageiros apresentou impactos psicológicos decorrentes do confinamento e da incerteza sanitária.
“Algumas pessoas sugeriam que os passageiros fossem confinados no navio durante o período completo de quarentena, mas para a OMS isso teria sido desumano e desnecessário”, declarou Tedros. Ele afirmou ainda que os passageiros “têm o direito de serem tratados com dignidade e compaixão”.
A OMS informou que a evacuação inicial dos passageiros sintomáticos ocorreu com apoio do governo de Cabo Verde. Segundo Tedros, três pessoas com sintomas foram retiradas do navio antes da chegada da embarcação à Espanha.
A Espanha coordenou a operação de desembarque dos demais passageiros em Tenerife. Um especialista da OMS embarcou no navio em Cabo Verde acompanhado por dois médicos dos Países Baixos e um representante do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.
Tedros agradeceu aos governos de Cabo Verde e da Espanha pela cooperação sanitária durante a operação internacional. “Os vírus não respeitam fronteiras e a imunidade mais forte é a solidariedade”, declarou.
A OMS informou que o risco para a saúde global permanece baixo. O órgão destacou que todos os passageiros seguem identificados e monitorados pelas autoridades nacionais de saúde. Segundo a organização, os hantavírus pertencem a um grupo de vírus transmitidos por roedores e podem causar doenças respiratórias e hemorrágicas em humanos. A transmissão costuma ocorrer por contato com urina, fezes ou saliva de animais infectados.
A variante Andes, identificada no surto do MV Hondius, é apontada pela OMS como a única forma conhecida de hantavírus com capacidade documentada de transmissão entre humanos.
A OMS afirmou que não existe tratamento específico capaz de eliminar o vírus após a infecção. O protocolo médico adotado concentra-se em monitoramento clínico e tratamento de complicações respiratórias, cardíacas e renais.
O episódio envolvendo o MV Hondius ocorre em um contexto internacional marcado pela ampliação de sistemas de vigilância sanitária após a pandemia de Covid-19 e pela expansão de protocolos de controle epidemiológico em portos, aeroportos e fronteiras marítimas.



































