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Em meio a bombardeios israelenses, Líbano e Israel retomam negociações diretas em Washington

Uma nova rodada de negociações diretas entre o Líbano e Israel começa nesta quinta-feira em Washington enquanto ataques israelenses continuam atingindo cidades libanesas. O Ministério da Saúde do Líbano informou o martírio de 22 pessoas, entre elas 8 crianças, após bombardeios realizados na quarta-feira. Integrantes do Bloco Lealdade à Resistência acusaram o governo libanês de conceder reconhecimento político a Israel em meio à ofensiva militar.


Soldado israelense ferido é evacuado após ter sido atingido durante uma ação contra guerrilheiros do Hezbollah no sul do Líbano, próximo à vila fronteiriça de Maroun al-Ras, em 24 de julho de 2006. | Foto: Shaul Schwarz/Getty Images
Soldado israelense ferido é evacuado após ter sido atingido durante uma ação contra guerrilheiros do Hezbollah no sul do Líbano, próximo à vila fronteiriça de Maroun al-Ras, em 24 de julho de 2006. | Foto: Shaul Schwarz/Getty Images

As negociações entre representantes do governo libanês e autoridades israelenses ocorrem sob mediação do Departamento de Estado estadunidense em Washington. O Líbano será representado pelo ex-embaixador Simon Karam. Participam também das conversas os enviados estadunidenses Mike Huckabee e Mike Needham.


Diferentemente da rodada anterior realizada em 23 de abril na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado Marco Rubio não participarão desta etapa das negociações. Segundo informações divulgadas pela imprensa libanesa, Trump encontra-se em visita à China.


A rede Al Mayadeen informou que as negociações em curso não possuem como objetivo um acordo de “paz” entre o Líbano e Israel, mas sim entendimentos de segurança semelhantes ao modelo do armistício firmado em 1949. Segundo a emissora, a proposta debatida prevê mecanismos para manter canais de comunicação abertos entre os dois lados e evitar expansão das hostilidades na fronteira sul do Líbano.


A reunião anterior entre representantes libaneses, israelenses e autoridades estadunidenses ocorreu em 23 de abril na Casa Branca. Na ocasião, Donald Trump anunciou a extensão do cessar-fogo por três semanas e afirmou existir possibilidade de um acordo entre o Líbano e Israel ainda em 2026. Trump também declarou que o presidente libanês Joseph Aoun poderia reunir-se com Benjamin Netanyahu “nas próximas três semanas”.


As negociações ocorrem enquanto Israel mantém operações aéreas e bombardeios em território libanês. Na quarta-feira, o Ministério da Saúde do Líbano informou o martírio de 22 pessoas em decorrência dos ataques israelenses. Entre os mortos estavam 8 crianças.


A Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que aeronaves israelenses bombardearam cerca de 40 cidades e vilarejos no sul e no leste do país. Os ataques atingiram áreas residenciais e regiões próximas à fronteira.


Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde libanês, desde 2 de março os ataques israelenses deixaram 2.896 mártires e 8.824 feridos no Líbano.


O deputado Ali Ammar, integrante do Bloco Lealdade à Resistência, declarou: “Somos contra as negociações diretas que a Autoridade está conduzindo com o inimigo israelense”.


Ammar declarou que as negociações representam concessão política ao governo israelense. Segundo o parlamentar, o reconhecimento diplomático oferecido pelo governo libanês “não condiz com a dignidade e a soberania deste país”.


Dirigindo-se às autoridades libanesas, Ammar afirmou: “Vamos chegar a um consenso para que possamos construir um Líbano, uma nação de soberania, liberdade, dignidade e prosperidade, e para que possamos restaurar ao povo toda a atmosfera de felicidade e alegria depois que suas políticas trouxeram infortúnio, miséria e desespero a este povo.”

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