Colonização digital: Big Techs ampliam poder no Brasil, alerta especialista
- www.jornalclandestino.org

- 20 de abr.
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O avanço das grandes empresas de tecnologia sobre o Brasil foi classificado como “colonização digital” em 19 de abril de 2026. A avaliação foi feita pela advogada Cláudia Carvalho em entrevista ao programa TVGGN 20H, conduzido pelo jornalista Luis Nassif. Segundo ela, a instalação de data centers no país ocorre sob forte pressão política e econômica. O processo é acompanhado por lobby direto no Congresso Nacional. A dinâmica, segundo a especialista, amplia a dependência tecnológica e compromete a soberania nacional.

Durante a entrevista, Carvalho afirmou que o movimento atual favorece diretamente as Big Techs, em detrimento de qualquer estratégia nacional autônoma. “O que eu estou vendo é um movimento é para dar mais poder para as Big Techs”, declarou. Ela relatou participação em um evento sobre data centers no qual diversas empresas estrangeiras demonstraram interesse em se instalar no Brasil, incluindo uma que já teria firmado contrato no estado do Rio de Janeiro. Segundo a advogada, essas corporações pressionam o país com o argumento de atraso tecnológico caso suas exigências não sejam atendidas.
A especialista comparou o processo atual à lógica colonial histórica, destacando a continuidade estrutural da exploração. “Querem fazer praticamente uma colonização digital: antigamente vinham com as caravelas, agora vêm com os data centers”, afirmou. Ela também criticou a exigência de incentivos fiscais por parte dessas empresas, classificando a prática como “selvageria digital”. De acordo com Carvalho, as promessas de geração de empregos são limitadas e pouco estruturantes, com estimativas de apenas 12 a 20 vagas por unidade, muitas vezes preenchidas por profissionais de fora das regiões onde os centros são instalados.
No campo da infraestrutura, Carvalho destacou a vulnerabilidade crítica do Brasil diante da dependência de serviços de computação em nuvem controlados por potências estrangeiras, incluindo Estados Unidos, China e Coreia do Sul. Segundo ela, a ausência de soberania digital coloca o país em risco direto em cenários de guerra cibernética. “A gente não tem soberania digital. Temos uma dependência enorme de tecnologia estrangeira”, afirmou. A advogada alertou que a centralização de dados em servidores externos pode levar ao colapso de serviços essenciais em caso de falhas ou ataques.
A entrevista também abordou o uso de tecnologias avançadas como instrumentos de disputa geopolítica. Carvalho citou sistemas de inteligência artificial de alta capacidade como potenciais armas capazes de paralisar infraestruturas inteiras em segundos, incluindo redes elétricas e sistemas bancários. Ela mencionou um episódio recente na Espanha, onde um ataque cibernético teria deixado populações sem acesso a serviços básicos, descrevendo o cenário como um retrocesso a condições do século XIX.
Além disso, a advogada criticou a ausência de preparação do Brasil diante dos avanços da computação quântica, especialmente no que se refere à quebra de sistemas de criptografia. Segundo ela, o país prioriza a produção de legislação teórica sem garantir proteção efetiva. “Nos preocupamos em escrever ‘textão’ de lei e estratégias, mas na prática não estamos protegidos contra a quebra de criptografia”, afirmou.
Carvalho também resgatou o histórico de atuação das Big Techs no enfraquecimento de alternativas nacionais, citando o esvaziamento do movimento de software livre no Brasil. Segundo ela, o lobby de empresas como Microsoft e Oracle atuou diretamente nos tribunais para impedir o desenvolvimento de sistemas próprios pelo Judiciário, consolidando a dependência tecnológica institucional.
A influência dessas plataformas também se estende à prática jurídica, onde profissionais do direito passam a adaptar suas petições para sistemas automatizados de leitura. Segundo a advogada, a necessidade de utilizar palavras-chave específicas para que argumentos sejam considerados evidencia uma nova forma de mediação tecnológica que condiciona o próprio raciocínio jurídico.
No plano econômico, Carvalho apontou riscos estruturais no modelo de negócios das Big Techs. Ela afirmou que essas empresas operam em um sistema interdependente, no qual uma produz chips, outra controla data centers e outra domina serviços de nuvem, gerando circulação interna de capital sem necessariamente produzir lucro real. “Algum momento o mercado vai perguntar: ‘cadê o dinheiro?’”, afirmou.
A advogada também associou o crescimento do setor ao uso de criptomoedas em esquemas de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais, destacando a dificuldade de rastreamento dessas operações. Segundo ela, o cenário atual aponta para um “apocalipse digital”, no qual a disputa por dados, infraestrutura e controle tecnológico se torna tão estratégica quanto os conflitos militares convencionais.



































