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Democratas blindam lobby sionista e mantêm envio de armas para Israel

O Comitê Nacional Democrata rejeitou, em 9 de abril de 2026, resoluções que criticavam o lobby pró-Israel e propunham limitar o envio de armas ao país. Apesar do crescimento do apoio à causa palestina entre eleitores democratas, a liderança optou por evitar deliberação direta.


©Istockphoto
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A reunião do comitê de resoluções do DNC rejeitou uma proposta simbólica que condenava o papel do American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) nas primárias partidárias e arquivou outras duas que buscavam impor condições à assistência militar enviada a Israel, mesmo diante do contexto do genocídio contra a população palestina. As resoluções foram apresentadas como resposta ao aumento do financiamento eleitoral por parte do lobby, que direcionou dezenas de milhões de dólares a campanhas democratas por meio do super PAC United Democracy Fund.


A decisão da cúpula partidária ocorreu apesar de pesquisas indicarem crescente ceticismo entre eleitores democratas em relação a Israel e maior apoio aos palestinos. Ainda assim, a direção do partido optou por encaminhar o debate sobre envio de armas para uma força-tarefa criada em agosto de 2025 pelo presidente do DNC, Ken Martin, que até o momento não apresentou resultados concretos.


Allison Minnerly, membro do DNC pela Flórida e autora de uma das resoluções, criticou a postura da liderança. “Isso mostra que o Partido Democrata simplesmente não está disposto a ter uma conversa difícil, não está disposto a se posicionar e erra o alvo quando os eleitores mais precisam”, afirmou. “É uma demonstração vergonhosa de covardia”, acrescentou.


Durante a reunião, o presidente da sessão, Ron Harris, defendeu o envio das propostas para análise da força-tarefa. “Só para deixar claro, este não é um daqueles casos em que se empurra para outra pessoa ou para uma comissão onde as coisas acabam morrendo. São pessoas trabalhando arduamente em uma questão muito espinhosa”, declarou, reiterando a linha de adiamento adotada pela direção partidária.


A resolução apresentada por Minnerly também destacava o volume de recursos investidos pelo AIPAC nas primárias democratas em Illinois, reafirmando o compromisso formal do partido em reduzir a influência de grandes financiadores corporativos. Na prática, no entanto, a votação demonstrou a incapacidade — ou recusa — da direção em confrontar diretamente esse tipo de financiamento político.


Nos últimos anos, o AIPAC intensificou sua atuação, direcionando recursos para derrotar candidatos críticos ao apoio irrestrito dos Estados Unidos a Israel, inclusive aqueles que defendiam apenas o condicionamento da ajuda militar ao respeito aos direitos humanos. A atuação agressiva do lobby foi alvo de críticas de autoridades locais, como o governador de Illinois, JB Pritzker, e o prefeito de Evanston, Daniel Biss.


Durante o debate interno, apoiadores do AIPAC reagiram às críticas classificando opositores como “antissemitas”, argumento reiterado na reunião ao se afirmar que questionar o lobby equivaleria a “atacar os judeus”, deslocando o debate político para um campo de deslegitimação.


Outras resoluções também encaminhadas à força-tarefa incluíam propostas para suspender transferências de armas a unidades militares israelenses acusadas de violações de direitos humanos e para reconhecer o Estado palestino. Uma terceira sugeria condicionar a ajuda militar ao cumprimento do direito internacional, especialmente no contexto das tensões envolvendo Israel e o Irã.


O encaminhamento dessas propostas sem votação efetiva mantém a política externa do partido alinhada à estratégia militar estadunidense no Oriente Médio, enquanto amplia a fratura interna entre uma base cada vez mais crítica e uma liderança comprometida com a manutenção de alianças estratégicas e interesses geopolíticos consolidados.

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