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Deus não endossa bombardeios: Papa dirige sermão ao Ministro da Guerra dos EUA

O Papa Leão XIV declarou no domingo (29) que Deus rejeita as orações de líderes que promovem a guerra. A fala ocorreu durante a missa de Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de fiéis. Sem citar nomes, a declaração foi interpretada como uma crítica direta à retórica religiosa adotada por autoridades do governo do presidente estadunidense Donald Trump. O secretário da Guerra, Pete Hegseth, tem invocado argumentos cristãos para justificar a escalada militar contra o Irã.


“Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, afirmou o pontífice. Em seguida, reforçou: “Ele não ouve as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita”.

O Papa Leão XIV conduz a Missa de Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano, em 29/03/2026. (Foto de Maria Grazia Picciarella/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
O Papa Leão XIV conduz a Missa de Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano, em 29/03/2026. (Foto de Maria Grazia Picciarella/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

A fala contrasta diretamente com declarações recentes de Hegseth, que, segundo registros públicos do próprio Pentágono, conduziu uma oração institucional pedindo que tropas estadunidenses exercessem “violência esmagadora contra aqueles que não merecem misericórdia”.


A retórica do chefe do Departamento da Guerra não é isolada. Em novembro de 2024, quando foi indicado ao cargo por Trump, Hegseth já era conhecido por sua defesa explícita de uma agenda militar com base religiosa. Em seu livro publicado em 2020, Cruzada Americana, ele defende abertamente a destruição de locais sagrados muçulmanos como forma de retomada cristã, retomando simbolismos históricos das Cruzadas medievais. O conteúdo foi destacado pela jornalista Kiera Butler, da Mother Jones, veículo que publicou a reportagem original assinada por Alex Nguyen.


Além do discurso, símbolos reforçam essa orientação ideológica. Hegseth possui tatuagens como a cruz de Jerusalém e a expressão latina “Deus Vult” (“Deus o quer”), historicamente associada às Cruzadas. Segundo o pesquisador Matthew Taylor, do Instituto de Estudos Islâmicos, Cristãos e Judaicos, a frase carrega o significado de que “Deus ordenou a violência dos cruzados”.


No plano institucional, a militarização da religião também avança. Reportagem do Washington Post aponta que Hegseth promove cultos evangélicos mensais dentro do Pentágono, com participação de militares e funcionários civis. Líderes religiosos alinhados à sua denominação são convidados a pregar nesses encontros, consolidando uma fusão entre aparato militar e doutrina religiosa dentro de uma das principais estruturas de poder do Estado estadunidense.


Enquanto isso, o Papa Leão XIV tem reiterado apelos por cessar-fogo imediato e condenação dos bombardeios. Em declaração anterior, feita na semana anterior à missa, ele afirmou que ataques aéreos devem ser proibidos e denunciou o impacto direto sobre civis:


“Milhares de pessoas inocentes foram mortas e muitas outras foram forçadas a abandonar suas casas”. O pontífice também destacou que escolas, hospitais e áreas residenciais estão entre os alvos atingidos.


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