Dólar recua e real dispara: moeda brasileira lidera valorização global em 2026
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O real brasileiro foi a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta com 27 moedas internacionais. A valorização acumulada chegou a 10,7% até 17 de abril, quando o dólar fechou cotado a R$ 4,98. O desempenho ocorre em um cenário global de instabilidade monetária e disputa por fluxos de capital, com destaque para o papel dos juros brasileiros elevados. O levantamento indica que o fortalecimento do real não decorre de enfraquecimento do dólar, que permaneceu praticamente estável no período. O movimento é interpretado como reflexo de fatores internos, mas também de pressões externas ligadas à reorganização do sistema financeiro internacional sob hegemonia estadunidense.

De acordo com a consultoria Elos Ayta, o real liderou o ranking global de valorização cambial em 2026 entre 27 moedas analisadas, superando divisas de economias avançadas e emergentes. No período analisado, a moeda brasileira avançou 10,7% frente ao dólar, o que significa que R$ 100, que no início do ano compravam US$ 18,37, passaram a comprar US$ 20,08 em abril. O levantamento, divulgado com base na cotação de 17 de abril, coloca o Brasil no topo de um ranking internacional de desempenho cambial.
Na segunda posição aparece o novo shekel de Israel, com valorização de 7,7%, seguido pela coroa norueguesa, com alta de 7,5%. Entre as 27 moedas avaliadas, 14 se valorizaram frente ao dólar, três permaneceram estáveis e dez registraram desvalorização. Entre os piores desempenhos estão a rúpia da Indonésia (-2,4%), a rúpia indiana (-2,8%) e a lira turca (-4,2%), evidenciando a assimetria do sistema monetário global e a vulnerabilidade de economias periféricas às dinâmicas do capital internacional.
O Índice Dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda estadunidense frente a uma cesta de seis divisas fortes — euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço —, recuou apenas 0,11% no mesmo período, indicando estabilidade relativa da moeda base do sistema financeiro global. Esse dado reforça a leitura de que a valorização do real não ocorreu por fragilidade do dólar, mas por fatores internos ligados à dinâmica de entrada de capitais e política monetária doméstica.
Segundo informações atribuídas ao CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, divulgadas em redes sociais a partir de levantamento publicado pela coluna de Silvio Crespo no UOL, a valorização do real estaria associada ao diferencial de juros elevados no Brasil, ao fluxo de capital estrangeiro, ao desempenho da bolsa de valores e à percepção relativa de risco do país. Esses elementos combinam fatores financeiros e estruturais que tornam ativos brasileiros mais atrativos em comparação com economias centrais, especialmente em momentos de instabilidade global.
O cenário é diretamente influenciado pelo nível da taxa Selic, mantida em 14,75% ao ano, enquanto os juros básicos nos Estados Unidos variam entre 3,50% e 3,75% ao ano, criando um diferencial que favorece a entrada de capital especulativo e institucional no mercado brasileiro. Essa assimetria reforça a dependência de fluxos financeiros internacionais e amplia a exposição da economia brasileira às decisões da política monetária estadunidense, que historicamente opera como eixo de referência do sistema financeiro global.
O relatório também aponta que a valorização do real é impulsionada pelo aumento das exportações brasileiras, especialmente de commodities energéticas, em um contexto de alta do preço do petróleo associada a conflitos no Oriente Médio. Esse movimento tem fortalecido a balança comercial e ampliado a entrada de dólares no país, ao mesmo tempo em que eleva a volatilidade global dos preços de energia, afetando cadeias produtivas em escala internacional.
Outro fator destacado é a entrada de capital estrangeiro no mercado financeiro brasileiro, estimulada pela combinação de juros altos e expectativas positivas em relação ao crescimento econômico. A projeção de melhora no Produto Interno Bruto (PIB), com base em estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), reforça o interesse de investidores externos em ativos brasileiros, especialmente ações listadas na B3 e instrumentos de renda fixa.
Esse fluxo de capital também se reflete no desempenho do mercado acionário, com expectativa de que o Índice Ibovespa atinja pela primeira vez a marca de 200 mil pontos. A valorização do mercado de capitais é atribuída à combinação entre entrada de dólares, perspectiva de crescimento econômico e busca global por rendimentos mais elevados em economias periféricas.
Apesar do desempenho positivo, o próprio relatório indica que a continuidade desse cenário depende de variáveis estruturais externas e internas, incluindo a trajetória dos juros no Brasil, a política monetária dos Estados Unidos, a manutenção do fluxo de capital estrangeiro e a estabilidade fiscal. Esses fatores revelam a dependência do sistema financeiro brasileiro em relação a decisões tomadas em centros de poder econômico global, especialmente em Washington, onde a política monetária estadunidense segue determinando o ritmo dos fluxos internacionais de capital.


































