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"EUA e Irã podem cobrar conjuntamente pela passagem pelo Estreito de Ormuz." Trump afirma que a medida protegerá o estreito "de muitas outras pessoas"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em 8 de abril de 2026 que avalia uma parceria com o Irã para cobrar pela passagem no Estreito de Ormuz. A proposta foi divulgada pelo jornalista Jonathan Karl, da ABC News. Segundo Trump, a medida teria como objetivo garantir a segurança da rota marítima estratégica.



Em declarações feitas a jornalistas, Trump sugeriu a criação de uma joint venture entre Washington e Teerã para administrar a cobrança sobre navios que transitam pelo estreito, uma das principais rotas globais de petróleo. “Estamos pensando em fazer isso como uma joint venture. É uma forma de garantir a segurança — e também de protegê-la de muitas outras pessoas. É uma coisa maravilhosa”, afirmou o presidente estadunidense ao ser questionado sobre a possibilidade de o Irã cobrar taxas pela passagem.


A proposta surge em um contexto de disputa direta pelo controle e pela segurança do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, segundo dados amplamente reconhecidos do comércio energético internacional. A fala de Trump explicita uma tentativa de transformar um ponto crítico da geopolítica energética global em mecanismo de arrecadação e controle conjunto, mesmo após semanas de confrontos envolvendo forças estadunidenses e o Irã.


Do lado iraniano, a discussão sobre a cobrança já vinha sendo articulada publicamente. Hamid Hosseini, porta-voz do Sindicato dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, declarou ao Financial Times que Teerã pretende implementar uma taxa de US$ 1 por barril de petróleo transportado por petroleiros que cruzarem o estreito durante o cessar-fogo. Segundo Hosseini, o pagamento poderia ser realizado em Bitcoin, além da previsão de inspeções em embarcações consideradas suspeitas pelas autoridades iranianas.


A convergência entre a proposta estadunidense e a iniciativa iraniana revela uma disputa não apenas militar, mas também econômica sobre o controle de fluxos energéticos estratégicos. Ao mesmo tempo em que Washington mantém operações militares na região ao lado de Israel, o discurso de Trump aponta para a tentativa de institucionalizar mecanismos de exploração econômica sobre uma rota vital para países dependentes da importação de petróleo, ampliando a lógica de controle sobre cadeias globais de energia.

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