EUA negam inclusão do Líbano em cessar-fogo e expõem ruptura após ataques israelenses em Beirute
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O governo iraniano denunciou em 9 de abril de 2026 a exclusão do Líbano do acordo de cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos poucas horas após sua divulgação. A declaração ocorreu após ataques israelenses em 8 de abril atingirem áreas residenciais em Beirute, deixando mais de mil libaneses mortos ou feridos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, questionou publicamente a mudança de posição da Casa Branca. O acordo havia sido mediado pelo Paquistão e, segundo autoridades envolvidas, incluía explicitamente o fim das operações militares no Líbano. A rápida revisão estadunidense do escopo do cessar-fogo foi apontada por Teerã como violação direta dos termos negociados.

Em comunicado publicado na noite de quarta-feira, 8 de abril, na rede social X, Baqai confrontou a versão apresentada pela porta-voz da Casa Branca, que afirmou que o território libanês não fazia parte do entendimento firmado entre Washington e Teerã. Para sustentar sua crítica, o diplomata iraniano citou uma publicação do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das negociações e mencionou explicitamente a interrupção da agressão militar israelense no Líbano como componente do acordo. “Se isso não é mais um exemplo dos Estados Unidos descumprindo prematuramente seus acordos, então o que é?”, declarou Baqai.
A divergência emerge poucas horas após o anúncio do cessar-fogo, quando autoridades estadunidenses alteraram a interpretação do pacto, restringindo sua aplicação e excluindo o teatro libanês. A mudança contrasta com a formulação apresentada pelo mediador paquistanês, que vinculava diretamente o fim das operações israelenses no Líbano ao entendimento mais amplo com o Irã. A inconsistência entre as versões reforçou a acusação iraniana de descumprimento antecipado dos compromissos assumidos.
No terreno, os ataques israelenses de 8 de abril atingiram edifícios residenciais em Beirute, conforme registros da Associated Press, mobilizando equipes de emergência e ampliando o número de vítimas civis. Dados divulgados por autoridades regionais indicam que mais de mil pessoas foram mortas ou feridas em apenas um dia de bombardeios, intensificando a crise humanitária no país.
Diante da escalada, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian reiterou que a proposta de 10 pontos apresentada por Teerã para encerrar as hostilidades inclui, de forma explícita, o estabelecimento de um cessar-fogo no Líbano. Segundo ele, a viabilidade do acordo depende do cumprimento efetivo das obrigações assumidas pelas partes envolvidas, destacando que a credibilidade das negociações está diretamente vinculada à observância integral dos termos pactuados.
No Parlamento iraniano, o presidente Mohammad Baqer Qalibaf afirmou que três dos dez pontos da proposta já foram violados. Ele citou os ataques contínuos de Israel contra o Líbano, a incursão de um drone no espaço aéreo iraniano e a recusa em reconhecer o direito da República Islâmica de enriquecer urânio como exemplos concretos de ruptura do acordo. As declarações reforçam a posição oficial de que o cessar-fogo foi comprometido ainda em sua fase inicial.
O governo do Paquistão, responsável pela mediação, também confirmou a violação do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, destacando que os ataques israelenses ao Líbano ocorreram em desacordo com os termos negociados. A confirmação externa amplia o desgaste diplomático em torno da implementação do acordo e evidencia a fragmentação das garantias apresentadas no momento de sua assinatura.



































