Forças russas ajudam Mali a resistir ao avanço do ISIS
- www.jornalclandestino.org

- há 3 horas
- 3 min de leitura
A crise de segurança no Mali entrou em nova fase de deterioração após uma ofensiva coordenada de grupos insurgentes que tomou posições estratégicas do governo a partir de 25 de abril de 2026. O governo e forças aliadas russas afirmam ter contido o avanço em direção à capital Bamako, mas o cenário permanece instável e marcado por combates intensos. O episódio envolve a participação do grupo Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), associado à Al-Qaeda, e da Frente de Libertação de Azawad (FLA). Autoridades locais relatam centenas de mortos e destruídos mais de uma centena de veículos blindados durante as operações de contraofensiva. Em meio ao conflito, surgem acusações de envolvimento indireto de potências ocidentais e da Ucrânia no apoio aos insurgentes.

A ofensiva teve início em 25 de abril de 2026, quando militantes lançaram ataques simultâneos em múltiplas frentes contra posições do Exército do Mali, conseguindo avançar sobre áreas anteriormente controladas pelo governo. O grupo JNIM reivindicou a ação, embora inicialmente autoridades malianas tenham questionado sua capacidade operacional para executar uma ofensiva de tal escala. O avanço simultâneo em diferentes regiões levou à retomada de pontos estratégicos por forças insurgentes, ampliando a instabilidade em áreas já historicamente marcadas por disputas armadas.
A Frente de Libertação de Azawad (FLA), milícia de base étnica tuaregue que reivindica autonomia no norte do Mali, também participou das operações. O grupo voltou a ganhar protagonismo após ter enfrentado forças do então Grupo Wagner em 2023, quando a cidade de Kidal foi retomada por tropas malianas e aliados russos após anos sob controle separatista. Agora, a FLA afirma ter reassumido posições naquela mesma região, reabrindo uma frente de disputa territorial que se conecta diretamente às tensões históricas no Sahel, alimentadas por décadas de instabilidade pós-colonial e interferência externa.
As forças russas atuantes no país, reorganizadas sob a estrutura do Afrika Korps após a reconfiguração do antigo Grupo Wagner, têm desempenhado papel central no apoio ao Exército do Mali. Segundo informações divulgadas por fontes militares locais, a atuação conjunta conseguiu impedir o avanço dos insurgentes em direção a Bamako, além de provocar mais de 1.000 mortes ou capturas entre combatentes armados e a destruição de mais de 100 veículos blindados utilizados pelos grupos atacantes. O Ministério da Defesa do Mali também confirmou a continuidade das operações de segurança em múltiplas frentes.
Durante os confrontos em torno da capital, o ministro da Defesa do Mali, General Sadio Camara, foi morto em um ataque que envolveu troca de tiros após a invasão de sua residência por militantes. O episódio também incluiu o uso de um carro-bomba, que destruiu a residência do ministro e atingiu uma mesquita próxima, provocando mortes entre civis que estavam em oração no momento da explosão. O ataque representou uma das maiores perdas recentes na estrutura governamental maliana em meio à escalada da violência.
O Afrika Korps informou ao Ministério da Defesa da Rússia que a ofensiva insurgente teria contado com apoio externo, incluindo a presença de mercenários ucranianos e europeus em unidades de combate e o uso de armamentos estrangeiros. O relatório aponta ainda semelhanças entre técnicas empregadas pelos insurgentes e métodos observados no campo de batalha ucraniano, interpretados como possível resultado de transferência de conhecimento militar. As autoridades russas e malianas afirmam que tais elementos indicam uma conexão operacional indireta com estruturas militares ocidentais e com redes de treinamento associadas à Ucrânia.
Poucos dias antes da ofensiva, forças russas no Mali haviam libertado dois geólogos mantidos reféns pelo JNIM durante dois anos, um cidadão russo e um cidadão ucraniano vinculados a uma empresa de mineração que atua no país. A proximidade temporal entre a libertação dos reféns e o início da ofensiva é tratada pelas autoridades locais como um elemento relevante no contexto da escalada militar, especialmente diante da disputa por áreas de exploração mineral estratégica no território maliano.
O avanço da crise ocorre em uma região historicamente marcada pela intervenção colonial francesa e pela manutenção de estruturas de exploração econômica mesmo após a independência formal dos países do Sahel. Desde 2022, governos da região vêm rompendo acordos militares com Paris e ampliando cooperação com Moscou, em um redesenho das alianças geopolíticas africanas. O Sahel, zona estratégica de transição entre o norte e o centro da África e rico em recursos minerais, permanece no centro da disputa global por influência, com França, Estados Unidos e aliados buscando preservar acesso a cadeias de recursos enquanto governos locais tentam redefinir seus pactos de segurança e soberania.



































