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266 milhões de pessoas em 47 países sofreram insegurança alimentar aguda em 2025

Dois terços das pessoas em insegurança alimentar aguda no mundo estão concentrados em apenas 10 países afetados por conflitos armados.O alerta consta do Relatório Global sobre Crises Alimentares 2026, divulgado em 24 de abril por uma aliança de agências da ONU, União Europeia e parceiros.Em 2025, 266 milhões de pessoas em 47 países enfrentaram níveis elevados de fome aguda, quase um quarto da população analisada.O relatório aponta que a fome deixou de ser episódica e passou a ser estrutural, persistente e recorrente em escala global.Agências da ONU alertam ainda que cortes de financiamento e guerras prolongadas aprofundam uma crise que já atinge crianças, deslocados e populações inteiras.


266 milhões de pessoas em 47 países sofreram insegurança alimentar aguda em 2025
266 milhões de pessoas em 47 países sofreram insegurança alimentar aguda em 2025

O Relatório Global sobre Crises Alimentares 2026, divulgado em 24 de abril por uma coalizão internacional de agências da ONU, União Europeia e parceiros humanitários, revela que a fome mundial está cada vez mais concentrada em zonas de conflito e se consolida como fenômeno estrutural. Segundo o documento, 266 milhões de pessoas em 47 países sofreram insegurança alimentar aguda em 2025, o equivalente a quase um quarto da população analisada, quase o dobro da proporção registrada em 2016. O levantamento também indica que dois terços dessas pessoas estão concentrados em apenas 10 países: Afeganistão, Bangladesh, República Democrática do Congo, Myanmar, Nigéria, Paquistão, Sudão do Sul, Sudão, República Árabe da Síria e Iêmen.


O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, afirmou que “a insegurança alimentar aguda hoje não é apenas generalizada, mas também persistente e recorrente”, destacando a transformação da fome em uma crise estrutural e não mais episódica. O relatório aponta que os conflitos armados seguem como principal fator de insegurança alimentar, sendo responsáveis por mais da metade dos casos de fome severa no mundo, evidenciando a relação direta entre guerra, colapso institucional e destruição de sistemas de produção e distribuição de alimentos.


O documento registra ainda que, pela primeira vez desde o início da série histórica, duas situações de fome foram confirmadas no mesmo ano em 2025: em Gaza e em partes do Sudão. Em Gaza, o cenário se insere no contexto do genocídio contra a população palestina, enquanto no Sudão a escalada de violência interna também levou ao colapso de serviços básicos e à interrupção do acesso humanitário. O relatório alerta que essas situações representam um agravamento extremo da insegurança alimentar, com populações inteiras expostas à fome catastrófica.


Crianças estão entre as principais vítimas da crise. Em 2025, 35,5 milhões de crianças sofreram desnutrição aguda, incluindo quase 10 milhões em estado de desnutrição aguda severa. O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Ricardo Pires, afirmou que “crianças com emagrecimento severo são muito magras para sua altura. Seus sistemas imunológicos ficam enfraquecidos a ponto de doenças comuns da infância se tornarem fatais”, descrevendo o risco direto de morte associado à condição.


O relatório também aponta o impacto do deslocamento forçado, com mais de 85 milhões de pessoas vivendo em contextos de crise alimentar em situação de deslocamento. O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih, afirmou que “deslocamento forçado e insegurança alimentar estão profundamente interligados, formando um ciclo vicioso”, alertando que a assistência humanitária isolada não é suficiente para romper essa dinâmica estrutural.


A análise das Nações Unidas indica ainda um colapso progressivo no financiamento internacional destinado à resposta à fome. Os recursos humanitários e de desenvolvimento para alimentação e nutrição retornaram a níveis registrados há quase uma década, reduzindo a capacidade de resposta de governos e organizações humanitárias. Paralelamente, a capacidade de monitoramento também diminuiu, com o menor número de países produzindo avaliações confiáveis de segurança alimentar em dez anos, o que sugere que a dimensão real da fome pode ser ainda maior do que os dados atuais indicam.


O relatório projeta um cenário crítico para 2026, marcado pela continuidade de conflitos, choques climáticos e instabilidade econômica, fatores que devem manter a insegurança alimentar em níveis elevados. Também são apontados riscos adicionais ligados a disrupções no mercado global, incluindo efeitos indiretos da crise no Oriente Médio, que podem pressionar preços de alimentos e fragilizar cadeias de abastecimento internacionais.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou no prefácio do relatório que “este relatório é um apelo à ação para reunir a vontade política necessária para aumentar rapidamente o investimento em ajuda humanitária que salva vidas e trabalhar para pôr fim aos conflitos que infligem tanto sofrimento a tantas pessoas”. O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, acrescentou que é necessário mudar a estratégia global, priorizando ações preventivas e o fortalecimento da produção local de alimentos, diante da escalada contínua da crise alimentar mundial.

 
 

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