Ministério das Mulheres repudia assessor dos EUA que chamou brasileiras de “raça maldita”
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Declarações misóginas do assessor especial do governo estadunidense Paolo Zampolli contra mulheres brasileiras provocaram reação imediata no Brasil em 25 de abril de 2026. Em entrevista à emissora italiana RAI, o representante classificou brasileiras como “raça maldita” e afirmou que seriam “programadas para fazer confusão”. O Ministério das Mulheres respondeu com nota oficial, classificando as falas como crime de ódio e não opinião. A primeira-dama Janja parlamentares também condenaram o episódio. O caso expõe tensões políticas e o nível de discurso hostil presente em setores do governo estadunidense.

Paolo Zampolli, que atua como representante especial para parcerias globais do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante a entrevista que “as mulheres brasileiras fazem confusão com todo mundo” e reiterou a declaração ao chamá-las de “raça maldita”. Segundo ele, esse comportamento seria inerente, ao dizer que estariam “programadas para fazer isso”. As declarações foram divulgadas em 25 de abril de 2026 e rapidamente repercutiram no Brasil, sendo interpretadas como manifestações explícitas de misoginia e preconceito.
A resposta institucional veio no mesmo dia por meio do Ministério das Mulheres, liderado pela ministra Márcia Lopes. Em nota oficial, o órgão declarou que “misoginia não é opinião”, classificando as falas como expressão de ódio, aversão e incitação à violência. O comunicado destacou que esse tipo de discurso configura prática criminosa e não pode ser relativizado sob o argumento de liberdade de expressão, frequentemente mobilizado para proteger agressores e silenciar vítimas. A pasta reafirmou o compromisso do governo brasileiro com o enfrentamento à violência de gênero e à misoginia, apontada como fator de risco para escaladas de agressão que podem culminar em feminicídio.
A primeira-dama Janja também reagiu publicamente, trazendo à tona acusações contra o próprio Zampolli. Em publicação, ela afirmou que o assessor é acusado por sua ex-esposa, a modelo brasileira Amanda Ungaro, de violência doméstica, abuso sexual e psicológico. A associação entre as declarações públicas e o histórico pessoal foi utilizada para reforçar a gravidade do episódio. Janja afirmou que mulheres brasileiras enfrentam diariamente ciclos de violência e silenciamento, destacando que as ofensas não diminuem sua identidade ou trajetória. Em resposta direta, declarou que ser chamada de “raça maldita” não altera a realidade de mulheres que constroem suas vidas com “força e coragem”.
No campo político, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) relacionou o episódio à resistência de setores conservadores à criminalização da misoginia no Brasil. Em declaração pública, afirmou: “A machosfera brasileira treme diante da possibilidade de aprovação do projeto que criminaliza a misoginia, porque quer ser livre para repetir este comportamento vergonhoso. Queremos respeito!”. A fala conecta o caso internacional ao debate legislativo interno, indicando como discursos de ódio encontram respaldo em ambientes políticos que resistem à regulamentação.
O episódio ocorre em um contexto mais amplo de tensões políticas e culturais, no qual figuras ligadas ao governo estadunidense se manifestam publicamente sem filtros diplomáticos, reforçando discursos discriminatórios. Ao mesmo tempo, o caso evidencia a resposta institucional e social no Brasil, onde órgãos governamentais e representantes políticos buscam enquadrar esse tipo de declaração como crime e não como opinião legítima, em meio à tramitação de propostas legislativas voltadas à criminalização da misoginia.



































