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Ministério das Mulheres repudia assessor dos EUA que chamou brasileiras de “raça maldita”

27 de abr.
2 min de leitura

Declarações misóginas do assessor especial do governo estadunidense Paolo Zampolli contra mulheres brasileiras provocaram reação imediata no Brasil em 25 de abril de 2026. Em entrevista à emissora italiana RAI, o representante classificou brasileiras como “raça maldita” e afirmou que seriam “programadas para fazer confusão”. O Ministério das Mulheres respondeu com nota oficial, classificando as falas como crime de ódio e não opinião. A primeira-dama Janja parlamentares também condenaram o episódio. O caso expõe tensões políticas e o nível de discurso hostil presente em setores do governo estadunidense.


Paolo Zampolli | Foto: Matthias Balk/picture alliance via Getty Images)
Paolo Zampolli | Foto: Matthias Balk/picture alliance via Getty Images)

Paolo Zampolli, que atua como representante especial para parcerias globais do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante a entrevista que “as mulheres brasileiras fazem confusão com todo mundo” e reiterou a declaração ao chamá-las de “raça maldita”. Segundo ele, esse comportamento seria inerente, ao dizer que estariam “programadas para fazer isso”. As declarações foram divulgadas em 25 de abril de 2026 e rapidamente repercutiram no Brasil, sendo interpretadas como manifestações explícitas de misoginia e preconceito.


A resposta institucional veio no mesmo dia por meio do Ministério das Mulheres, liderado pela ministra Márcia Lopes. Em nota oficial, o órgão declarou que “misoginia não é opinião”, classificando as falas como expressão de ódio, aversão e incitação à violência. O comunicado destacou que esse tipo de discurso configura prática criminosa e não pode ser relativizado sob o argumento de liberdade de expressão, frequentemente mobilizado para proteger agressores e silenciar vítimas. A pasta reafirmou o compromisso do governo brasileiro com o enfrentamento à violência de gênero e à misoginia, apontada como fator de risco para escaladas de agressão que podem culminar em feminicídio.


A primeira-dama Janja também reagiu publicamente, trazendo à tona acusações contra o próprio Zampolli. Em publicação, ela afirmou que o assessor é acusado por sua ex-esposa, a modelo brasileira Amanda Ungaro, de violência doméstica, abuso sexual e psicológico. A associação entre as declarações públicas e o histórico pessoal foi utilizada para reforçar a gravidade do episódio. Janja afirmou que mulheres brasileiras enfrentam diariamente ciclos de violência e silenciamento, destacando que as ofensas não diminuem sua identidade ou trajetória. Em resposta direta, declarou que ser chamada de “raça maldita” não altera a realidade de mulheres que constroem suas vidas com “força e coragem”.


No campo político, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) relacionou o episódio à resistência de setores conservadores à criminalização da misoginia no Brasil. Em declaração pública, afirmou: “A machosfera brasileira treme diante da possibilidade de aprovação do projeto que criminaliza a misoginia, porque quer ser livre para repetir este comportamento vergonhoso. Queremos respeito!”. A fala conecta o caso internacional ao debate legislativo interno, indicando como discursos de ódio encontram respaldo em ambientes políticos que resistem à regulamentação.


O episódio ocorre em um contexto mais amplo de tensões políticas e culturais, no qual figuras ligadas ao governo estadunidense se manifestam publicamente sem filtros diplomáticos, reforçando discursos discriminatórios. Ao mesmo tempo, o caso evidencia a resposta institucional e social no Brasil, onde órgãos governamentais e representantes políticos buscam enquadrar esse tipo de declaração como crime e não como opinião legítima, em meio à tramitação de propostas legislativas voltadas à criminalização da misoginia.

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