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Israel lança campanha de detenção em massa na Cisjordânia

As forças israelenses realizaram uma nova onda de incursões e prisões na Cisjordânia ocupada entre a noite de domingo e a segunda-feira, ampliando um padrão de violência que se intensifica desde outubro de 2023 em paralelo ao genocídio em Gaza. A operação mais recente concentrou-se no campo de refugiados de Qalandia, ao norte de Jerusalém ocupada, onde casas foram invadidas e famílias expulsas. Pelo menos 11 palestinos foram detidos e submetidos a interrogatórios prolongados, segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos. As ações também se espalharam por cidades como Kafr Aqab, al-Ram, Nablus, Hebron, Belém e Jenin. As autoridades israelenses emitiram ainda ordens de demolição em massa contra residências e estabelecimentos comerciais.


Um membro das forças de segurança israelenses aponta sua arma durante uma incursão no bairro de Kafr Aqab, a cerca de 16 quilômetros ao sul da cidade de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 27 de abril de 2026.  (Foto: Zain JAAFAR / AFP via Getty Images)
Um membro das forças de segurança israelenses aponta sua arma durante uma incursão no bairro de Kafr Aqab, a cerca de 16 quilômetros ao sul da cidade de Ramallah, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 27 de abril de 2026. (Foto: Zain JAAFAR / AFP via Getty Images)

Na madrugada de segunda-feira, tropas israelenses invadiram o campo de refugiados de Qalandia, entrando à força em residências palestinas e expulsando cerca de 13 famílias de suas casas. Os imóveis ocupados foram convertidos em centros improvisados de detenção e interrogatório, segundo relatos locais. Testemunhas afirmaram que as forças militares comunicaram aos moradores que a operação poderia se estender por até 24 horas, em meio a uma campanha de prisões direcionada especialmente a ex-detentos e familiares de prisioneiros palestinos. Entre os detidos estão Jihad Manasra, Mahmoud Ezzat, Ahmed Mutair e Jamal Ammar, conforme dados do Clube dos Prisioneiros Palestinos.


Durante a mesma operação, confrontos foram registrados em Kafr Aqab e al-Ram, onde o uso de gás lacrimogêneo provocou feridos após a invasão militar. Nessas localidades, forças israelenses prenderam os palestinos recém-libertados Majd e Ahmed Abu Gharbiya. A escalada da violência obrigou escolas da região a adiarem o início das aulas, diante da incerteza sobre a continuidade das incursões militares. Paralelamente, a agência palestina Wafa informou a emissão de ordens de demolição para dezenas de casas, lojas e instalações comerciais no campo de Qalandia e em áreas urbanas próximas, sob o argumento de ausência de autorização oficial - mecanismo frequentemente utilizado para legitimar destruição de infraestrutura civil na Cisjordânia ocupada.


Em Nablus, tropas israelenses entraram com jipes militares na Cidade Velha e se posicionaram em diferentes bairros, incluindo Ras al-Ain e Makhfiya, estabelecendo controle temporário sobre ruas e acessos. Até o momento, não foram reportadas prisões ou feridos nessa área. Já na província de Hebron, o vice-prefeito de Deir Samet, Atef Awawdeh, foi detido após a invasão de sua residência, enquanto três adolescentes, de 16 e 17 anos, foram presos em Beit Ummar. Em Belém, quatro pessoas foram detidas em diferentes localidades, incluindo um palestino já ferido anteriormente por disparos israelenses. Na província de Jenin, forças militares invadiram as cidades de Arqa e Ya’bad, realizando buscas domiciliares.


Na cidade de Sarda, ao norte de Ramallah, soldados israelenses estabeleceram um posto de controle na estrada principal, parando e revistando veículos, segundo informações da agência Wafa. Em paralelo às operações militares, colonos israelenses ilegais intensificaram ataques contra palestinos e suas propriedades, incluindo o arranque de cerca de 200 oliveiras na planície de Turmus Ayya, a nordeste de Ramallah, além de ataques a veículos próximos ao assentamento de Shilo sob proteção militar. Também foram registrados ataques com pedras contra carros na entrada de Deir Dibwan e ao norte de al-Bireh, danificando diversos veículos.


Desde outubro de 2023, as forças israelenses e colonos já mataram pelo menos 1.154 palestinos na Cisjordânia ocupada e prenderam cerca de 22.000, segundo estatísticas oficiais palestinas, em um cenário de escalada contínua que ocorre em paralelo ao genocídio em curso em Gaza, enquanto a ocupação militar amplia operações de cerco, detenção em massa e destruição de infraestrutura civil em múltiplas regiões do território palestino ocupado.

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