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"Grande Marcha" indígena exige a renúncia de Rodrigo Paz

Organizações indígenas, camponesas e sindicais intensificaram a pressão pelo afastamento do presidente Rodrigo Paz após cinco semanas consecutivas de marchas, bloqueios e mobilizações em diferentes regiões da Bolívia. Os protestos ocorrem em meio a uma crise marcada por mortes, feridos e prisões decorrentes dos confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Os setores mobilizados acusam o governo de aprofundar políticas neoliberais e de abrir caminho para a entrega de recursos naturais bolivianos a interesses estrangeiros.


Um homem acende um rojão durante um protesto que exige a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, após semanas de manifestações e bloqueios em La Paz, Bolívia, em 10 de junho de 2026. | Foto: Jorge Mateo Romay Salinas/Anadolu via Getty Images
Um homem acende um rojão durante um protesto que exige a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, após semanas de manifestações e bloqueios em La Paz, Bolívia, em 10 de junho de 2026. | Foto: Jorge Mateo Romay Salinas/Anadolu via Getty Images

As manifestações ganharam nova dimensão após a promulgação da Lei 1740, norma que regulamenta os estados de emergência e autoriza a intervenção das Forças Armadas quando as autoridades alegarem incapacidade operacional da polícia para controlar distúrbios. A medida foi apresentada pelo governo como instrumento para restaurar a ordem pública, mas organizações sociais interpretaram a legislação como um mecanismo para ampliar a repressão contra movimentos populares.


Nas últimas semanas, os bloqueios de estradas, as marchas e as paralisações atingiram diferentes departamentos do país. Mesmo diante da nova legislação e do aumento da presença das forças de segurança, os protestos não recuaram. Pelo contrário, os grupos mobilizados ampliaram suas ações e passaram a defender abertamente a saída de Rodrigo Paz da presidência.


Entre as principais reivindicações apresentadas pelos manifestantes está a rejeição a qualquer processo de privatização dos recursos naturais bolivianos. Agricultores, representantes de povos indígenas e trabalhadores afirmam que reservas estratégicas do país estão sendo colocadas à disposição de interesses externos. Os setores mobilizados acusam o governo de atuar em alinhamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para facilitar o acesso estrangeiro a recursos considerados patrimônio nacional boliviano.


As críticas também se concentram na política econômica implementada pelo governo. Lideranças dos protestos apontam a comercialização da chamada "gasolina de baixa qualidade" como símbolo da deterioração das condições econômicas enfrentadas pela população. Outro foco de contestação é o uso recorrente de decretos presidenciais para a adoção de medidas governamentais, prática denunciada pelos manifestantes como forma de contornar mecanismos de debate político e participação popular.


O descontentamento acumulado ao longo das últimas semanas produziu uma mudança no tom das mobilizações. Declarações realizadas durante os atos públicos indicaram o endurecimento das posições dos setores organizados. Em uma das manifestações, participantes afirmaram: "O presidente sairá pela porta ou pela janela".


Os confrontos entre manifestantes e forças de segurança também se intensificaram. Relatos dos protestos apontam o uso de gás lacrimogêneo durante operações de dispersão realizadas pelas autoridades. As ações resultaram em novos confrontos, ampliando a tensão política em diversas regiões do país.


Em uma das maiores mobilizações registradas desde o início da crise, indígenas, camponeses e trabalhadores realizaram uma marcha conjunta contra as medidas adotadas pelo governo. Durante o ato, os participantes voltaram a exigir a renúncia imediata de Rodrigo Paz, afirmando que a permanência do presidente no cargo impede qualquer solução para a crise política, econômica e social enfrentada pela Bolívia.

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