top of page
  • LOGO CLD_00000

Guerra eleva pobreza no Sudão para 70%, alerta a ONU

Quase 70% da população do Sudão vive atualmente abaixo da linha da pobreza, segundo dados divulgados em 14 de abril por um alto funcionário da ONU. O índice representa quase o dobro dos níveis registrados antes do início da guerra civil no país. A informação foi apresentada por Luca Renda, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O conflito, que já dura quatro anos, continua devastando a economia e desestruturando o tecido social sudanês. A crise humanitária se agrava com fome generalizada, deslocamento massivo e intensificação dos combates.


Sudão ©OSAMA AWAD EIKAFI
Sudão ©OSAMA AWAD EIKAFI

De acordo com Luca Renda, a taxa de pobreza saltou de cerca de 38% antes da guerra para aproximadamente 70% atualmente, com base em uma linha de pobreza fixada em cerca de quatro dólares por dia. O cenário é ainda mais crítico ao se considerar que pelo menos um quarto da população sobrevive com menos da metade desse valor, evidenciando níveis extremos de privação econômica.


As regiões mais atingidas pela crise incluem Kordofan do Sul e Darfur do Norte, onde até 75% da população enfrenta condições de pobreza severa. Essas áreas permanecem entre as mais impactadas pelos combates contínuos entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), que disputam o controle do país desde o início do conflito.


A guerra, agora em seu quarto ano, já resultou na morte de dezenas de milhares de pessoas e no deslocamento de mais de 11 milhões, configurando uma das maiores crises de deslocamento interno do mundo. A destruição da infraestrutura, o colapso dos serviços básicos e a paralisação de atividades econômicas aprofundaram a crise social em escala nacional.


A insegurança alimentar se espalhou de forma generalizada, com mais de 21 milhões de pessoas enfrentando níveis severos de fome. A ONU alerta que as condições de vida no país regrediram a patamares não vistos desde 1992, com a pobreza extrema ultrapassando níveis registrados nos anos 1980.


“Esses não são apenas números”, afirmou Luca Renda, destacando que a crise se traduz em famílias desintegradas e uma geração inteira sob risco de perder acesso a educação, saúde e condições mínimas de sobrevivência.


Enquanto isso, a violência continua a se intensificar em regiões como Kordofan e o estado do Nilo Azul. Ataques recentes com drones resultaram na morte de centenas de civis, ampliando a dimensão da crise humanitária e evidenciando a continuidade da escalada militar no país.


Diante do agravamento da situação, doadores internacionais devem se reunir em Berlim para tentar reativar negociações de paz estagnadas e mobilizar assistência humanitária emergencial.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page